Jorge Paz Amorim

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Belém, Pará, Brazil
Sou Jorge Amorim, Combatente contra a viralatice direitista que assola o país há quinhentos anos.

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Golpismo larápio põe novamente novamente o Brasil de cócoras para o Banco Mundial



Depois de ficar de 2003 a 2015 sem se submeter a pitacos dos famigerados orgãos internacionais, eis que o golpismo larápio trouxe de volta pra conduzir a economia brasileira os infames FMI e Banco Mundial.

Este último, acaba de produzir um estudo que prima pelo déja vu com seu receituário que manda cortar benefícios, reformar a previdência e rever políticas sociais, mas não diz uma linha sequer a respeito do modelo tributário regressivo vigente desde os tempos coloniais e invadindo o período republicano.

Ou seja, esse segmento da agiotagem internacional aproveita-se dessa camarilha que tomou o poder na marra pra fazer voltar o receituário aplicado na época do desonesto FHC e que gerou desemprego altíssimo e miséria haitiana no país por penosos anos.

Contando com o beneplácito das quadrilhas midiáticas, interessadas em tirar seu naco desse butim, percebe-se uma campanha sórdida pra fazer o povo crer que ainda não foi roubado o suficiente, em detrimento da ganância da cleptocracia gilmariano/temerária.

O que se espera é uma reação política que denuncie os agiotas e seus devedores políticos e financeiros a fim de mostrar que, aceita a maldita intromissão, daremos um passo a mais pra que medidas como o fim da CLT e congelamento dos salários dos servidores públicos façam companhia a mais assaltos ao bolso do povo trabalhador.

terça-feira, 21 de novembro de 2017

A farsa das candidaturas de Temer e Aécio

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Porém, já com cinco senadores da bancada pemedebista declarando seu apoio a Lula, a iniciativa tende ao fracasso porque os referidos são candidatos e não cometerão hariquiri político unindo-se aos que ainda dão apoio a um governo sem a mínima credibilidade.

Essa ideia até parece ter surgido de conversas entre os cleptocratas Gilmar, Temer e Aécio em tentativa desesperada de estender até onde der essa aliança, principalmente visando evitar que os dois últimos tenham o mesmo destino de Geddel Vieira Lima e Eduardo Cunha.

Vendendo dificuldades a fim de obter salvo conduto, não resta outra alternativa fora do protagonismo político. Aécio já se declarou candidato e agora Temer encena a mesma farsa.

Talvez, cada um em seu respectivo estado concorra à Câmara Federal a fim de obter a im(p)unidade parlamentar que dificulte a ação da justiça, mas isso só ocorrerá após tratativas com correligionários em que tentarão vender caro suas escolhas.

E é só isso. Afinal, Aécio já conseguiu mobilizar 2/3 dos coronéis de seu partido contra si. E Temer jamais tentaria fazer aquilo que até Ulisses Guimarães fracassou, unir o PMDB em uma eleição limpa e transparente. Só isso.

GLOBO. A DONA DA BOLA E DA JUSTIÇA BRASILEIRA


Si el Fifagate se tramitara en los juzgados brasileños ni Globo ni Teixeira se verían afectados, porque “hay una explícita complicidad de la mayoría de los jueces con los medios, y es una complicidad que se hizo más fuerte con Lava Jato donde sólo se investiga a quien Globo quiere que se investigue”, plantea Paulo Pimenta.

Ocurre que el escándalo del fútbol se salió de la esfera de influencia de Globo, hasta adquirir una dinámica propia en la Justicia norteamericana, para la cual el Fifagate podría ser un correlato jurídico de una disputa diplomática mayor entre Estados Unidos y Rusia, cuya elección como sede del Mundial de 2018 fue votada por Teixeira.

Pois é. Esse é o trecho de uma matéria publicada pelo jornal argentino Página 12, transcrito no Conversa Afiada, do Paulo Henrique Amorim, a respeito do chamado Fifagate, escândalo envolvendo grandes redes televisivas do mundo todo, inclusive a Globo, por conta de suborno na compra de direitos televisivos de eventos futebolísticos.

Segundo a matéria, a justiça estadunidense mantém um ex-presidente da CBF preso e mais dois exilados em seu próprio país, sabedores que se puserem os pés fora do território nacional terão o mesmo destino de José Maria Marin e do empresário J. Hawilla, ex-sócio global em negociatas escusas.

Porém, o mais chocante dessa matéria é o conteúdo do primeiro parágrafo acima citado, onde é afirmado que "Se o Fifagate tramitasse apenas em tribunais brasileiros nem Globo nem (Ricardo)Teixeira seriam afetados porque há uma explícita cumplicidade da maioria dos juízes brasileiros com a mídia, cumplicidade que se fortaleceu com a Lava Jato, onde só se investiga quem a Globo quer", declaração do deputado petista Paulo Pimenta, mas chancelada pelo jornal argentino que a publicou.

Não por acaso, prepara-se nova ofensiva contra Lula, contra o PT e contra Zé Dirceu a fim de dar o troco e fazer represália, principalmente depois que o PT entrou com uma representação criminal contra a Globo na Procuradoria Geral da República. Parece que ambos, Globo e togados, ficaram furibundos com a iniciativa e partiram para o contrataque.

Fim do 'Ciência Sem Fronteiras', pelo golpismo larápio, reduziu intercâmbio com o exterior em até 99%

Fim do programa Ciência Sem Fronteiras não é apenas uma perda para os alunos, mas também para o país

Sem a ajuda do MEC desde 2016, instituições de ensino federais e estaduais reduziram em até 99% o número de alunos enviados ao exterior


Repórter Diário – O número de intercâmbios entre alunos de graduação das universidades públicas brasileiras despencou com o fim do programa Ciência sem Fronteiras, do governo federal. Sem a ajuda do Ministério da Educação (MEC) desde julho de 2016 e em meio à crise econômica, as instituições de ensino federais e estaduais reduziram em até 99% o número de alunos enviados ao exterior até o ano passado. Para especialistas, esse dado representa não só uma perda de experiência acadêmica para os estudantes, mas também um prejuízo para a formação científica no País.

A reportagem analisou dados de 17 instituições de ensino superior público – 30 universidades de todas as regiões do País foram procuradas pela reportagem, mas nem todas responderam. Entre as instituições analisadas estão as três estaduais paulistas, Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual Paulista (Unesp) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), além de outras 14 federais, de um total de 64. Todos os documentos foram obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação enviados por cada uma das instituições.

UFABC

Um dos casos mais dramáticos está na Universidade Federal do ABC, onde só três bolsas foram concedidas no ano passado, ante 551 em 2014, auge do Ciência sem Fronteiras – uma queda de 99,4%. A universidade diz que, sem o respaldo do governo federal, viabilizar intercâmbio tem sido "um desafio", mas que tem buscado aumentar a quantidade de convênios internacionais ao longo dos anos – atualmente há 18, em 10 países diferentes, segundo a instituição.

Sonho

Aluno de Engenharia de Gestão na UFABC, João Coelho, de 22 anos, ingressou na universidade em 2014 com o sonho de estudar no exterior. "Víamos muita gente indo e, logo que entrei, comecei a participar dos processos de preparação", conta. Coelho chegou até a prestar o TOEFL, exame de proficiência de língua inglesa cuja inscrição custou cerca de R$ 800. "Nesse tempo de preparação acabou tendo o corte e o sonho ficou para trás", diz o estudante, que pretendia ir a Dublin, na Irlanda, em 2016.

Para ele, o fim do programa não é apenas uma perda para os alunos, mas também para o País. "Quem viaja traz muita coisa para que possamos aplicar aqui, desenvolver a ciência e a tecnologia no Brasil."

Perdas e ganhos

Desde a sua criação, em 2011, o Ciência sem Fronteiras dividiu a opinião de especialistas. O programa era alvo de críticas pela falta de acompanhamento acadêmico aos estudantes e por ter pouco impacto científico, mas também era visto como uma oportunidade de compartilhar conhecimento, contribuir para o repertório científico do País e enriquecer o sistema educacional.

"O Ciência sem Fronteiras é uma faca de dois gumes. Por um lado, o Brasil apareceu pela primeira vez no cenário internacional. Por outro, teve um custo altíssimo, entre R$ 12 bilhões e R$ 15 bilhões e, até hoje, não se sabe exatamente qual foi o objetivo do programa", diz o especialista em internacionalização do ensino superior Leandro Tessler, da Unicamp. Para ele, é importante que as universidades tenham algum tipo de oferta de internacionalização na graduação, mas com maior diálogo com os setores de cada uma delas e tentando trazer mais alunos estrangeiros para o Brasil.

O alto custo do programa também foi um dos principais argumentos do Ministério da Educação para encerrá-lo. Quando anunciou seu fim, em julho de 2016, o ministro da Educação Mendonça Filho (DEM) afirmou que, em 2015, o programa custou R$ 3,7 bilhões, para atender 35 mil bolsistas. De acordo com a pasta, esse mesmo valor foi usado para atender 39 milhões de alunos no programa federal de merenda escolar.

Para o vice-presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Carlos Roberto Cury, a redução das bolsas ofertadas para alunos de universidades públicas é um desfecho "cruel" da crise econômica no País. "A ciência perdeu a circulação de cérebros, o compartilhamento de conhecimentos e descobertas que havia com os intercâmbios. Porque os alunos da graduação se tornarão os futuros pesquisadores, o prejuízo na formação deles impacta na ciência", diz. Ele avalia, porém, que um dos problemas do programa foi na seleção dos alunos, que deveria ter ficado sob responsabilidade das universidades.

Bolsas privadas

Bolsas internacionais privadas, como o Santander Universidades, também registraram uma redução neste ano – foram 1.191 internacionais, ante 1.416 no ano passado. Mas o banco promete ampliar a oferta para 1.501 em 2018. "Programas de bolsas passaram por uma reformulação, e adotando um posicionamento focado em 3 pilares: formação, emprego e empreendedorismo", diz, em nota. O banco apontou ainda que, nos últimos dois anos, concedeu mais de 1.900 bolsas para universidades públicas e, nos últimos cinco anos, 14.743 (incluindo bolsas nacionais).

Ensino médio e pós-graduação

Em nota, o MEC informou que irá elaborar um estudo para viabilizar o envio de alunos do ensino médio para estudar no exterior. A pasta afirmou ainda que, em 2016, gastou R$ 1,7 bilhão para regularizar auxílios
que estavam atrasados a 19,3 mil bolsistas. Disse também que, agora, o foco do Ciência sem Fronteiras é na pós-graduação.

"Na semana passada, a CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) divulgou o edital do programa CAPES/PrInt, que terá R$ 300 milhões anuais para apoio a Projetos Institucionais de Internacionalização. No total, serão selecionados até 40 projetos."Segundo o MEC, os projetos selecionados receberão recursos para missões de trabalho no exterior, bolsas no Brasil e no exterior e outras ações de custeio aprovadas pela CAPES. Procurada, a USP não quis se manifestar. A Unicamp culpou o fim do Ciências sem Fronteiras pela queda nas bolsas e a "deterioração das condições econômicas" no País. Disse ainda que tem se empenhado em desenvolver e aprimorar as condições que viabilizem o intercâmbio internacional, adequando processos acadêmicos e facilitando a emissão de documentos em inglês. Já a Unesp informou que os altos custos e o fim do Ciência sem Fronteiras foram os causadores do problema.

Restrito a quem pode pagar

Sem recursos para custear sua estadia no exterior, a estudante de engenharia civil Sttefany Schiavone, 21, planejava fazer um intercâmbio por meio do Ciências sem Fronteiras quando ingressou na Escola Politécnica (Poli) da USP em 2015. O fim do programa, no entanto, a fez desistir da ideia. "Meus pais não têm condições financeiras de bancar um intercâmbio. Então, ou era o Ciências Sem Fronteiras, ou não tinha outro jeito", diz.

Segundo a estudante, a faculdade até oferece convênio com universidades estrangeiras, mas a maioria exige investimento por parte do próprio aluno.

Esse é o caso de Ariane de Souza, de 20 anos, aluna do terceiro ano de Economia Empresarial, no campus da USP de Ribeirão Preto. Neste ano, ela conseguiu uma bolsa de R$ 20 mil para custear parte das despesas de um intercâmbio. A experiência de seis meses na Bélgica, no entanto, só será possível com a ajuda dos pais. "O valor é insuficiente para cobrir todos os gastos com passagem, alimentação, moradia, transporte. Felizmente eu tenho a ajuda dos meus pais e vou conseguir realizar meu sonho, mas muitas pessoas não conseguem ir mesmo com a bolsa", diz.

Frustração

A estudante de Engenharia de Produção da Universidade federal do Rio Grande do Sul Cristhine Borges, de 25 anos, se preparou por mais um ano e meio para realizar o sonho de estudar fora. Fez aulas de inglês, juntou documentos e prestou os principais exames de proficiência no idioma – TOEFL e IELTS. Mas quando foi tentar, em 2015, o programa havia sido encerrado. "Eu contava muito com isso para o aperfeiçoamento do meu inglês, na profissão e na questão cultural também", conta.

Para ela, que pretendia ir à Austrália, a falta do intercâmbio vai impactar sua vida profissional. "Afeta muito porque as empresas dão preferência para quem tem vivência no exterior. A gente percebe isso nas entrevistas e nas dinâmicas", diz. A estudante conta que muito colegas que possuem o estudo fora do país conseguiram bons cargos no mercado.

Prejuízo e frustração são as duas palavras usadas pelo estudante do curso de Engenharia de Produção da Universidade Federal de Pernambuco , Felipe Veras, de 25 anos, para resumir o impacto causado em sua vida acadêmica pelo fim do programa Ciência sem Fronteiras. "Eu investi tempo, dinheiro e muita energia na busca por uma vaga para conseguir realizar o sonho que era estudar fora do Brasil e trazer de volta uma bagagem que certamente iria ter um peso grande para o resto de minha vida", lamenta. Além da decepção, Felipe teve que arcar com o pagamento de mais de um ano de curso de inglês e as taxas para a realização do exame de proficiência na língua inglesa, exigida pelo programa.
(Rede Brasil Atual)

A Justiça que negou a absolvição de Marisa Letícia é a mesma que ajudou a matá-la

Marisa Letícia

O Tribunal Regional Federal da 4.ª Região negou na terça-feira, dia 21, a ‘absolvição sumária’ de Marisa Letícia.

A defesa de Lula havia pedido o reconhecimento da inocência de Marisa nas duas ações penais nas quais ela era ré.

Com sua morte em fevereiro, em decorrência de um AVC, Sergio Moro decretou a “extinção de sua punibilidade”.

Os advogados de Lula argumentam que Marisa não praticou nenhum ato ilícito e recorreram ao TRF4 para que fosse reconhecido que ela é inocente.

Para o desembargador federal João Pedro Gebran Neto, relator da Operação Lava Jato no tribunal, “a questão é absolutamente estéril”.

“Se isso se dá na forma da absolvição sumária ou posteriormente, com a extinção da punibilidade, é irrelevante do ponto de vista material”, argumenta.

Ora. Pode ser irrelevante para ele, mas não o é para a família de Marisa Letícia, que morreu humilhada, submetida ao massacre de sua honra, seu espírito e sua mente.

Em coma no Sírio Libanês, sua tomografia ainda foi divulgada por criminosos cafajestes.

O desembargador Victor Luiz dos Santos Laus chamou a decisão de Gebran de “democrática” e alegou que ela “salvaguardou a memória da falecida”.

Alguém sabe onde ela está salvaguardada? Talvez em Curitiba?

Neste exato momento a mesma canalha que atacou a mulher está de volta às redes, chafurdando na lama, bezuntando-se com o que os juízes fizeram.

O processo é uma mistura de mesquinharia com maldade.

Moro absolveu a esposa de Eduardo Cunha, a jornalista Cláudia Cruz, que pagou despesas de cartão de crédito no exterior em um montante superior a US$ 1 milhão num prazo de sete anos, entre 2008 e 2014.

Segundo Moro, Cláudia “foi negligente quanto às fontes de rendimento do marido e quanto aos seus gastos pessoais e da família. Não é, porém, o suficiente para condená-la por lavagem dinheiro”.

Um deslize que acontece nas melhores famílias, enfim.

Por que o mesmo não foi feito com Marisa? A resposta é óbvia em se tratando de qualquer coisa relativa a Lula.Desde 2008, uma adaptação da lei a tratados internacionais, manda que, com a morte e a consequente extinção da punibilidade de um réu, este seja declarado absolvido.

É impossível dissociar o AVC de Marisa Letícia da perseguição que ela sofreu. Pagou com a vida.

Marisa, ao menos, teve a sorte de não ver a que ponto a Justiça brasileira desceu.
(Kiko Nogueira/ DCM)

Burzaco: Como a Globo aderiu ao golpe na Conmebol para ficar com os direitos de longo prazo da Copa Libertadores


No Domingo Espetacular: Irmãos Marinho autorizaram Marcelo Campos Pinto a gastar até 4 milhões da Globo sem pedir autorização aos donos


No livro O Lado Sujo do Futebol, finalista do Prêmio Jabuti, do qual sou co-autor com Tony Chastinet, Amaury Ribeiro Jr. e Leandro Cipoloni, esboçamos o quadro do gangsterismo no futebol brasileiro e internacional.

O capo João Havelange teve papel essencial, pois ao mesmo tempo em que investiu num terceiromundismo lubrificado por propinas, buscou grandes empresas para financiá-lo direta ou indiretamente.

Depois de fechar parceria com Horst Dassler, da Adidas, atraiu a Coca Cola. Além disso, Ricardo Teixeira é culpa de Havelange. Foi o sogro quem tramou colocar o genro numa entidade, a CBF, com grande potencial para extrair propinas.

Teixeira superou o sogro em voracidade. Trouxe a Nike para a CBF e fechou parceria com o homem que abriu caminho para a multinacional norte-americana no Brasil, Sandro Rosell, que depois se tornaria presidente do Barcelona.

Rosell, um mafioso de altíssimo escalão, deu o pulo-do-gato ao perceber que o futuro das propinas no futebol estava no Oriente Médio, farto em dinheiro e absolutamente blindado quando se trata de esconder as negociatas.

Os gângsters, como se sabe, estão sempre um passo adiante da polícia.

Como revelou o executivo Alejandro Burzaco, agora delator, ex-dono da empresa portenha Torneos, durante o julgamento de três cartolas em Nova York, dentre os quais o ex-presidente da CBF José Maria Marin, Teixeira era ‘inovador’ no ramo dos subornos: indicou até contas em nomes de chineses para receber dinheiro sujo.

QUEBRA-CABEÇAS

As 500 páginas do depoimento de Burzaco em Nova York (abaixo, em inglês) são leitura obrigatória para quem pretende entender os meandros da máfia que controla o futebol.

Como destacamos no livro O Lado Sujo, no topo da cadeia alimentar estão as emissoras de TV e os grandes patrocinadores. Os cartolas são meros office boys, que se acham no direito natural de receber “comissões” diante dos lucros espetaculares gerados pelo esporte.

Quando Teixeira respondeu a inquérito na Suiça, foi assim que argumentou a defesa dele: pagamentos por serviços prestados, não propinas; a FIFA, incrivelmente, sob o mafioso Joseph Blatter, foi na mesma linha.

A camorra, como se sabe, preza muito a proteção de seus pares.

O depoimento de Burzaco deixa absolutamente claro quem alimenta a quadrilha: emissoras de TV. No Brasil, a Globo.

Quando tentaram passar a perna nos contratos de J. Hawilla, da Traffic, com a Conmebol, ele fez o impensável: entrou com ação contra a Conmebol e a Torneos nos Estados Unidos.

Burzaco não acreditou: logo Hawilla, que pagara propina a vida toda, ameaçava o esquema!

Com a aquiescência de todas as partes, foi fechado um acordão e surgiu a Datisa, como nova fonte do pagamento de propinas. Hawilla retirou o processo e preservou parcialmente os contratos.

Como ele tinha boa parte dos negócios nos Estados Unidos, era o óbvio elo fraco para o FBI explorar: “cantou” bem antes que Burzaco, dando origem ao Fifagate.

A íntegra do que ele contou aos promotores norte-americanos ninguém ainda sabe.

Mas o promotor que conduz a acusação a Marin e outros dois cartolas em Nova York já deixou claro que tem um extenso powerpoint.

MARGEM DE LUCRO

A revelação mais importante de Alejandro Burzaco em Nova York não mereceu destaque na mídia, por ser pouco espetaculosa. O ex-executivo do Citibank era do ramo e sabia estruturar os negócios de maneira a permitir às emissoras de televisão que pagassem propina de maneira disfarçada.

Por isso, os contratos fechados pelas entidades do futebol subestimavam o preço de mercado dos direitos de transmissão. Com isso as emissoras, dentre as quais a Globo, a Televisa e a Fox, tinham margem para pagar as propinas exigidas pelos cartolas.

Abaixo das emissoras, no escalão intermediário dos negócios, ficavam as empresas de marketing: a Torneos, do próprio Burzaco, na Argentina, e a Traffic, de J. Hawilla, no Brasil, prestavam serviços de transmissão ou marketing mas eram, acima de tudo, veículos de intermediação para negociar, extrair e pagar as propinas.

Repetiam, em nível regional, o que a falida ISL, fundada pela Adidas, fez pelos cartolas da FIFA durante décadas.

GLOBO: O GOLPE NA CONMEBOL


Burzaco contou que recebeu repasses da Globo na Holanda, através da T&T, uma parceria que originalmente juntava a Torneos e a Traffic, e depois os repassou ao Papa, que era como ele chamava Julio Grondona, o mítico cartola argentino colocado na FIFA por João Havelange, em 1996.

Com a queda de Havelange e a ascensão de Blatter (colocado na FIFA, lá atrás, pela Adidas), cresceu o poder de Grondona: além de vice-presidente sênior, ele dirigia as finanças e palpitava na venda de direitos de televisão, o verdadeiro centro de poder da entidade.

Com os escândalos e as crescentes investigações envolvendo o futebol, os cartolas da FIFA decidiram acelerar o relógio para não perder as propinas e, sob aplauso das emissoras monopolistas, passaram a antecipar a venda dos eventos.

Foi por isso que a Globo, a Televisa e a Torneos pagaram U$ 15 milhões de propina a Grondona já pelos direitos das Copas de 2026 e 2030!

O mesmo golpe se pretendia aplicar na Conmebol, a Confederação Sul Americana, responsável por vender os direitos da Copa América, da Libertadores e da Copa Sulamericana.

Quando o uruguaio Eugenio Figueiredo assumiu interinamente a presidência, o paraguaio Juan Angel Napout passou a tramar para sucedê-lo na Conmebol.

Napout, hoje réu em Nova York, era ambicioso: estava de olho na FIFA.

Um grupo de presidentes de federações sulamericanas apoiava a pretensão de Napout. Assim que assumiu a CBF, Marco Polo Del Nero se juntou ao grupo.

Burzaco diz que Grondona estava em cima do muro, mas a Torneos e a Globo, através de Marcelo Campos Pinto, o preposto dos irmãos Marinho, apoiavam o golpe: Napout prometera renovar os direitos da Copa Libertadores a longo prazo, sem concorrência, como a FIFA fez com a Copa do Mundo.

Uma subsidiária da Fox, que a esta altura já controlava 75% da Torneos, apoiava o esquema para consolidar a marca de Rupert Murdoch na América do Sul, mas concordava em não mexer com os interesses da Globo no Brasil.

Depois da morte de Grondona, o golpe de Napout se consolidou: ele tomou o lugar de Figueiredo e foi reeleito.

Mas acabou preso em Zurique e extraditado para os Estados Unidos, antes de fazer na Conmebol o que se esperava dele.

A confederação, sob novos dirigentes, vendeu os direitos da Libertadores até 2022 para a britânica IMG, pelo valor mínimo de U$ 1,4 bilhão.

O OLHO GORDO DA FOX

Burzaco tinha jogo de cintura. Ele foi sócio do Clarín, a Globo da Argentina, no controle dos direitos de transmissão do futebol local. Quando Cristina Kirchner estatizou as transmissões, sobreviveu prestando serviços para o governo na segunda divisão.

Aos poucos, foi se aproximando de Grondona e turbinando os pagamentos de propina.

Mais tarde, farejou o dinheiro gordo da Fox e se associou à turma do Murdoch.

Integrantes do comitê executivo da FIFA, Grondona e Ricardo Teixeira tinham tratamento de chefes de Estado quando desembarcavam no Paraguai, sede da Conmebol.

Os dois estavam no topo da pirâmide da propina: Teixeira recebia 600 mil dólares anuais referentes aos contratos de transmissão da Libertadores e outros U$ 2 milhões por edição da Copa América.

O genro de Havelange é voraz: ele vendeu os direitos de transmissão dos amistosos da seleção brasileira em parceria com Sandro Rosell, num esquema que levou os dois a serem indiciados na Espanha.

Preso, Rosell é acusado de ter embolsado 6,5 milhões de euros na venda de 24 amistosos da seleção brasileira, dinheiro que lavou em Andorra. Teixeira teve a prisão decretada e está “refugiado” no Brasil.

Ainda não se sabe se, quanto e como Teixeira recebeu da Globo pelo monopólio de longo prazo no Campeonato Brasileiro e na Copa do Brasil. Ele é íntimo de Marcelo Campos Pinto, o executivo que a Globo “afastou” dois dias depois de José Maria Marin ser extraditado para os Estados Unidos.

Quando investigou Teixeira na Suiça, o promotor Thomas Hildbrand concluiu que ele vendera sua influência sobre os direitos de TV da Copa do Mundo para uma certa emissora por propinas de U$ 9,5 milhões. Os pagamentos vinham da ISL para a conta de uma empresa de nome Sanud, em Liechtenstein.

Na Suiça, só os alvos de investigação são nomeados nos processos, de maneira que não dá para cravar que a ‘emissora’ a que Hildbrand se refere é a Globo. Tudo indica que seja.

Isso bate com o testemunho de Burzaco: os direitos eram vendidos abaixo do preço de mercado, com a eliminação da concorrência através do pagamento de propinas, dando margem às emissoras para pagar subornos milionários.

Mais recentemente, sócio minoritário da Fox, Burzaco trabalhava para eliminar os intermediários. Queria que a Conmebol firmasse um contrato diretamente com a Fox, cabendo a ele, Torneos, prestar todos os serviços de transmissão à empresa do magnata Murdoch.

Os executivos da Fox trabalhavam agressivamente numa aproximação com cartolas sulamericanos, inclusive os brasileiros, interessados em expandir seus canais exclusivos de esportes.

PROPINAS, TRAIÇÃO E ESPERTEZA


Trechos do depoimento de Burzaco são hilários.

Ele narra, por exemplo, que com endosso de Marcelo Campos Pinto, o executivo da Globo, acertou-se em Buenos Aires que as propinas antes destinadas a Teixeira seriam divididas entre Marin e Marco Polo Del Nero.

Inicialmente, 600 mil dólares anuais pelos direitos da Libertadores e da Copa Sul Americana.

Os dois argumentaram que era pouco para ser dividido. O valor foi elevado primeiro a 900 mil e depois a 1,2 milhão. Dólares.

Só que, quando este último acerto foi fechado, Del Nero procurou Burzaco pedindo que ele adiasse o primeiro pagamento.

É que Marin cumpria apenas mandato tampão na CBF e, quando assumisse o poder, Del Nero queria embolsar todo o butim, U$ 1,2 milhão, sem dividir com o ladrão de medalhas.

Marin fazia discursos formais de agradecimento quando os acordos da propina eram fechados, enquanto Del Nero sacava um caderno, onde anotava os acertos.

Na Comnebol, os presidentes das federações de seis países se revoltaram contra o fato de que as propinas se concentravam no topo, com Grondona e Teixeira, e resolveram se organizar.

A ‘revolta dos seis’ garantiu a cada um deles propinas nos direitos da Libertadores e da Copa América. A Fox topou emendar e majorar o valor do contrato e boa parte do que a Conmebol recebeu a mais foi destinado a saciar a sede dos cartolas.

O golpe de Ricardo Teixeira no Papa Julio Grondona talvez seja o ponto alto das tramas narradas no depoimento.

Ao lado de Sandro Rosell, Teixeira foi um dos principais responsáveis pela escolha do Qatar para sediar a Copa de 2022.

Sempre segundo o relato do delator, no dia da escolha da sede de 2022, em que o Qatar derrotou Estados Unidos, Austrália, Coreia do Sul e Japão, Teixeira se juntou a Grondona e, num banheiro, tratou de enquadrar outro cartola das antigas, Nicolás Leoz, o paraguaio ex-presidente da Conmebol, que estava reticente em votar no Qatar.

Leoz acabou votando, em troca de U$ 1,5 milhão em propinas, mesmo valor embolsado por Grondona.

Mas, o argentino ficou furioso quando descobriu que tinha sido passado para trás por Teixeira.

O capo brasileiro, descobriu Grondona, teria cobrado U$ 75 milhões em propina para ajudar o Qatar, quantia que teria dividido com Rosell.

1 Teixeira = 25 Grondonas. Isso sim é humilhação na máfia do futebol.
(Luiz Carlos Azenha/ Viomundo)

Os vergonhosos índices de desemprego entre jovens sob o banditismo temerário



Depois de revogar a CLT e impor a semi escravidão ao trabalhador brasileiro, MT segue fiel a sua linha larápio/nostálgica e alcança outra marca negativa para o golpismo.

Fez o país retroceder aos tempos de Collor e elevou o desemprego entre os jovens de até 25 anos ao patamar de 30% da força de trabalho disponível nessa faixa etária.

Convém lembrar que nos tempos de Lula/Dilma essa dificuldade em absorver jovens no mercado de trabalho vinha cedendo e chegou ao percentual de 16,1%.

Com a cleptocracia Gilmariano/Temerária já atinge a marca de 30%, com tendências a alta na medida em que a qualificação técnica de jovens sofreu um duro golpe com o esvaziamento do PRONATEC, perversamente levado à operação pelo vil discípulo de Alexandre Frota.

Segundo a Organização Internacional do Trabalho(OIT), dentre 190 países monitorados a respeito desse tema, o Brasil ocupa atualmente a posição de 154º, tremenda vergonha para um país que até dois ou três anos atrás era modelo de empregabilidade para jovens.

Sem qualificação, sem perspectiva de ingresso em uma universidade, bye bye mercado de trabalho. A saída cada vez mais visível para os jovens é vender a preço vil sua força de trabalho para pastores inescrupulosos(perdão pela redundância) e perambular entre um ônibus e e outro vendendo bugingangas a fim de descolar sua sobrevivência.

Há patifes midiáticos que cinicamente comemoram essa situação deplorável como geração de emprego. No entanto, a médio prazo, quando essa situação chegar ao limite do stress, corremos o risco de ver grande parte desse exército de explorados partir para aventuras mais radicais, uns adentrando e outros tornando ao mundo do crime pelo natural inconformismo com essa condição sub humana que o banditismo governamental impôs. 

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Larápio temerário furta recursos do programa Farmácia Popular



Criado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2004, para garantir o acesso da população a remédios gratuitos ou a baixo custo, o programa Farmácia Popular vem sendo desestruturado desde o início da gestão Michel Temer. E há novos ataques à iniciativa vindo aí: segundo o jornal Folha de S.Paulo, o governo federal quer rever o reembolso a 30 mil estabelecimentos da rede privada.

Essa mudança, de acordo com o ministro da Saúde, Ricardo Barros, retiraria R$ 600 milhões dos R$ 2,7 bilhões atualmente destinados ao programa. Mas a reformulação do cálculo pode inviabilizar a continuidade da distribuição de remédios gratuitos ou a baixo custo. Em entrevista à Folha, um representante da Abrafarma, associação que reúne as redes de farmácias, afirmou que os preços sugeridos na proposta não compensam os custos.

A ideia do governo é propor um novo cálculo, definido por um preço base no atacado e 40% de margem para compensar os custos de aquisição e distribuição dos produtos. Atualmente, as farmácias recebem um reembolso do governo a cada produto dispensado, com base em uma tabela de valores de referência previamente definidos para cada um deles.

Criador do programa Farmácia Popular, o líder da Oposição no Senado, Humberto Costa (PT-PE), lembrou que Michel Temer “torrou” bilhões de reais dos cofres públicos negociando emendas parlamentares e cargos para impedir o prosseguimento de uma investigação no Supremo Tribunal Federal.

“Não bastou fechar 400 farmácias populares e atrasar a distribuição de medicamentos. Agora, Temer pretende reduzir despesas decretando o fim do Farmácia Popular, que tem mais de 30 mil unidades em todo o país. Isso depois de injetar bilhões em emendas e cargos para se salvar na Câmara. Um absurdo que prejudica milhões de brasileiros!”, criticou.

A ação se soma a outros retrocessos na área da saúde, como as cerca de 400 farmácias da rede própria do programa fechadas pelo governo. Além disso, Michel Temer deve decretar até o final do ano uma moratória para impedir a abertura de novos cursos de medicina no País pelo prazo de cinco anos, de acordo com a colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo.
(PT Senado/ Agência PT de Notícias)

"Receptação de mercadoria roubada"


Além de indignar os 200 milhões de brasileiros, a descoberta do pacote de favores prestados pelo governo Temer à Shell e outras empresas britânicas para facilitar ainda mais o domínio externo sobre as reservas do pré-sal ajuda a iluminar aspectos necessários a defesa dos interesses do país.

O benefício é jogar luzes sobre num debate que ocorre na surdina, no Congresso, que irá ter consequências - um pouco mais, um pouco menos nefastas - para o destino do país.

Neste momento, Temer tenta aprovar uma Medida Provisória, de número 795, que pretende escancarar o mercado brasileiro de máquinas e equipamentos para a indústria do petróleo. Num ponto que divide os parlamentares, empresários e demais setores interessados na preservação do que ainda sobrevive como parque industrial no país, a mudança prevista pela MP envolve a isenção de impostos para compras no exterior, criando um sistema com distorções bem conhecidas contra a indústria, o emprego e até as contas públicas.

Uma tragédia previsível desde que Temer organizou a entrega do pré-sal mas que agora começa a ser detalhada. Para começar, a MP coloca uma segunda pá de cal no regime de conteúdo local que protege a indústria, que passaria a enfrentar a concorrência de equipamentos e maquinas trazidas para cá sem pagamento de impostos - muitas vezes, produzidas pelas próprias petroleiras estrangeiras. O passo seguinte implica na redução de empregos de qualidade, numa conjuntura que dispensa comentários.

Num momento em que o governo não para de ameaçar todo cidadão brasileiro com cortes em políticas públicas de interesse da população, a MP desmascara as verdadeiras prioridades. Se for aprovada, irá implicar num rombo tributário estimado em R$ 40 bilhões por ano -- quantia equivale a uma vez e meia os gastos com o Bolsa Família, por exemplo. Ou dois terços dos gastos com aposentadorias militares, excluídas do projeto de reforma da previdência.

Deslocando-se em vários pontos do país para debater a MP 795, José Velloso, presidente da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), tem denunciado o artigo 5o. da MP porque "isenta os impostos de importação de qualquer bem para a indústria de exploração e produção de petróleo e isso vai prejudicar a indústria naval."

Pela emenda número 12, apresentada no Congresso pela bancada de parlamentares alinhados com a defesa da indústria, mantém-se a cobrança de impostos para os produtos importados quando existe similar nacional - tratamento padrão, em todo o mundo, desde o surgimento dos Estados nacionais e da compreensão de que economias em graus diferenciados de desenvolvimento devem receber tratamentos diferenciados. "Dar tratamento igual para produto nacional e importado é beneficiar o importado", afirma Cesar Prata, diretor da ABIMAC.

Com a revelação do Guardian, apontando para um ambiente de promiscuidade incompatível com autoridades que tem a obrigação constitucional de zelar pela riqueza e pela soberania do país, a natureza vergonhosa das tratativas para entrega do pré-sal fica mais clara do que nunca. Consolida a visão de que tudo não passou de um caso clássico de "receptação de mercadoria roubada", traduzida como "receptação culposa" nos textos jurídicos, como define o professor Gilberto Bercovici, titular de Direito Econômico e Economia Política da Faculdade de Direito da USP. Para Bercovici, a venda do pré-sal ocorreu em condições tão absurdas como a venda de um relógio Rolex, na praça da Sé em São Paulo, "por um preço que não compatível com a normalidade do mercado nem por um vencedor autorizado".

Já era possível saber disso desde a venda do pré-Sal. As notícias recentes acrescentam um ambiente intolerável de falta de respeito pelas riquezas do país e pelo destino das próximas gerações. "Vamos voltar ao país anterior a Vargas e a Revolução de 1930", afirma Pedro Celestino, presidente do Clube de Engenharia.
(Paulo Moreira Leite)

Le Monde e a bofetada na mídia tupiniquim

Ricardo Stuckert

Em mais um nocaute na mídia empresarial nativa - que optou pelo discurso único, partidário, odioso e que beira o fascismo -, o jornal Le Monde provou que há uma imprensa democrática, que respeita e valoriza a pluralidade de ideias, opiniões e projetos políticos.

Na sua edição eletrônica, o jornal publicou uma entrevista com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacando na manchete a voz do entrevistado (“Lula diz que está pronto para assumir o poder em 2018”) e não a visão sempre enviesada da mídia tupiniquim que insiste em transformar a opinião publicada em opinião pública, elegendo seletivamente os bodes expiatórios e protegendo a gangue golpista que tomou de assalto o poder em 2016, “com o Supremo, com tudo”.

Aliás, nessa democracia de faz-de-conta à brasileira, de forma ridícula, é a mídia empresarial que tem determinado a pauta da política nacional nos três poderes. Como já escrevemos aqui, o que a mídia publica no final de semana transforma-se automaticamente na agenda institucional dos podres poderes dessa republiqueta. E que se dane o povo e as regras mais basilares até mesmo da democracia procedimental. Nessa ordem, hoje no Brasil há de fato três poderes: o poder do dinheiro, o poder da mídia e o poder dos golpistas.

Chama-me atenção não somente o texto honesto, sem adjetivos, publicado pelo Le Monde mas, principalmente, a foto selecionada para ilustrar a matéria (imagem ao lado). Ao invés dos estereótipos depreciadores, violentos e despudorados da imagem do ex-presidente publicados em doses cavalares pelos veículos da mídia nacional, o jornal francês estampou uma fotografia de um líder político descontraído e elegante. Certamente, o periódico francês não segue a cartilha de Joseph Goebbels, o ministro da propaganda de Hitler, que transformou valores culturais e políticos dos alemães em poções de ódio a alimentarem o mais perverso regime político da história do Ocidente. E todos conhecem o fim dessa história. Não é por coincidência que alguns discursos de fascistas retumbam atualmente na mídia tupiniquim.

Enquanto isso, o monumental escândalo de corrupção no futebol internacional, encabeçado pelas organizações globo, é solenemente desprezado pela emissora dos Marinhos e pelos seus parças da mídia nacional. Quanta hipocrisia!

Não é preciso ser eleitor, simpatizante ou militante do PT e de Lula para reconhecer as qualidades do ex-presidente, sua importância para a história política nacional, sua imensa base eleitoral popular (que merece respeito) e seu legítimo interesse em participar e disputar o poder. Basta ser honesto e democrático.

Honestidade e espírito democrático: duas virtudes pouco cultivadas pela mídia e por parte da justiça brasileira, lamentavelmente.
(Robson Sávio Reis Souza/ 247)

domingo, 19 de novembro de 2017

TRUCULÊNCIA E ESTELIONATO TOGADO

O mercenário


Da sarjeta da sua insignificância, o salafrário e golpista Freire sentencia, "Temos que começar a discutir uma candidatura única das forças que fizeram oposição aos governos lulo-petistas".

Depois que a última pesquisa CUT/ Vox Populi atestou não só que Lula tem mais intenção de votos do que a somo de todos os pretensos adversários, mas que os postulantes tucanos têm mais de 70% do repúdio do povo brasileiro, eis que surge do nada para ladrar pro vazio apenas para justificar o sustento financeiro que a privataria tucana dispensa ao ignóbil vassalo citado.

Essa postura viralata chega a ser mais deplorável que a do Levyr 'Aparelho Excretor' Fidelix. este pelo menos aparece de 4 em 4 anos pra fazer o serviço sujo em favor do gangsterismo privata, depois vai tocar sua vida, tem uma ocupação e residência fixa.

Já aquele nômade da conveniência, enxotado de Pernambuco onde era visto como vil traidor, hoje vive às custas dos Alckmins e Serras da vida prestando-se a qualquer papel, o mais indecente que seja, para justificar o sustento político e econômico. Triste!

sábado, 18 de novembro de 2017

Jornal panamenho diz que Tacla Duran vai desmascarar Lava Jato

Tacla Durán


O depoimento de Rodrigo Tacla Durán na CPMI da JBS, previsto para o dia 30, ganhou repercussão internacional depois que o ex-advogado da Odebrecht disse ao DCM e GGN que está pronto para detonar a farsa da Lava Jato no Brasil. O jornal Crítica publica hoje, em sua coluna “Se escucha por ahí”, que Jaime Lasso, ex-cônsul panamenho na Coréia do Sul, deveria ficar preocupado, já que sua fundação teria sido usada em lavagem de dinheiro da Odebrechet usado para corromper políticos no Panamá. Segue a nota:

Se escucha por ahí

Que o homem com as chaves: Rodrigo Tacla Durán anunciou que o 30 vai desmascarar todo o Lava Jato. Ay xuxa, deixe Jaime preparar a “Fundação”!

A tradução:


Que o homem com as chaves: Rodrigo Tacla Durán anunciou que o 30 vai desmascarar todo o Lava Jato. Ay xuxa, deixe Jaime preparar a “Fundação”!
(Diário do Centro do Mundo)

Enfrentando a viralatice midiática. Venezuela: o país que formou uma legião de leitores

Escritor franco-venezuelano, Miguel Bonnefoy, realiza uma série de encontros com leitores de Caracas

"A Venezuela tem muito mais que petróleo, miss universo e revolução", afirma o jovem escritor franco-venezuelano Miguel Bonnefoy, de 31 anos, que vem ganhando destaque e prêmios no concorrido mercado literário da França. Em seus livros, ele retrata uma Venezuela rica em tradições, folclore, religiosidade, criatividade artística e em belezas naturais.

Filho de mãe diplomata venezuelana e pai comunista chileno – também escritor e refugiado da ditadura de Augusto Pinochet –, Miguel Bonnefoy nasceu na França e viveu boa parte de sua vida entre a Venezuela e a Europa. Seus dois romances, El viaje de Octavio e Azúcar Negra (ambos sem edição brasileira), foram, primeiro, escritos em francês, mas sua inspiração veio de uma Venezuela profunda, do imaginário coletivo do país e da herança literária latino-americana.

Comumente associado ao realismo mágico do escritor colombiano Gabriel Garcia Márquez, ele prefere estar entre seus pares venezuelanos, como Rómulo Gallegos, que seria uma espécie de Machado de Assis à la venezuelana. Entre os livros de Gallegos mais importantes estão Doña Barbara, Canaima e Pobre negro, que foram traduzidos a dezenas de idiomas, inclusive, alguns ao português.

Outro escritor que trouxe um novo frescor ao mercado editorial venezuelano é David Parra, de 26 anos, da cidade de Mérida, na região andina próxima à Colômbia. "Esse é um dos nossos mais promissores talentos literários", garante o presidente da editora Monte Ávila, Gabriel González.

Recentemente, Parra fez sua estreia com o livro de contos A colecionista, que apresenta uma narrativa capaz de fazer o leitor viajar por um mundo imaginado por ele, mas que, por hora, parece mais real que a fantástica realidade venezuelana.

As obras dos dois escritores são alguns dos destaques da Monte Ávila, uma editora pública do governo venezuelano, que vende livros de qualidade a baixo custo. Enquanto, na França, o livro El viaje de Octavio é vendido, em média, por 10 euros (cerca de R$ 38), na Venezuela, a mesma obra custa 1.800 bolívares, isso seria menos que uma garrafa de água ou uma xícara de café, que em geral são vendidos a 5 mil bolívares (o que seria uma média visto que o câmbio do país vem sofrendo muitas variações).

Quando a Monte Ávila buscou a editora francesa Poyot & Rivages para comprar os direitos autorais do romance El viaje de Octavio, o autor conta fez questão de aceitar a oferta, mesmo tendo oferecido um valor abaixo do preço do mercado editorial de outros países.

"Aceitamos, porque era a Venezuela e porque sei que essa editora não vai ganhar dinheiro com a venda do livro, pois os preços populares fazem parte de uma política de Estado para incentivar a leitura. Tendo o livro como personagem principal um homem analfabeto que aprende a ler na Missão Robinson, não poderia ser diferente", relata Miguel Bonnefoy. A Missão Robinson é um programa social criado pelo ex-presidente Hugo Chávez, em 2003, para a erradicação do analfabetismo na Venezuela.

O livro não fala explicitamente do programa do governo, mas o relata de forma alegórica. "No dia em que o jovem médico regressou à casa de Octavio, havia sido hasteada uma bandeira no centro do bairro, para sinalizar que o analfabetismo, assim como uma enfermidade, havia sido eliminado dessa comunidade. Centros de aprendizagem para adultos foram instalados nas alas desertas das escolas", diz um trecho do livro.

Legião de leitores

Foi com Chávez que a Venezuela deixou de ser o país com um alto número de analfabetos para converter-se em nação com uma verdadeira legião de leitores.

Em 2005, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) qualificou o país como "Território Livre do Analfabetismo". E, nesse mesmo ano, uma imagem entrou para a memória coletiva da Venezuela. Filas imensas se conformaram em praças públicas para receber um livro. O presidente bolivariano havia mandado imprimir e distribuir 1 milhão de exemplares do clássico Dom Quixote, do espanhol Miguel de Cervantes. A edição recebeu um prefácio especial escrito pelo português José Saramago, que ganhou o Prêmio Nobel de Literatura, em 1998.

Depois, também foram impressos 1 milhão de exemplares da novela Os Miseráveis, do escritor francês Victor Hugo, igualmente distribuídos em praça pública.

A imagem que a mídia tentava construir de um "Chávez tirano", conforme noticiavam jornais da época, contrastava com a de um presidente que pedia em rede nacional para o povo buscar e ler livros gratuitos distribuídos pelo governo.

"Ver as pessoas fazendo fila para buscar seu livro grátis em todas as praças Bolívar do país [todas as cidade venezuelanas têm uma praça Bolívar] foi uma coisa inédita e que guardamos na memória", conta Giordana García, diretora da editora El Perro y la Rana.

"Essa editora foi criada pelo presidente Hugo Chávez, em 2006, com a missão de imprimir livros de forma massiva e a baixo custo. Chávez era um promotor da leitura. Basta revisar seus discurso para ver que ele sempre comentava algum livro ou recitava um poema. Além disso, era um leitor muito bom, um crítico agudo", relembra García.

O ex-presidente criou ainda o Plano de Leitura, proposta que inclui um circuito com mais de 60 livrarias públicas em todo país, que são as Librarias del Sur, e uma série de políticas públicas que garantem, até hoje, que os livros estejam acessíveis ao povo.

"Os venezuelanos sentem que o acesso ao livro é um direito. Assumem isso como uma demanda natural. Os livros deixaram de ser um privilégio de poucos", destaca García.

Hoje, a editora El Perro y la Rana tem mais de 4 mil títulos publicados. Todos os anos são lançados cerca de cem livros de variados gêneros literários: romance, teoria política, ensaio, história, arte, literatura juvenil e infantil.

Pensamento político

Ainda que a ficção tenha ganhado novo vigor nos últimos anos, o tema preferido dos venezuelano é, definitivamente, a política. "Em todos os eventos literários observamos que os livros sobre pensamento político são os mais buscados. As pessoas querem estar atualizadas. Além disso, estamos falando de uma sociedade altamente politizada. Os livros infantis também têm muita saída", comenta a diretora de El Perro y la Rana.

No principal evento literário do país, a Feira Internacional do Livro da Venezuela (Filven 2017), realizada entre os dias 9 e 19 de novembro, os livros sobre pensamento político são as grandes estrelas, segundo o diretor da Editora Trincheira, Amilcar Figueroa.

Ele afirma que vendeu mais de 200 livros só nos três primeiros dias do evento. "Entre os mais vendidos estão títulos como Breve história do comunismo e Lênin: a pergunta de vento. Além disso, temos uma coleção de bolso sobre a revolução das mulheres que tem saindo bastante", relata Figueroa.

O diretor afirma ainda que, este ano, sua editora vendeu pelo menos o dobro de livros em comparação ao mesmo evento do ano passado. "Apesar de circular menos dinheiro no país, acredito que as pessoas estão buscando mais fundamento para explicar algumas questões. Existem elementos novos na crise do capitalismo mundial", ressalta. O valor dos livros da Editora Trincheira, que recebe incentivos do governo, varia entre 7 mil e 20 mil bolívares (o que seria cerca de menos de R$ 0,50).

Na Filven 2017, que tem entre seus expositores mais de 50 livrarias e editoras do país, é possível encontrar obras clássicas de escritores como Gabriel Garcia Marquez, Julio Cortázar, Vargas Llosa, Rómulo Gallegos, Gustavo Flaubert, Charles Dickens e outros, que são vendidas a menos de um dólar.

O Capital, de Karl Marx, e a coleção A Divina Comédia, de Dante Alighieri, que no Brasil custam mais de R$ 100, em Caracas são vendidos pelo equivalente a R$ 15, segundo informou o livreiro Nahuel Montenegro.

Na livraria de sua família, a Milibrousado, é possível encontrar preciosidades dignas de colecionadores, como um livro ilustrado sobre o filme Star Wars da década de 1970. Assim como edições esgotadas no Brasil, como a obra Pedro Páramo, do mexicano Juan Rulfo, o livro Sexus, do norte-americano Henry Miller, os primeiros escritos de Anais Nin, também dos EUA, e até uma coleção rara de literatura erótica clássica.

Entre as verdadeiras joias da literatura, novos escritores e o intenso ritmo de publicação de livros políticos, a Venezuela vai construindo sua própria tradição literária, profundamente marcada pela realidade e pela conjuntura política do país.
( Fania Rorigues/ Rede Brasil Atual)

Neymar muda de casa por questões de segurança

Neymar morava na mansão de Bougival desde o começo de setembro. Essa residência, a mesma na qual viveu Ronaldinho Gaúcho entre 2002 e 2004

O atacante Neymar, estrela do Paris Saint-Germain (PSG), se mudou há poucos dias da mansão que ocupava na cidade de Bougival, nos arredores da capital francesa, por motivos de segurança, informou nesta sexta-feira o jornal Le Parisien.

A falta de intimidade na casa, situada na parte alta de um morro entre bastante vegetação; fez o brasileiro optar por outro imóvel que oferece mais garantias de segurança; segundo o jornal, que não especifica o novo endereço.

As medidas de segurança privadas não foram suficientes e nem a atenção prestada pela polícia municipal; que interveio em várias ocasiões para neutralizar a ação de curiosos.

Neymar morava na mansão de Bougival desde o começo de setembro. Essa residência; a mesma na qual viveu Ronaldinho Gaúcho entre 2002 e 2004, tem 5 mil metros quadrados de zonas verdes e mil metros quadrados habitáveis. O aluguel ronda os 14 mil euros mensais.

Embora o movimento ao redor da casa fosse notável, com a visita de amigos e familiares; os moradores de outras casas na mesma rua da ocupada pelo jogador consideravam que ele não dava problemas.

O jornal afirmou, além disso, que o jogador sente saudades de sua vida de Barcelona, onde seu filho Davi Lucca mora, e lembrou que o processo de aclimatação também foi difícil em Paris para estrelas como o sueco Zlatan Ibrahimovic e o brasileiro Thiago Silva.

O diretor esportivo do PSG, o português Antero Henrique, tem se esforçado para que não falte nada a Neymar.

Esta lenta adaptação alimentou os rumores sobre a possibilidade de Neymar, o jogador mais caro da história, deixar o PSG.
(Correio do Brasil)

FBI, FIFA e a nota oficial "tautista" da Globo


Nem a Patafísica (a “ciência das soluções imaginárias”) de Alfred Jarry ou o teatro do Absurdo de Backett conseguiriam imaginar um texto tão tautológico, circular, auto-referencial e metalinguístico como a nota oficial da Globo diante do escândalo das denúncias na Justiça dos EUA do pagamento de suborno pela emissora para a FIFA para ter a exclusividade nas transmissões do futebol: “após dois anos de investigações internas, a Globo apurou que jamais realizou pagamentos não previstos em contratos...”, leu a nota um constrangido jogral de apresentadores do JN. Desde que o ex-apresentador do Globo Esporte, Tiago Leifert, transformou a inauguração de um ônibus-estúdio em notícia mais relevante do que o próprio treino da seleção brasileira que deveria cobrir, a emissora vive um processo de negação “tautista” (tautologia + autismo) no qual transforma “eventos” em produtos próprios, criando uma atmosfera de amoralidade e blindagem. Assim como as telenovelas. Mas isso pode lhe custar caro: não perceber que a investida do FBI contra a FIFA (atingindo diretamente a Globo) é mais uma estratégia de lawfare na geopolítica dos EUA. Dessa vez, para reconfigurar o cenário da grande mídia mundial.

Dessa vez não teve o tradicional bordão “policiais federais nas ruas...” com que orgulhosamente anuncia mais uma operação da Lava Jato nos telejornais globais.

E também não teve o tradicional giro das “repercussões internacionais” nos jornais do planeta sobre as notícias dos escândalos nacionais, como foi recentemente com a prisão de Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro.

E muito menos infográficos dando destaque para trechos das transcrições das delações premiadas sob a vozes estudadamente indignadas dos apresentadores dos telejornais da Globo.

Não. Dessa vez apenas olhares constrangidos e uma locução também estudada, tentando dar um tom protocolar e burocrático, sobre o julgamento da corrupção na FIFA envolvendo pagamento de subornos de seis empresas de mídia para a exclusividade de direitos de transmissão do futebol – Fox Sports, Televisa, Media Pro, Full Play, Traffic e Globo.

Sendo que a Globo entra no imbróglio de forma direta, através da Traffic do jornalista J. Hawilla, ex-Globo. E dono da TV TEM, rede com emissoras de quatro cidades no interior paulista, todas afiliadas à Globo.

Depois do alerta vermelho da Interpol, o advogado ítalo-argentino Alejandro Burzaco (ex-presidente de uma empresa argentina de marketing esportivo que teria sido a intermediária no pagamentos das propinas) se apresentou em uma delegacia de polícia na Itália e se tornou uma das testemunhas-chave sobre os pagamentos de propinas à FIFA.





Redes sociais obrigam Globo a dizer alguma coisa

Essas denúncias sobre as relações promíscuas da Globo com CBF e FIFA para garantir o direito de exclusividade na transmissão dos jogos são antigas. Por exemplo, em 2012 a Record denunciava que no Brasil o método da licitação da FIFA para os direitos de transmissão da Copa do Mundo era diferente em relação aos outros países: “fora do horário comercial, sem ser à luz do dia e de forma transparente”, protestou a emissora paulista na época em nota oficial.

A Record foi preterida, mesmo com uma proposta que cobria a da Globo.

Fosse em outros tempos, a delação de Burzaco (graças à Justiça norte-americana enquanto aqui no Brasil para o PGR e Ministério Público nada vem ao caso) mereceria o solene silêncio na programação da Globo. Mas hoje, essa estratégia de negação deixou de ser viável por causa das redes sociais. Assim como no caso William Waack, a delação nos EUA impactou as redes sociais e obrigou a emissora a se manifestar. Além do puro pânico demonstrado pelo jogral constrangido dos apresentadores, a nota oficial da Globo revela o sintoma de uma estratégia de sobrevivência que a Globo vem assumindo nesse século diante do avanço das novas tecnologias e a mudança rápida do cenário político-econômico: o tautismo (tautologia + autismo).

O que é “tautismo”?

Antes de qualquer coisa, vamos esclarecer esse conceito de “tautismo”. Nada tem a ver com o transtorno do espectro autista no campo da saúde mental. Esse neologismo foi criado pelo pesquisador francês Lucien Sfez para se referir à “comunicação confusional”: estágio no qual um determinado sistema de comunicação, pelo seu gigantismo e poder, começa a traduzir qualquer informação externa a partir de uma descrição que o sistema faz de si mesmo.

É o que os teóricos dos sistemas (Varela e Luhumann) chamam de “fechamento operacional” – de forma tautológica e auto-referencial os sistemas negam a realidade, filtrando-a sob seus próprios termos - mais sobre esse conceito clique aqui.

Nos tempos em que o pai Roberto Marinho era vivo, pelo menos ainda havia uma percepção político-estratégica da realidade: Marinho sabia o momento certo de jogar ao mar seus campeões quando sentia os ventos das mudanças, como foi no caso do impeachment do presidente Collor em 1992.

Mas os seus filhos parecem sofrer dessa crônica negação tautista, como revela a nota oficial lida de forma constrangida através dos teleprompters pelos apresentadores do JN: “após dois anos de investigações internas, a Globo apurou que jamais realizou pagamentos não previstos em contratos...”, dizia a nota.

A Globo noticiava que o Grupo Globo fora acusado de pagar propina e a própria Globo investigou, chegando ao veredicto de que Grupo Globo era inocente das acusações feitas numa corte em Nova York. E mais! Disse que o Grupo “não tolera qualquer pagamento de propina” e que os “princípios editoriais não permitem que seja diferente”.Nota oficial cuja lógica é delirante, circular, auto-referencial e tautológica. Nem a Patafísica (a “Ciência da soluções imaginárias e das leis que regulam as exceções”) de Alfred Jarry ou o Teatro do Absurdo de Samuel Beckett poderiam imaginar tal peça dramatúrgica bizarra.

A metástase

Em última análise, essa nota revela a metástase (o tautismo) de algo que o antigo documentário Brasil: Muito Além do Cidadão Kane, feito pelo Channel Four da Inglaterra em 1993, acusava: como pode uma empresa privada, funcionando sob concessão pública, ter o monopólio das comunicações sem nenhum tipo de regulação ou controle públicos? Para o diretor do documentário, Simon Hartog, a Globo seria praticamente um governo dentro do próprio Estado brasileiro.

Pela delirante nota divulgada pela emissora, somente a Globo poderia investigar a si mesma e isso bastaria! Dois anos de investigação sem nuca ter prestado contas ao distinto público – a não ser quando se vê pivô em um escândalo de proporções internacionais.

Se no passado, mesmo com a consciência do poder político que representava o monopólio da emissora, Roberto Marinho respeitava a mudança de direção da biruta (aquela do aeroporto) que sinalizava mudanças de cenários, agora seus filhos se atiraram de cabeça na aventura de tornar a Globo em um partido de oposição política, cujo ápice foi impeachment de 2016 – levando a uma redução do ativo em caixa de 3 bilhões para R$ 990 milhões segundo o balanço da Globo de 2016.
(Wilson Ferreira/ GGN)

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Por propina, Globo pode ter concessão cassada, diz Wadih Damous

Manifestantes protestam na frente da sede da TV Globo no Rio de Janeiro

A Rede Globo se tornou na última semana uma das personagens centrais no escândalo de corrupçãoque envolve a FIFA e é atualmente investigado nos Estados Unidos. Delação feita por um empresário argentino dá conta de que, ao lado de outros canais latino-americanos, a emissora teria pago US$ 15 milhões em propinas pelos direitos em transmissão das Copas de 2026 e 2030.

Caso confirmados os crimes, alerta o deputado Wadih Damous, a emissora pode ter sua concessão pública suspensa ou até mesmo cassada, nos termos do Código Brasileiro de Telecomunicação. Tamanho é o alerta gerado pela delação, que o Partido dos Trabalhadores decidiu apresentar à Procuradora-Geral da República, Raquel Dodge, Representação Criminal para que seja apurada oficialmente a notícia.

“Se aplicar tão somente o direito, a Globo pode ter sua concessão cassada”, afirma o parlamentar, lembrando que o Código prevê a suspensão ou mesmo cassação da concessão caso o meio de comunicação cometa crimes e/ou contravenções.

As regras sobre concessões públicas de TV e rádio também constam na Constituição de 1988. A falta de regulamentação, no entanto, faz com que muitas regras sejam infringidas sem as devidas penalidades.

Delator forneceu provas de negociaçõe

O escândalo em que a emissora agora se vê implicada surge do testemunho de uma das principais testemunhas de acusação no julgamento de José Maria Marin, ex-presidente da CBF.
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Segundo informações do jornal “Folha de S.Paulo”, o empresário argentino Alejandro Burazco afirmou em depoimento que a TV Globo, ao lado da mexicana Televisa e da empresa de marketing esportivo de que era diretor, a Torneos y Competencias, pagaram juntas US$ 15 milhões em propina ao ex-chefe do futebol argentino, Julio Humberto Grondona.

Burzaco deu detalhes de seu encontro com Marcelo Campos Pinto, responsável na Globo pela compra dos direitos de transmissões. Segundo a reportagem, o dinheiro teria sido depositado num banco suíço e há documentação numa troca de e-mails entre o empresário e o chefe-administrativo de sua empresa, Eladio Rodríguez, sobre o detalhamento dos pagamentos a cartolas brasileiros. O delator também detalhou como criou empresas e contratos falsos para realizar suas operações.

Para Damous, o modo como a investigação ocorre em Nova York poderia ser um parâmetro para as investigações contra a corrupção que ocorrem no Brasil. “Se a investigação seguir em frente aqui no Brasil como está seguindo lá fora, pode ser um grande passo. Pode ser um verdadeiro combate à corrupção”, afirmou.

Isso porque, segundo ele, enquanto no Brasil as delações não têm nenhuma base documental, o relato de Burzaco dá o caminho das pedras para que o Ministério Público possa embasar a investigação com provas, seguindo o rastro do dinheiro.

PT exige investigação profunda das denúncias

Em nota, a Comissão Executiva Nacional do PT questiona o fato de as investigações ocorrerem há pelo menos três anos em países como a França, a Suíça e os Estados Unidos. “É inexplicável para o Brasil que o escândalo da FIFA seja investigado judicialmente nos Estados Unidos, na Suíça, na França e em outros países, há três anos, e tudo o que temos aqui seja uma suposta ‘investigação interna’ em que a Globo tenha apurado em silêncio e absolvido a si mesma”, diz o texto.

Para Wadih, a explicação está no fato de as investigações envolverem um dos maiores grupos de mídia do país. “O monopólio da Globo não deixa isso ser divulgado. Não sei porque a ‘Folha’ resolveu dar publicidade’. É uma notícia de altíssima relevância e só um jornal está divulgando”, diz ele. “Em relação à Globo, há uma blindagem”.

“Jornais da Europa dizem que o ‘epicentro’ do esquema criminoso é o Brasil. Mesmo assim, somos o único país que não investiga os crimes”, protestou o deputado Paulo Pimenta em seu perfil no Twitter. “Sempre defendi que, enquanto o esquema CBF/Globo e o Sistema S no Brasil não forem investigados, a grande corrupção estaria preservada. Por que o dr. Janot e os Golden Boys nunca abriram uma Lava Jato do esquema CBF/Globo? Por que nenhuma investigação avançou no Brasil?”

O senador Lindbergh Farias também registrou nas redes sociais sua indignação com a forma como o assunto é tratado pela imprensa brasileira. “Por que um escândalo desta proporção vai parar na seção de esportes do noticiário? Propina virou modalidade olímpica?”

“Será que a Rede Globo vai considerar a delação que a acusa de corrupção verdadeira, como considerou todas as demais delações verdadeiras até hoje? ”, questionou o deputado Paulo Teixeira.

A nota divulgada pela CEN conclama diretamente o Ministério Público a que não fique inerte diante de fatos que escandalizam a sociedade. Segundo a Comissão Executiva do Partido dos Trabalhadores, a abertura da investigação pode ter efeito pedagógico para toda a mídia brasileira.

“Em primeiro lugar, porque será respeitado o princípio da presunção da inocência, que a Globo sistematicamente atropela ao acusar, julgar e condenar Lula e o PT. Também será adotado certamente o equilíbrio editorial. Os argumentos da defesa e as eventuais provas de inocência da Globo não serão censurados no ‘Jornal Nacional’, diferentemente do que ocorre em relação ao PT, Lula e Dilma, que tiveram até a prisão pedida em editoriais e artigos de sua rede.”

“A Globo aprenderá também que, no devido processo legal, quem acusa tem de provar e ninguém pode ser condenado com base apenas em delações premiadas. E talvez aprenda, finalmente, que deve prestar contas de seus negócios à Justiça e de suas decisões editoriais ao público, pois, mesmo sendo uma empresa privada, opera, comercializa e lucra muito por meio de uma concessão que pertence ao país e não à família Marinho”, prossegue o texto.


Código e Constituição preveem contrapartidas em caso de violações

Os canais de televisão aberta no Brasil são concessões públicas. De acordo com o Código Brasileiro de Telecomunicação, isso envolve algumas contrapartidas e o direito de suspensão pelo governo brasileiro caso haja alguma violação.

Seria esse código que poderia resultar na suspensão da Globo. Mas, segundo André Pasti, membro do conselho-diretor da ONG Intervozes, outros interesses impedem que esses artigos sejam postos em prática. “Há um histórico de permissividade em relação às concessões de rádio e TV do Brasil”, diz ele.

A explicação passa pela composição do Congresso: ao menos 40 parlamentares são detentores de concessões televisivas em seu Estado. Assim, ele identifica negligência na obediência à legislação.

A própria Constituição prevê contrapartidas para esses canais, que são constantemente violadas. “Essas concessões públicas não podem ser objeto de oligopólio, devem respeitar a diversidade regional e apresentar uma programação educativa”, explica Pasti.

Esses artigos, no entanto, nunca foram regulamentados e são totalmente desrespeitados pela Globo e outros canais.

“Também vale ressaltar a hipocrisia dos meios de comunicação por pretensamente estarem numa agenda contra a corrupção na época do golpe e eles mesmos terem praticas de corrupção tão estruturais como essa”, pontua Pasti.

Entenda o caso


Segundo Burzaco, a propina teria sido paga numa conta no banco Julius Baer, na Suíça, ao dirigente Julio Grondona, já falecido, e que foi homem forte do futebol argentino. À época das negociações, Grondona era também dirigente da Fifa e cuidava dos direitos de transmissão na América Latina.

Para que isso ocorresse, a Torneos y Competencias, de Buzarco, teria sido orientada pela Globo a criar uma subsidiária na Holanda, que funciona como paraíso fiscal para multinacionais, para receber a propina, antes de repassá-la a Grondona.

Depois do seu depoimento, rico em detalhes, será possível agora rastrear todo o percurso do dinheiro – da Globo, na Holanda, para a Torneos y Competencias, também na Holanda, e depois para a conta de Grondona, na Suíça.

A Polícia Federal abriu, em 2015, uma investigação sobre os contratos da CBF com a Gobo, detentora dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro há décadas.

Segundo a acusação das autoridades norte-americanas, a Traffic, empresa de marketing esportivo do empresário brasileiro J. Hawilla, pagava como suborno a Marin e a outros dois dirigentes da CBF R$ 2 milhões por ano pelos direitos de transmissão da Copa do Brasil. A Traffic, então, revendia esses direitos para emissoras brasileiras.

Um desses dirigentes era, provavelmente, Ricardo Teixeira. Por décadas, ele coordenou por parte da CBF a aliança com a Globo. No caso específico do Campeonato Brasileiro, que não está sob investigação do FBI pelo que se sabe até aqui, não havia uma empresa intermediária como a Traffic.

Por anos, a CBF organizava a competição e a própria Globo comprava diretamente os direitos de transmissão, junto ao Clube dos 13, entidade que reunia diversos clubes do futebol brasileiro.
(Agência PT de Notícias)

STJ confirma condenação de Bolsonaro por danos morais a Maria do Rosário


A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve, por unanimidade, decisão da primeira instância que condenou o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) a pagar R$ 10 mil de indenização por danos morais à deputada Maria do Rosário (PT-RS).

Em agosto, o colegiado julgou o caso pela primeira vez, mas a defesa do deputado entrou com novo recurso para esclarecer supostas omissões e contradições na decisão.

O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) condenou Bolsonaro por ter dito, em 2014, que Maria do Rosário não mereceria ser estuprada por ser “muito feia”, não fazendo seu “tipo”.

A defesa de Bolsonaro argumenta que tem imunidade constitucional, não podendo ser alvo de ações do tipo ou de condenações por palavras que tenha proferido enquanto deputado. Entretanto, a Justiça entendeu até o momento que as declarações dele foram feitas fora do contexto da atividade parlamentar.

Bolsonaro é réu no Supremo Tribunal Federal (STF) em duas ações penais por causa do mesmo episódio, ambas relatadas pelo ministro Luiz Fux.
(Radioagência Nacional/ Brasil de Fato)

Lula de novo e a força do povo

Ricardo Stuckert

Essa pesquisa CUT/ Vox Populi, de intenções de voto pra presidência do Brasil divulgada hoje, dando Lula com 42% das intenções, contra 35% da soma dos demais candidatos, é a primeira que sinaliza a possibilidade do petista liquidar a fatura já no 1º turno.

Além disso, é a primeira em que a taxa de rejeição do ex-presidente fica abaixo dos 40%, após o aterrador bombardeio jurídico/midiático a que foi submetido desde que o país passou a viver sob a égide do moralismo de fancaria pregado pela malsinada Farsa Jato.

Traduz, também, a decadência do jogral midiático anti-Lula diante de um público cada vez menor a lhe emprestar olhos e ouvidos.

Bem no dia em que a Corte de Justiça de Nova Iorque cita 14 vezes a Rede Globo de Televisão como contumaz propineira e assaz desonesta nos métodos usados para manter a dianteira da audiência televisiva no Brasil, o principal alvo das torpezas daquela organização delinquente aponta na perspectiva da unção pelo povo brasileiro, como se estivéssemos em 1/1/2011, quando Lula deixou o palácio do Planalto consagrado por mais de 80% dos brasileiros como o maior presidente da história do país.

Claro que o moralismo persecutório segue vivo e atuante, embora cada vez mais dependente de tratativas nada republicanas com o golpismo larápio pra sobreviver, conforme atestam os encontros nem tão secretos entre togados e golpistas.

Por isso, segue vivo o propósito original do enredo golpista de impedir Lula de candidatar-se, desde de quando o gangster Aécio Neves anunciou dissimuladamente que o reacionarismo não deixaria Dilma governar, certamente já pensando em Lula pra 2018.

Chegou-se perto do triunfo total do golpe, porém, hoje em dia só um ato de extrema truculência operacional e vigarice jurídica impediria Lula de encontrar-se com a vontade soberana da nação brasileira. E é essa vontade cada vez mais pulsante que embala o povo brasileiro a manifestar-se.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

PT FAZ REPRESENTAÇÃO CRIMINAL CONTRA A GLOBO

Reprodução | Lula Marques/Agência PT | Reuters/John Sibley | Divulgação
Partido dos Trabalhadores, presidido pela senadora Gleisi Hoffmann, apresentou representação criminal à Procuradora-Geral da República, Raquel Dodge, solicitando que sejam investigadas as denúncias de que a Rede Globo pagou propinas na compra de direitos de transmissão de torneios internacionais de futebol; representação como base as revelações feitas à Justiça dos EUA pelo empresário argentino Alejandro Burzaco, que citou o pagamento de US$ 15 milhões pela Globo a dirigentes da CBF, da Conmebol e da Fifa só para as Copas de 2026 e 2030; "O Ministério Público, que apresentou seis denúncias contra Lula com base exclusivamente em notícias de jornal jamais confirmadas ou provadas, que se mobiliza para investigar a morte do cachorro da ex-presidenta Dilma, não pode ficar inerte diante de fatos que realmente escandalizam a sociedade", disse o PT

247 - O Partido dos Trabalhadores, presidido pela senadora Gleisi Hoffmann, apresentou nesta quinta-feira, 17, representação criminal à Procuradora-Geral da República, Raquel Dodge, solicitando que seja investigada as denúncias de que a Rede Globo praticou crimes em série, valendo-se de empresas e bancos em paraísos fiscais, para obter vantagens ilícitas na compra de direitos de transmissão de torneios internacionais de futebol.

A ação do PT tem como base as revelações feitas à Justiça dos Estados Unidos pelo empresário argentino Alejandro Burzaco, que citou o pagamento de propinas de US$ 15 milhões a dirigentes da Confederação Brasileira de Futebol, da Conmebol e da Fifa.

"É inexplicável para o Brasil que o escândalo da FIFA seja investigado judicialmente nos Estados Unidos, na Suíça, na França e em outros países, há três anos, e tudo o que temos aqui seja uma suposta 'investigação interna' em que a Globo tenha apurado em silêncio e absolvido a si mesma", disse o PT em material divulgado em sua página.

Leia a nota do PT na íntegra abaixo:

O Partido dos Trabalhadores decidiu apresentar à Procuradora-Geral da República, Raquel Dodge, Representação Criminal para que seja apurada oficialmente a notícia de que a Rede Globo praticou crimes em série, valendo-se de empresas e bancos em paraísos fiscais, para obter vantagens ilícitas na compra de direitos de transmissão de torneios internacionais de futebol.

A representação tem base nos depoimentos do empresário argentino Alejandro Burzaco à corte de Nova Iorque. O delator coloca a Rede Globo no centro do escândalo da FIFA mencionando pagamento de propinas de US$ 15 milhões a dirigentes da Confederação Brasileira de Futebol, da Conmebol e da Fifa.

O delator citou nomes, valores, locais de encontro, contratos, configurando sem dúvida os chamados "indícios robustos" de prática criminosa, expressão que os comentaristas da Globo gostam de utilizar, de forma leviana, para se referir às acusações por delações contra o PT e contra Lula.

É inexplicável para o Brasil que o escândalo da FIFA seja investigado judicialmente nos Estados Unidos, na Suíça, na França e em outros países, há três anos, e tudo o que temos aqui seja uma suposta "investigação interna" em que a Globo tenha apurado em silêncio e absolvido a si mesma.

O monopólio da Globo na transmissão de torneios nacionais e internacionais, supostamente obtido por meios ilícitos, faz um tremendo mal ao futebol brasileiro, uma paixão nacional que mobiliza milhões de torcedores e impulsiona grandes negócios, especialmente nos setores de publicidade e comunicações.

Atuando como dona da bola, a Globo impõe seus interesses comerciais, estipulando datas e horários de jogos, prejudicais os atletas, os clubes e o público; determinando quais partidas e de quais clubes serão transmitidas e quais serão ignoradas; interferindo diretamente nas decisões das federações estaduais e da Confederação Brasileira de Futebol.

O Ministério Público, que apresentou seis denúncias contra Lula com base exclusivamente em notícias de jornal jamais confirmadas ou provadas, que se mobiliza para investigar a morte do cachorro da ex-presidenta Dilma, não pode ficar inerte diante de fatos que realmente escandalizam a sociedade.

Temos certeza de que a abertura dessa necessária investigação terá efeito pedagógico para a Rede Globo e a mídia que a segue. Em primeiro lugar, porque será respeitado o princípio da presunção da inocência, que a Globo sistematicamente atropela ao acusar, julgar e condenar Lula e o PT.

Também será adotado certamente o equilíbrio editorial. Os argumentos da defesa e as eventuais provas de inocência da Globo não serão censurados no "Jornal Nacional", diferentemente do que ocorre em relação ao PT, Lula e Dilma, que tiveram até a prisão pedida em editoriais e artigos de sua rede.

A Globo aprenderá também que, no devido processo legal, quem acusa tem de provar e ninguém pode ser condenado com base apenas em delações premiadas.

E talvez aprenda, finalmente, que deve prestar contas de seus negócios à Justiça e de suas decisões editoriais ao público, pois, mesmo sendo uma empresa privada, opera, comercializa e lucra muito por meio de uma concessão que pertence ao país e não à família Marinho.

O PT considera que a investigação oficial do escândalo FIFA no Brasil é essencial para combater o crime e a impunidade, além de ser um gesto fundamental para devolver o futebol ao povo brasileiro.

Brasília, 16 de novembro de 2017

Comissão Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores

Filme sobre o golpismo temerário será financiado pelo Festival de Berlim


O Festival de Berlim anunciou os seis projetos contemplados com o World Cinema Fund, um financiamento para obras de ficção e documentário no mundo inteiro.

Este ano, um filme brasileiro foi selecionado: O Processo, documentário da cineasta Maria Augusta Ramos sobre o impeachment de Dilma Rousseff. A obra "busca compreender e refletir sobre o atual momento histórico brasileiro através de um processo que revela uma crise estrutural do Estado e do próprio regime democrático", afirma o texto oficial de sua plataforma de financiamento coletivo pela Internet.

O Processo, junto de cinco outros projetos do Chile, Paraguai, Argentina e Vietnã, foi escolhido entre 171 candidatos. O filme brasileiro receberá €25.000 (aproximadamente R$100.000) para sua finalização, e depois tem passagem garantida no prestigioso festival alemão.

A cineasta brasiliense passou muitos meses em Brasília nos últimos anos, filmando coletivas de imprensa, votações e disputas nos corredores do Congresso Nacional. Ela já recebeu diversos prêmios por obras engajadas como Justiça (2004), Juízo (2007), Morro dos Prazeres (2013) e Futuro Junho (2015). Informações do site Adoro Cinema
O festival de Berlim anunciou os seis projetos contemplados com o World Cinema Fund, um financiamento para obras de ficção e documentário no mundo inteiro.

Este ano, um filme brasileiro foi selecionado: O Processo, documentário da cineasta Maria Augusta Ramos sobre o impeachment de Dilma Rousseff. A obra "busca compreender e refletir sobre o atual momento histórico brasileiro através de um processo que revela uma crise estrutural do Estado e do próprio regime democrático", afirma o texto oficial de sua plataforma de financiamento coletivo pela Internet.

O Processo, junto de cinco outros projetos do Chile, Paraguai, Argentina e Vietnã, foi escolhido entre 171 candidatos. O filme brasileiro receberá €25.000 (aproximadamente R$100.000) para sua finalização, e depois tem passagem garantida no prestigioso festival alemão.

A cineasta brasiliense passou muitos meses em Brasília nos últimos anos, filmando coletivas de imprensa, votações e disputas nos corredores do Congresso Nacional. Ela já recebeu diversos prêmios por obras engajadas como Justiça (2004), Juízo (2007), Morro dos Prazeres (2013) e Futuro Junho (2015). 
(Adoro Cinema/ Os Amigos do Presidente Lula)

20 de novembro: 14ª Marcha da Consciência Negra, em SP




Neste 20 de novembro de 2017, nós, povo negro, vamos às ruas marchar por uma sociedade mais justa para todas e todos. Nossa luta é contra contra o racismo, o genocídio do povo negro, o feminicídio, o machismo, o etnocídio, a LGBTfobia, o racismo religioso, o encarceramento em massa e todas as formas de violência eviolação dos direitos humanos, contra o golpe que tem promovido a retirada de nossos direitos.

Também convocamos você que se considera negra ou negro, assim como você que, independentemente de sua cor, se solidariza com a luta antirracista em nossa sociedade. Vivemos ainda hoje uma abolição inconclusa, na qual Estado e as elites historicamente dominantes de nosso país apenas tiraram negras e negros das senzalas das fazendas para nos jogar nas periferias e favelas. O tempo todo, a grande mídia e o discurso das classes dominantes se esforçam para mostrar que essa realidade pertence ao passado, mas a herança escravista traz grandes consequência negativas para a vida de toda a população brasileira - na economia, saúde educação, trabalho e muitas outras questões de nossa sociedade.

Nestes espaços para onde foi jogada a população negra, ao mesmo tempo que se nega toda espécie de direitos para os cidadãos se concentram todos os mecanis mos de violência e controle, especialmente aqueles encabeçados pela força policial. Assim como nos tempos de escravidão, a polícia age não para garantir segurança mas para controlar as vítimas dessa sangria promovida por ricos e poderosos do país.
Mas a população negra resiste. E a Marcha de 20 de novembro simboliza nossa luta histórica! E nesta edição em especial queremos mostrar porque ainda hoje ela se faz tão necessária para todos e todas que aspiram uma sociedade mais justa.

14a. Marcha da Consciência Negra

Quando: 20 de novembro de 2017

13h Concentração no Masp, com atividades culturais

16h Saída da marcha

NOTA À IMPRENSA


A respeito do pedido de bloqueio de bens do MPF/DF, a defesa do ex-presidente Lula esclarece que:

“Não tem qualquer base jurídica e materialidade o pedido de bloqueio de bens formulado pelo Ministério Público Federal contra o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu filho Luis Claudio Lula da Silva nos autos do Processo nº 0076573-40.2016.4.01.3400, em trâmite perante a 10ª. Vara Federal de Brasília.

O pedido foi apresentado em 27/09/2017, quando já tinham sido ouvidas as testemunhas selecionadas pela acusação (22/06) e parte das testemunhas selecionadas pela defesa (18/07, 1º/08, 10/08; 17/08 e 23/08). Como não poderia deixar de ser, nenhum dos depoimentos coletados ao longo das audiências confirmou as descabidas hipóteses acusatórias descritas na denúncia e por isso sequer foram referidos no requerimento.

Não há no pedido apresentado pelo MPF indicação de provas a respeito das afirmações ali contidas, que partem de certezas delirantes sobre a “influência” de Lula na compra de caças pelo País e na ausência de veto em relação a um dos artigos de uma medida provisória (MP 627/2013).

As testemunhas ouvidas, como os ex-Presidentes Fernando Henrique Cardoso e Dilma Rousseff, os ex-Ministros da Defesa Nelson Jobim e Celso Amorim, o Brigadeiro Juniti Saito, dentre outras, esclareceram (i) que a compra dos caças suecos pelo Brasil em dezembro de 2013 seguiu orientação contida em parecer técnico das Forças Armadas e que (ii) o artigo 100 da Medida Provisória 627/2013 prorrogou incentivos fiscais instituídos durante o governo do ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso, objetivando o desenvolvimento das regiões norte, nordeste e centro-oeste.

As provas existentes nos autos, portanto, mostram com absoluta segurança que o ex-Presidente Lula e Luis Claudio não tiveram qualquer participação da compra dos caças suecos, tampouco na sanção presidencial do artigo 100 da Medida Provisória 627/2013. Mostram, ainda, que Luis Claudio prestou os serviços de marketing esportivo contratados pela empresa Marcondes e Mautoni e tinha expertise na área, adquirida em trabalhos realizados em algumas das maiores equipes de futebol do País e, ainda, na organização e implementação de um campeonato nacional de futebol americano. Lula jamais recebeu valores da Marcondes e Mautoni ou de terceiros por ela representados.

Essa ação penal integra o rol de ações propostas contra Lula e seus familiares sem qualquer materialidade, com o objetivo de perseguição política.

A Defesa apresentará manifestação no processo demonstrando que o pedido deverá ser indeferido pelo juiz.”
CRISTIANO ZANIN MARTINS- ADVOGADO