Jorge Paz Amorim

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Belém, Pará, Brazil
Sou Jorge Amorim, Combatente contra a viralatice direitista que assola o país há quinhentos anos.

quinta-feira, 23 de março de 2017

MIMOS SOB A TOGA


Veja quem são os 9 comparsas de Temer da bancada do Pará, que votaram contra seus direitos

Assim votou a bancada de deputados federais no projeto que rasgou a Consolidação das Leis do Trabalho(CLT), aprovando uma terceirização selvagem que antecipa até a inviabilização do INSS, pois os contratos serão com pessoas jurídicas ou empreendedores individuais.

Lembrando que Eder Mauro e Elcione Barbalho estavam ausentes na hora da votação.

Quem disse 'Sim' votou contra os direitos trabalhistas; e quem disse 'Não' votou contra.

Pará (PA)
Arnaldo Jordy- PPS- Não
Beto Faro- PT- Não
Beto Salame- PP PpPtnPhs… Não
Edmilson Rodrigues- PSOL- Não
Francisco Chapadinha- PTN PpPtnPhs… Sim
Hélio Leite- DEM- Sim
Joaquim Passarinho- PSD- Sim
José Priante- PMDB- Sim
Josué Bengtson- PTB PtbProsPsl- Sim
Júlia Marinho- PSC- Sim
Lúcio Vale- PR- Sim
Nilson Pinto- PSDB- Sim
Simone Morgado- PMDB- Não
Wladimir Costa- Solidaried- Sim
Zé Geraldo- PT- Não.

Guarde bem o nome desses fariseus que disseram 'Sim' à extinção de seus direitos, ano que vem eles baterão na sua porta pra pedir seu voto.

quarta-feira, 22 de março de 2017

A diferença abissal que separa Sérgio Moro de um juiz de Direito


O renomado jurista uruguaio Eduardo Juan Couture uma vez disse que, da dignidade de um juiz, depende a dignidade do próprio direito.

Se assim for, a partir do que se transformou o sistema judiciário brasileiro, é possível que estejamos a construir uma nação indigna nessa admirável ciência.

Quando a discrição dá lugar aos holofotes, quando a razão é substituída pela soberba e quando as leis são moldadas e aplicadas ao sabor de valores pessoais, já não temos mais juiz, já não temos mais juízo, já não temos mais nada.

Quedamos invariavelmente no que o gigante Zygmunt Bauman considerava ser o direito líquido, ou seja, a aplicação do direito por seus atores a partir de convicções preconcebidas, frágeis e frequentemente insustentáveis. Algo completamente contrário ao direito.

Exatamente dessa forma procedeu-se o sequestro do blogueiro Eduardo Guimarães na manhã desta terça-feira (21/03).Na sua mais nova demonstração de arbitrariedade e abuso de poder, a operação Lava Jato e os justiceiros de Curitiba tentaram demolir mais um dos pilares individuais que sustentam a democracia: a inegociável liberdade de imprensa.

Sob os mais injustificáveis argumentos, os mais básicos direitos constitucionais de um cidadão foram violentamente desrespeitados justamente por um agente público cujo dever funcional deveria ser primordialmente o de garanti-los na expressa forma da lei.

Foi ultrapassada uma das mais perigosas fronteiras que delimitam o campo de atuação de um regime político onde a soberania é exercida pelo povo. A partir desse assombroso evento é factível que tenhamos adentrado nos obscuros pântanos dos regimes autocráticos e ditatoriais.

Se os atos provocados por Sérgio Moro já deliberavam fortes sinais de parcialidade, truculência, falta de razoabilidade e verdadeira afronta ao Código Processual Penal, a ameaça agora transcende as injustiças impostas àqueles que não pertencem à sua predileção política e recaem sobre as liberdades constitucionais de qualquer cidadão comum que sequer ouse discordar de seus “métodos”.

Não por acaso, o parecer assinado por advogados pertencentes à banca britânica Blackstone Chambers concluiu que a condução da operação Lava Jato contrapõe-se ao Estado Democrático de Direito porque “levanta sérios problemas relacionados ao uso de prisões processuais, o direito ao silêncio e à presunção de inocência”.

Moro já não possui qualquer condição jurídica, moral ou mesmo emocional para conduzir um processo tão complexo como esse que bem mais do que supostamente combater a corrupção endêmica brasileira, atestará para a história desse país a solidez da nossa fiel e imparcial aplicação da lei.

Para algo de tamanha envergadura precisaríamos de um verdadeiro juiz e juiz é tudo o que Sérgio Moro não é.
(Carlos Fernandes/ Diário do Centro do Mundo)

Quem ganha com o escândalo da carne

Funcionário de supermercado em Hong Kong recolhe produto brasileiro após restrição

Enquanto o Brasil tenta conter os prejuízos no mercado internacional em meio às suspensões de importação de carne por causa do escândalo de adulteração e corrupção no setor, outros países enxergam o fato como oportunidade.


Grandes produtores de carne, como Estados Unidos e Austrália, estão de olho em mercados em que Brasil tinha força, como a China e a União Europeia.

Também de olho no espaço que será deixado pelo Brasil, mas com menor potencial de exportação, estão Argentina, Irlanda e Nova Zelândia.

Especialistas, ainda assim, dizem acreditar que o Brasil tenha uma vantagem: outros países terão dificuldade de suprir a demanda de um dos maiores exportadores de carne do mundo.

A indústria da carne brasileira exporta o equivalente a US$ 12 bilhões por ano, de acordo com a Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB).

Só de carne bovina foram gerados US$ 5,5 bilhões, com as 1,4 milhão de toneladas enviadas a 150 países em 2016, segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).

O maior comprador é Hong Kong - região administrativa especial da China -, que importou 330 mil toneladas, gerando US$ 1,1 bilhão para o Brasil.

Na terça-feira, autoridades sanitárias do Japão e de Hong Kong suspenderam a exportação de carne brasileira, na esteira de restrições já impostas por China, Chile, União Europeia e Suíça.
O que há de real por trás do mito dos Illuminati?

Os Estados Unidos, maior importador de carne processada do Brasil, anunciaram que aumentarão a fiscalização sobre os produtos.

A expectativa é que outros mercados ainda venham a impor barreiras ao Brasil, o que traz oportunidades para competidores.

"Estados Unidos e Austrália geram preocupação", comentou o presidente da AEB, José Augusto de Castro.

"É possível que nesses primeiros meses o Brasil perca mercados, especialmente de frango e carne bovina, para grandes produtores", disse.

A proximidade geográfica com a China - segundo maior importador de carne brasileira - pode dar vantagens à Austrália, enquanto os Estados Unidos miram os países europeus.

A estimativa da AEB é que o Brasil tenha prejuízos de até US$ 2 bilhões este ano no mercado internacional, influenciado tanto pelas restrições como por uma provável queda do preço da carne brasileira.

O preço da carne brasileira já era relativamente baixo, segundo Castro. Os preços de frango, carne bovina e suína tinham recuado, em média, 25% entre 2011 e 2016.

No último ano, os frigoríficos brasileiros vinham conseguindo vender a preços melhores, com aumento de 40% no preço da carne suína, 20% do frango e 10% da carne bovina.
(Flávia Melhorance/ BBC Brasil)

Servidores estaduais e municipais pagarão um extra pra tunga temerária


Esse fatiamento da reforma previdenciária do golpismo pode até parecer a alguns um ganho oriundo da pressão feita pelas centrais sindicais, na perspectiva de, lá adiante, essa mesma pressão conseguir derrubar iniquidades como idade mínima para mulheres se aposentarem aos 65 anos, além de uma provável negociação que reduza dos atuais 49 anos de contribuição a um número menos escorchante.

Desconfio que isto já estava no horizonte dos golpistas. Isto é, jogaram lá pra cima para, na hora da pressão, recuar ao número que realmente queriam ver aprovado, retirando o bode da sala e transparecendo flexibilidade na hora de negociar.

Porém, o pior parece ter ficado guardado para servidores estaduais e municipais, excluídos que foram das regras gerais da previdência nacional, matreiramente alcunhado isto pelo golpismo como preservação da autonomia dessas unidades federativas.

Todos presenciaram a barbárie que se constituiu a mudança nas regras desse setor no Rio de Janeiro a fim de tapar os rombos deixados no governo daquele estado pelo assaltante Sérgio Cabral Filho e sua quadrilha. Como se sabe, a alíquota do desconto chegou a estratosféricos 32% dos salários.

Mesmo que essa nova fórmula tenha sido para uma vigência temporária, essa autonomia fatalmente tornará a decisão transitória em permanente, mesmo que com alíquota um pouco abaixo da atual. Em geral, estados e municípios têm menos holofotes sobre si, daí sofrerem menor pressão essas maiorias governistas, abrindo-se a possibilidade de escancarar as portas para regras ainda mais draconianas do que as da reforma temerária.

E isso que ocorreu no Rio de Janeiro tende a sofrer efeito cascata, sabe-se que o mesmo ocorreu no Rio Grande do Sul, no Paraná, sabendo-se lá quantas mais tratativas fisiológicas serão postas em prática Brasil afora, sem contar os municípios que possuem regime previdenciário próprio, também sujeitos a aprovar quaisquer medidas encaminhadas por aventureiros inquilinos do Poder Executivo.

Resumo dessa opera fantasmagórica, aquilo que era ruim pra todo mundo não melhorará em nada para grande parcela dos trabalhadores da iniciativa privada e servidores federais. No entanto, para servidores estaduais e municipais tudo tende a piorar, pois recairá sobre seus ombros a responsabilidade do pagamento da conta de aventuras diversas de natureza cabralina que desfalcaram o erário e deixaram essas unidades federativas à míngua e dependente dessa tunga no bolso de seus servidores. É só esperar o efeito cascata dessa delinquência.

terça-feira, 21 de março de 2017

Moro testa os limites do regime de exceção


Moro se viu alçado, por um conjunto de circunstâncias, internas e externas, a participante de um projeto de instauração de um Estado de exceção no Brasil. Escolhido pelos EUA para ser o regente das acusações que desarticulariam o governo do PT e, com ele, o potencial produtivo do país. Está cumprindo rigorosamente esse roteiro.

O PT foi tirado do governo, se desarticula o poderio da Petrobras, das construtoras, da indústria naval e de outros setores chaves da economia, que tinham guindado o Brasil a potência econômica emergente em escala mundial. O projeto se complementaria com o alijamento do Lula da vida política, tanto para sujar a imagem dele, como para blindar definitivamente o sistema político de qualquer risco de sair de novo de controle, como aconteceu a partir de 2003.

Da mesma forma que se pode fazer tudo com as baionetas, menos sentar-se em cima – frase atribuída a Napoleão -, não se pode fazer tudo com decisões jurídicas arbitrárias. Moro pretende condenar Lula em primeira e segunda instância, acreditando que com isso completa o golpe.

Mas não se pode fazer tudo com decisões jurídicas, acreditando que elas têm força política para se realizar. Nos últimos meses, Moro tem visto seu poder se enfraquecer e ele tem feito declarações e tomado atitudes que confirmam sua consciência dos limites do seu poder. No mesmo momento em que há enormes manifestações contra o governo e em apoio ao Lula e, em que a manifestação de apoio ao Moro, em Curitiba, teve a participação de 15 (quinze) pessoas, Moro se vê obrigado a vir a público para reiterar que, segundo ele, "a grande maioria dos brasileiros o apoia"(sic).

Em seguida, nova demonstração de força, para testar os limites do que pode fazer, coloca em prática, de novo de forma arbitrária, a "condução coercitiva", desta vez do blogueiro Eduardo Guimarães. A reação não se fez esperar e não apenas do campo da oposição, mas cada vez mais gente do campo do governo se sente incomodada com as formas de agir e as declarações intempestivas dele.

Ele se comporta como uma criança amuada que, contrariada, age para testar os limites do que é suportável que ele faça. Como se estivesse treinando para tentar dar o bote sobre o Lula – sua vítima maior. Ainda mais que ele mesmo se armou uma armadilha, convocando o depoimento do Lula com dois meses de antecipação. Agora se dá conta, pelas mobilizações de março e pelo prestígio cada vez maior do Lula, o que espera Curitiba em 3 de maio. E também viu, pelo depoimento do Lula em Brasília, o que o espera. (Lula já disse que quer que se filme não apenas ele, mas também o Moro, em quem vai olhar nos olhos todo o tempo. Será profundamente constrangedor, psicológica e moralmente, e Moro demonstra nervosismo crescente com essa circunstância que ele mesmo criou.)

Tudo indica que ele sente que o terreno em que ele pisava antes de forma segura, começa a se mexer. Ele já não une nem o campo da direita e ainda tem que enfrentar não apenas desgastes públicos, como capacidade de mobilização cada vez maior no campo popular e com Lula catalizando todas essas mobilizações. A defesa do Lula – como foi a da Dilma diante do golpe – torna-se a defesa da democracia no Brasil de hoje.

E Moro começa a piscar, a gaguejar, a responder "sem comentários", ele que antes adorava todo holofote e não perdia chance para ditar manchetes para a mídia submissa. Sua própria teoria de que o país vive uma situação excepcional, que requer métodos excepcionais – os métodos de exceção que ele pratica e que eles propuseram que o Congresso formalizasse em lei, sem sucesso – vai caindo por terra. O método excepcional da condução coercitiva já não é aceita pela opinião pública, ele vai perdendo esse debate também e perdendo força para agir contra o Lula.

Moro testa os limites do regime de exceção, para saber se pode contribuir para transformá-lo em Estado de exceção, mediante um segundo golpe. As reações tem lhe sido adversas, fazendo que, nervoso, ele possa dar novos passos em falso, que podem ser fatais para ele.
(Emir Sader/ 247)

Dois Sérgios


Sérgio Moro é o delegado Sérgio Paranhos Fleury do golpe de 2016, com uma agravante: ele mesmo editou seu próprio AI-5 e prende quem bem entende e conduz coercitivamente idem. Foi assim com Lula, bem como com o blogueiro Eduardo Guimarães.

Em comum parece estar o depoimento de Lula, marcado pelo referido juiz para 3/5 próximo, em Curitiba. Moro parece ressentido pela frustração de ter visto Lula impedido de ser levado para Curitiba pela ação comandada por um oficial da Aeronáutica em março do ano passado, impedindo que se consumasse a festa em que o convidado especial Jair Bolsonaro até antecipara com fogos de artifício.

Pensa achar algo que incrimine Lula no celular ou computador de Eduardo, usando seu achado pra decretar a preventiva de Lula durante o depoimento. Assim, dará a resposta aos meganhas que consideraram que ele perdeu o time.

De todo esse enredo sinistro, resta a certeza que vivemos período de exceção com maquiagem jurídica onde um togado não precisa justificar suas arbitrariedades. Quando lhe convém decreta, "Sem comentários".

Somente a Suprema Corte teria poderes imediatos para frear essa conduta autoritária. No entanto, por esta obedecer convicções que atingem apenas uma parcela do espectro político nacional, em momento onde todos aqueles que de alguma forma contribuíram para a consolidação do golpe que derrubou Dilma serem simpáticos a essa discricionariedade, então, nós outros continuaremos reféns desse arbítrio que há mais de ano abandonou uma investigação de um esquema corrupto para tornar-se atividade de caça política, conforme constata-se diante da enormidade de larápios que flanam por aí sem qualquer incômodo, resguardados pelas tarjas da impunidade.

Não esquecer que o autoritarismo morista atingiu seu ápice quando ele teve a audácia de grampear a presidenta da república, todavia, aqueles que tinham o dever de manter a ordem democrática do país parecem ter dito apenas, 'não faça mais essa traquinagem, meu jovem'.

E Ele não fez, pois não foi mais preciso depois que a leniência dos guardiões da nossa Constituição permitiu que a rasgassem e golpeassem nossa democracia, sendo notória a contribuição do juiz curitibano nessa empreitada, assim como tinha sido a audácia do então presidente da Câmara Federal Eduardo Cunha ao abrir processo contra Dilma por mera vingança.

Desde então, um ministro dessa Corte transformou-se no mais eloquente líder político do país agindo como o demiurgo que sentencia o que é legal, ou não, dando-se até o desfrute de puxar as orelhas moristas quando esse perde a noção dos limites estabelecidos pelo golpe para sua atuação. Sob as rédeas novamente, esse Sérgio do momento retoma sua empreitada a autoritária, voltando a rondar a rondar os alvos da sua fúria e convicções, bem como a dos seus parceiros daquele terrível DOI-CODI curitibano. Preocupante!

As estripulias de Simão 'Bararu'


De 2012 a 2016, o governador do Pará fez realizar dez concursos públicos, nomeando servidores de carreira 5732 aprovados nesses concursos. Todavia, nesse mesmo período, contratou 26652 servidores temporários, cinco vezes mais temporários do que efetivos.

Ora essa iniquidade inverte o princípio constitucional que determina ser a investidura em cargo público através de concurso público, assim como transforma a exceção em regra quando faz rotineiras contratações de servidores temporários que deveriam ser para atender "casos de excepcional interesse público, conforme artigo 37, IX, da Constituição Federal.

Ou seja, apesar do discurso modernoso de garantir uma máquina administrativa eficiente, percebe-se que essa balela esvai-se na retórica, na medida em que a prática é prenhe do mais abjeto aparelhismo do estado a fim de atender conveniências politiqueiras.

Percebe-se, então, que essa lábia rococó de Simão Lorota é norteada pelos princípios(?) legados por Antenor Bararu, folclórico deputado da Assembléia Legislativa do Pará na década de 1990, uma espécie de Severino Cavalcanti ao tucupi, pioneiro na desobediência que colocou a C.F. de pernas pro ar.

Felizmente, a Procuradoria Geral da República deu entrada em uma ADI(Ação Direta de Inconstitucionalidade) contra a famigerada Lei Complementar Nº 07/1991, de autoria de Bararu e até hoje baliza administrativa do loroteiro Simão.

Espera-se, pois, que o STF revire a nossa Lei Maior de pernas pro chão e corte o mal do uso indecoroso da coisa pública pela raiz, principalmente nesses tempos em que um congresso composto em sua maioria por facínoras tenta rasgar a nossa Consolidação das Leis do Trabalho.  

Artigo admirável do mestre Santayana




A OPERAÇÃO "CARNE FRACA" E A MISTIFICAÇÃO DO BRASIL.

Pode não parecer, mas as causas e conseqüências da Operação Carne Fraca - são, como as de sua "mãe" institucional - a "mãe" de todas as operações, como se diria ao tempo da invasão do Iraque - claramente políticas.

No Brasil, resolveu-se, no bojo da Operação "Tira-Dilma", vender à população uma série de mitos, começando pelo de que se estaria travando uma guerra sem tréguas contra a corrupção, cujo objetivo é "passar a limpo" o país.

Essa estratégia exige que não apenas a principal "operação" fique permanentemente em andamento e evidência, mas também que outras "operações" semelhantes sejam executadas indefinidamente, em ritmo ininterrupto, obedecendo a uma tática não escrita, mas amplamente disseminada, destinada a alimentar certa mídia de factóides, para que ela cumpra o papel de exagerar e replicar essa impostura para a população, já que os resultados dessa "guerra", como demonstram os que foram colhidos até agora pela própria Operação Lava Jato, são mais ilusórios que reais.

Parece não haver outro motivo para que siga o clima de espetacularização das forças em ação, de busca de pelo em cabeça de ovo e de superdimensionamento de problemas relativos, que sempre existiram antes, para valorizar, nesse contexto, o trabalho da polícia, do Judiciário e do próprio Ministério Público.

Parece não haver outra razão para que a corrupção, e, por extensão, institucionalmente, como se quer fazer crer, o governo passado, sejam condenados por todos os males nacionais, quando se sabe que a questão dos juros dos títulos públicos e da sonegação, por exemplo, envolvem recursos muito maiores e são muito mais deletérios, a longo prazo, para o país.

No caso da Operação Carne Fraca, no calor da midialogia, vendeu-se, apressada e irresponsavelmente, ao mundo - por meio da montagem de uma verdadeira operação de guerra, já que não se aceita mais investigar ou trabalhar com discrição - a versão de que o sistema de produção de carnes no Brasil - o principal produtor de proteína animal do planeta - seria uma verdadeira Casa da Mãe Joana, totalmente contaminada por corruptores, corruptos e bactérias.

As evidências que levaram à deflagração da "operação", são, na maioria, como ocorre, também, em alguns casos, com a "mãe de todas as operações", ilações frágeis, baseadas mais em interceptações telefônicas - que podem ser interpretadas subjetivamente ao sabor de quem as fez - e em um único depoimento de um fiscal, do que em provas incontestáveis, como o exame científico e sanitário de mercadorias apreendidas oferecidas à população.

Ora, qual é o sujeito que já fez um churrasco, alguma vez na vida, que não sabe distinguir entre carne fresca de qualidade e carne estragada ou deteriorada, bastando para isso dar uma examinada no produto no balcão do supermercado ou do açougue antes de comprar?

Isso é uma simples questão de bom senso.

Mas a percepção que se pretende passar à população é a de que ela está sendo enganada, comprando e comendo, frequentemente, carne contaminada, como se fosse esse o padrão de uma indústria que atende a mais de 150 países e que é considerada uma das mais avançadas e sofisticadas do mercado mundial.

Para isso - como se o papel da Polícia Federal fosse fiscalizar a qualidade da comida vendida no exterior - cita-se, catando fatos pontuais lá fora - a presença de um determinado tipo de salmonela em carne "barrada" na Itália - existem 2.600 subespécies dessa bactéria e muitos delas não fazem mal à saúde - quando o produto estava em conformidade com as regras da União Européia e posteriormente entrou normalmente em território europeu pelo porto holandês de Amsterdã.

Com base na interpretação errônea, e não se sabe se proposital, de um telefonema entre dois funcionários de empresa, deduz-se que se estava misturando papelão em uma carga de carne de frango, versão que todo mundo anda citando agora pelas esquinas - dou um prêmio para alguém que já tenha encontrado essa substância misturada aos miúdos de um frango congelado ou resfriado no Brasil - quando os indivíduos "grampeados" estavam, na verdade, se referindo ao tipo de embalagem que seria utilizado para proteger e transportar o produto.

Não se pode dizer que todos os frigoríficos brasileiros sejam santos ou que só haja "anjos" entre os fiscais do Ministério da Agricultura.

Mas, com certeza, chama a atenção que, em um momento em que cai, devido à sua flagrante seletividade, a simpatia da população pela operação Lava Jato, comecem a explodir - em paralelo aos pedidos de apoio do juiz encarregado - em letras garrafais, na mídia, e com destaque nos telejornais de rádio e televisão, iniciativas com a mesma abordaagem "filosófica" e modus operandi, voltadas para assuntos que são de grande e direto interesse para os cidadãos, como a saúde e a alimentação.

Parece que se busca mostrar, a todo instante, que o Judiciário e o Ministério Público estão trabalhando diuturna e abnegadamente - ao contrário dos "políticos", essa raça maldita que chega ao poder pelo voto e não por merecimento ou competência - em defesa da população.

Quando, na verdade, em um total de quase 5.000 estabelecimentos industriais fiscalizados em nosso país, as unidades investigadas nessa última operação não chegam a pouco mais de 20, em sua maioria de embutidos e congelados, e isso, de forma restrita, em umas poucas - e delimitadas - regiões do Brasil, e os funcionários investigados passam de pouco mais desse número, entre os 11.000 servidores do Ministério da Agricultura.

Não custa, também, lembrar que em muitos casos, na carne para exportação, a fiscalização, do abate - e até mesmo antes dele - ao transporte, é feita pelos próprios clientes.

Esse é o caso de Israel e dos países árabes, que para aqui enviam representantes, com o intuito de assegurar não apenas a qualidade dos produtos que estão comprando, mas se as condições de produção obedecem às suas regras religiosas, seguindo preceitos Kosher e Halal, o que ilustra não apenas o cuidado da indústria brasileira nessa área mas também o porquê de o Brasil ter se transformado - não por acaso - em um dos maiores exportadores de carnes do mundo.

Mas como a idéia é aparecer ao máximo, buscando não apenas a espetacularização, mas, por meio de parte preponderante da mídia, uma verdadeira escandalização dos fatos, e a regra, no Brasil de hoje, é acusar e "vazar" primeiro, para explicar depois o que está ocorrendo, o que se conseguiu foi apavorar desnecessariamente a população.

Que adora ter, também, convenhamos, alguém pra "desancar" na fila do banco.

Nada disso, no entanto, estaria ocorrendo, se certos métodos, como a escuta telefônica, a prisão preventiva e as conduções coercitivas, não estivessem se transformando, no Brasil, de exceção em regras mais que banais, quase obrigatórias, de investigação.

Coloca-se um determinado setor econômico, um determinado indivíduo, uma determinada autoridade sob escuta, durante meses, até que o "investigado" use uma expressão ambígua em uma conversa ou um provável "crime" ou algo passível de ser interpretado pela opinião pública como "crime" venha a "acontecer", para que se produza um novo escândalo, uma nova "fase", uma nova operação.

Enquanto isso, como está ocorrendo agora no caso das carnes, não interessa se vai cair, dentro do país, o consumo de um produto que é um dos esteios da economia nacional, prejudicando milhares de produtores, empresários e exportadores.

Se irá se arrebentar mais uma vez com a credibilidade das maiores empresas de um determinado setor da economia.

Se irá se armar os adversários externos do agronegócio brasileiro na área de proteína animal, beneficiando concorrentes que subsidiam seus criadores todos os anos com dezenas de bilhões de dólares e de euros, dando-lhes o pretexto de que necessitavam para reforçar seu protecionismo - já extremamente arraigado nessa área - em pleno processo - a nosso ver equivocado - de negociação de um acordo - que tem tudo para ser leonino - entre a União Européia e o Mercosul.

Isso, justamente no momento em que o Brasil, no final do governo passado, voltou obter, a duras penas, autorização para exportação de carne bovina em natura para os EUA.

E quando começamos a quebrar importantes barreiras sanitárias, não apenas com relação aos Estados Unidos, mas também na transformação dos chineses, em apenas oito meses, nos maiores importadores de carne bovina brasileira, com a liberação, por Pequim, no início do mês passado, de licenças de exportação para mais 17 frigoríficos brasileiros - de carne de boi, frango e porco - passarem a exportar para o país, o maior mercado do mundo.

O terrorismo midiático e a irresponsabilidade é tanta, que certos jornais chegaram a afirmar - sem checar a informação - que o ácido ascórbico, supostamente usado pelas empresas para alterar a côr da carne é um produto cancerígeno, quando não se trata de outra coisa além da mais vulgar - e comezinha - vitamina "C".

A engenharia brasileira já foi - sem caixão, faixa ou direito a velório - para o saco, levando com ela a indústria de petróleo e gás - ferida de morte pela sabotagem contra a Lei de Conteúdo Nacional - e a de infra-estrutura.

A indústria naval, em trágico processo de sucateamento, com estaleiros e navios gigantescos, no valor de bilhões de reais, apodrece ao sol de cada dia, assim como vários projetos de defesa, iniciados pelos dois governos anteriores, depois de 2002, que se encontram paralisados por decisão judicial.

Só estão em processo de conclusão e entrega, projetos que já estavam quase prontos quando Dilma saiu do poder, como a Transposição do São Francisco e o SGDC.

O novo Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas, feito para substituir, depois de quase 20 anos, o BRASILSAT - cujo controle foi entregue por FHC aos mexicanos - está previsto para ser lançado amanhã, 21 de março, do Centro Espacial de Kourou, na Guiana Francesa, com a provável presença de Michel Temer.

Produzido pela Thales francesa, com a participação de técnicos e empresas brasileiras, sob especificações da Visiona, joint venture formada, no governo anterior, pela EMBRAER e a TELEBRAS, o novo SGDC irá assegurar, finalmente, canais mais confiáveis para a comunicação do governo e de nossas Forças Armadas, como resposta à espionagem - contra o governo brasileiro e a Petrobras - realizada durante o governo Dilma, e com certeza, ainda hoje, pelos norte-americanos, por meio da NSA.
Qual será o próximo segmento da economia nacional a ser atingido pelo "furor" investigativo em curso, para continuar alimentando e movimentando a "roda da justiça" perante a opinião pública nacional?

A quem interessa que se sabote e desvalorize, aos olhos da população, o setor produtivo, gerando dezenas de bilhões de reais em prejuízo?

Quando há empresas "envolvidas" na Carne Fraca que, em apenas dois dias, já perderam 8% do seu valor de mercado?

O Brasil precisa voltar a caminhar economicamente e o Judiciário e o MP necessitam aprender a fazer o seu trabalho sem motivações políticas e sem inviabilizar, como estão fazendo, o país - voltamos a insistir, é preciso que o discuta, imediatamente, lei proibindo que a justiça interrompa, por motivo de investigação, obras que estiverem em andamento, e que determine prazos máximos, também por lei, para interdição de indústrias em funcionamento - sob pena de que nossas maiores empresas abandonem o território nacional, levando não apenas suas sedes e recursos para o exterior - está aumentando a tributação de subsidiárias fora do país - mas também suas instalações industriais e seus empregos.

Quando, como se está vendo com Trump nos EUA, as maiores nações estão fazendo exatamente o contrário, privilegiando, beneficiando e exigindo que o capital nacional opere dentro de suas fronteiras.

São ingênuos, para não usar outros termos, aqueles que pensam que as empresas estrangeiras são mais honestas ou competentes que as nossas, ou que elas terão algum compromisso com o Brasil, ou com os projetos estratégicos que poderiam, um dia, nos fortalecer no mundo cada vez mais complexo e competitivo do século XXI, em detrimento de sua lealdade com seus países de origem.

Concluindo, de volta à carne, ela é fraca para muitos pecados, e não apenas os da gula, do copo, das drogas ou da luxúria.

Embora não se incluam normalmente entre as "fraquezas" do corpo, o narcisismo, a vaidade, a egolatria e a arrogância, têm se incrustado cada vez mais na mente e nos corações de parte da geração que está chegando ao poder, no bojo da plutocracia nascida do cruzamento do "republicanismo" do PT com a conquista, por meio de concurso, das carreiras de Estado pela direita.

Nos corações e mentes daqueles que se crêem ungidos por Deus para "salvar" a Nação, afastando-a da realidade - que, com todos os seus defeitos, compõe o mundo - levando-a para um universo mítico, maniqueísta e simplista, de bandidos e de mocinhos, de "homens de bem" e "gente do mal".

Até agora, o que a suposta cruzada contra a corrupção em andamento tem conseguido, do ponto de vista prático, fora duas ou três prisões justificáveis, que poderiam ter sido feitas sem esse verdadeiro carnaval, eivado de absurdos e abusos, que já dura, em nosso país, quase quatro anos, é criar partidos proto-fascistas para as eleições de 2018 - um deles não por acaso adotou, sem contestação, o mesmo logotipo da Campanha das 10 Medidas Contra a Corrupção do Ministério Público como símbolo - e destroçar vastos segmentos da vida nacional, na engenharia, na defesa, na infra-estrutura, e. agora, na indústria de alimentos e do agronegócio, sucateando obras e projetos, destruindo e eliminando empregos e investimentos, corroendo e derretendo o crédito e o valor das empresas, quebrando acionistas e fornecedores, e arrebentando, irresponsavelmente - com ajuda de parte da mídia - com a imagem do Brasil no exterior.

Facilitando, decididamente, a vida de nossos concorrentes externos, nos mais variados campos da atividade humana, com permanentes e deletérias conseqüências para o futuro das novas gerações de brasileiros, incluídos os filhos daqueles de quem estamos falando.

Isso, se eles não ingressarem também no serviço público, no futuro, para usufruir, ao contrário dos comuns mortais, das vantagens e salários - muitas vezes acima do limite constitucional - que pertencem ao mundo exclusivo e perfeito - tão afastado, às vezes, da geopolítica, da estratégia e do entendimento da História - em que vivem e atuam os seus pais.
(Mauro Santayana)

A terceirização é mais um golpe dentro do golpe


Até quarta-feira (22), sem que as forças progressistas do Brasil consigam reagir a tempo e à altura, mais um contundente golpe dentro do golpe será desferido contra os trabalhadores. O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, prometeu a Michel Temer aprovar o escravocrata Projeto de Lei 4302/1998, que dispõe sobre a terceirização das atividades fim das empresas.

A terceirização é uma modalidade de contratação de mão de obra sustentada pela Súmula 331 do Tribunal Superior do Trabalho (TST). Por meio dela, as atividades profissionais passíveis de terceirização circunscrevem-se aos serviços de limpeza, portaria, vigilância, telecomunicações e trabalhos temporários inferiores a três meses.

O PL propõe que todas as atividades de uma empresa sejam terceirizadas, inclusive a sua atividade fim. A aprovação permitirá que escolas contratem empresas que contratam professores; que hospitais contratem empresas que contratam médicos e demais profissionais da saúde, entre outros segmentos profissionais em que a atividade fim possui uma relação visceral com o tomador de serviço e o público atendido.

A modalidade de contratação não é novidade no mundo, mas a completa desregulamentação das relações entre capital e trabalho é observada em países como EUA e Japão, nações altamente industrializadas e com regras claras de manutenção de postos de trabalho. O Brasil é um país eminentemente agrário onde, em 2017, foi divulgada uma lista com 250 nomes ligados à prática do trabalho escravo.

Segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), dos quase quatro mil trabalhadores resgatados em situação análoga à da escravidão, mais de três mil eram empregados terceirizados. Ainda segundo o órgão, a média de permanência do terceirizado no emprego é de 2,6 anos, quando a do contratado direto é de 5,8 anos. O índice de rotatividade entre os terceirizados é de 44,9%, quanto entre os contratados é de 22%.

A primeira consequência da aprovação da matéria será a conversão, em massa, dos contratados diretos, em terceirizados. Para os trabalhadores, isso significa diminuição de salários e a perda dos direitos trabalhistas. De acordo com o Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais do Trabalho (Sinait), a terceirização provoca a precarização da saúde dos trabalhadores, acidentes de trabalho fatais, alto índice de informalidade e o esgarçamento das relações sindicais.

No que se refere o distanciamento do trabalhador com a organização sindical, a medida deixa o dono dos meios de produção e do capital com “a faca, o queijo e a goiabada nas mãos”. Sob as pressões de uma crise financeira, com 13% de desemprego, o trabalhador se submeterá às mais humilhantes formas de exploração da mão de obra, sem que tenha alguma entidade que o proteja, porque ele não será organizado em sindicato algum.

É o paraíso para o ultraliberalismo econômico, tão danoso ao Brasil nos anos 1990, quando o País viveu índices de desemprego e de miserabilidade nunca vistos nos quase 130 anos de República. Segundo o professor da Universidade de São Paulo (USP), o sociólogo Ruy Braga, em cinco anos, os 12,7 milhões terceirizados passarão a ser 30 milhões de pessoas em postos de trabalho precários.

Para dificultar ainda mais a vida do trabalhador e facilitar a do empregador e a do tomador do serviço terceirizado, as obrigações trabalhistas não serão mais solidárias, entre quem contrata o trabalhador e quem toma seu serviço diretamente. Com a aprovação da matéria, a responsabilidade entre as empresas passa a ser subsidiária.

Por meio da responsabilização solidária, o trabalhador pode cobrar direitos trabalhistas tanto da empresa que terceiriza quanto da tomadora do serviço. Com a responsabilização subsidiária, a empresa tomadora do serviço só poderá ser acionada depois de esgotados os bens da empresa terceirizada.

Não são raras notícias de empresas terceirizadas que fecham suas portas ou trocam a razão social e simplesmente não pagam os direitos dos trabalhadores. Desnecessário descrever a relação direta entre o PL e o caráter covarde do governo Michel Temer. Amanhã, dia 22, sob um silêncio sepulcral da imprensa interessada no golpe, será aprovado mais um duro golpe contra a classe trabalhadora do Brasil.
(Enio Verri- deputado federal(PT-PR)/ via blog do Esmael)

Odebrecht pagará 30 milhões para encerrar maior ação por trabalho escravo da história do país

(Obra da Odebrecht em Angola)
O Grupo Odebrecht pagará R$30 milhões para encerrar a maior ação por trabalho escravo da história do Brasil. O acordo firmado na última quinta-feira, 16 de março, põe fim à ação civil pública ajuizada em 2014 pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) em Campinas, que comprovou que o grupo submetia brasileiros a trabalho degradante em Angola. Os empregados haviam sido contratados na cidade de Américo Brasiliense (SP).

O inquérito contra a Odebrecht foi instaurado pelo procurador do Trabalho Rafael de Araújo Gomes a partir da publicação de uma série de reportagens veiculadas pela BBC Brasil, mencionando a existência de inúmeras condenações judiciais reconhecendo a submissão de brasileiros a condições de trabalho análogas à escravidão no país africano.

As obras pertenciam à Companhia de Bioenergia de Angola – Biocom, empresa angolana da qual eram sócios a Odebrecht Angola, empresa do grupo multinacional brasileiro Odebrecht; a Sonangol Holdings, vinculada à estatal petrolífera de Angola; e a Damer Industria S.A, companhia privada que tem como sócios dois generais e o vice-presidente de Angola, substituída pela Cochan S.A. Provas produzidas na ação demonstraram que, em um momento após o início das obras, a Odebrecht Agroindustrial assumiu a gestão do empreendimento, tornando-se a usina angolana, na prática, uma de suas unidades.

As provas produzidas nas dezenas de reclamações trabalhistas movidas contra a Odebrecht e a Pirâmide Assistência Técnica, uma prestadora de serviços da Biocom, revelam que os operários envolvidos em montagens industriais trabalhavam em condições análogas às de escravo, particularmente no que se refere a instalações sanitárias, áreas de vivência, alimentação e água para beber.

Vários trabalhadores adoeceram em razão das condições a que foram submetidos. Na obra havia, em média, 400 trabalhadores registrados em Américo Brasiliense pela Pirâmide. Resultados de exames médicos de trabalhadores que retornaram de Angola, encaminhados pelo Departamento Municipal de Saúde da Prefeitura de Américo Brasiliense, mostram que vários operários apresentaram febre, dor de cabeça, dor abdominal, diarreia, náuseas, fezes com sangue, emagrecimento, e alguns apresentaram suspeita de febre tifoide.

Em depoimentos prestados à Justiça, os trabalhadores relataram que os ambientes na obra eram muito sujos e os banheiros, distantes do local de trabalho, permaneciam sempre cheios e entupidos, obrigando-os a evacuar no mato. Os relatos revelam ainda que a água consumida era salobra e a comida, estragada.

Outros depoimentos deram conta de que era consumida uma carne vermelha que se imaginava ser bovina. No entanto, a partir de informações do próprio cozinheiro, os trabalhadores descobriram tratava-se de carne de jiboia. Dentro da cozinha do refeitório era comum a presença de baratas e ratos; depoentes alegaram ter visto um rato morto entre os pratos. Quando um dos operários se deparou com um macaco na cozinha, desistiu de comer no local, pois sabia que o animal seria morto e servido aos trabalhadores como refeição.

Provas reunidas pelo MPT demonstram que os trabalhadores brasileiros foram também submetidos ao cerceamento de sua liberdade, inclusive mediante a apropriação de documentos com o propósito de serem mantidos confinados no canteiro de obras. Chegando a Angola, o procedimento adotado pela Biocom/Odebrecht era de imediatamente tomar todos os passaportes, documento de identificação indispensável à salvaguarda dos direitos do estrangeiro. Além disso, não era disponibilizado aos trabalhadores qualquer transporte para sair do canteiro de obras, ainda que aos finais de semana e nas folgas.

Além da indenização por danos morais coletivos, o grupo deverá cumprir as obrigações impostas na sentença de primeira instância. Constam como rés as empresas Construtora Norberto Odebrecht S.A., Odebrecht Serviços de Exportação S.A. (antes denominada Olex Importação e Exportação S.A.) e Odebrecht Agroindustrial S.A. (antes denominada ETH Bioenergia). Os valores serão pagos em 12 parcelas de R$ 2,5 milhões, a serem destinados para projetos, iniciativas ou campanhas que revertam em benefício da coletividade, mediante aprovação conjunta do MPT, autor da ação civil pública, e do TRT da 15ª Região.

Consta da conciliação as seguintes obrigações, a serem cumpridas pelas rés: deixar de realizar, promover, estimular ou contribuir para a submissão de trabalhadores à condição análoga a de escravo, sob pena de multa de R$ 100 mil por trabalhador; jamais realizar, promover, estimular ou contribuir com o aliciamento nacional ou internacional de trabalhadores, sob pena de multa de R$ 100 mil por trabalhador; não utilizar em seus empreendimentos no exterior mão de obra contratada no Brasil mediante contrato de trabalho enviado ao país estrangeiro sem o visto de trabalho já concedido pelo governo local, sob pena de multa de R$ 60 mil; e não realizar, promover, contribuir ou se aproveitar da intermediação de mão de obra (merchandage), inclusive com o envolvimento de aliciadores, intermediadores ou “gatos”, em desacordo com a lei, salvo em caso de trabalho temporário, sob pena de multa de R$ 50 mil.

A sentença foi dada em 2015 pela 2ª Vara do Trabalho de Araraquara representou a maior condenação de um grupo por trabalho escravo na história da Justiça do Trabalho, no valor de R$ 50 milhões de dano moral coletivo.
(Ministério Público do Trabalho- Campinas- SP/ via Socialista Morena)

segunda-feira, 20 de março de 2017

Não é só transposição: cisternas garantem água a 4,5 milhões de sertanejos


Foto: Ana Nascimento/MDS

A instalação de 1,2 milhão de cisternas para consumo humano, pelos governos de Lula e Dilma Rousseff, garantiu água durante a maior seca das últimas décadas no Nordeste. Esta é uma das principais conquistas sociais que ajudaram a melhorar a vida de 4,5 milhões de nordestinos e faz parte de um conjunto de políticas públicas dos últimos 13 anos que permitiram a permanência dos sertanejos no Semiárido.

A concentração de riquezas, indústrias e investimentos no Sudeste provocou, durante décadas, uma migração interna que esvaziou terras no Nordeste e superpovoou as periferias no eixo Rio-São Paulo. Por causa das políticas de crescimento dos governos Lula e Dilma, hoje nem mesmo com a seca os nordestinos precisam tentar uma vida melhor longe de casa.

É verdade que a seca é um importante problema climático, mas que agora tem seu impacto social reduzido. Pela primeira vez, não se vê migração em massa para o Sudeste e tampouco situações de saques a mercadinhos e feiras e invasões a cidades, tão comuns no passado.

"O acerto da política foi o conceito de conviver com o semiárido. Não dá para combater a seca, seria como combater a neve. E não tem uma saída mágica. São várias soluções juntas, que se somam. A grande obra do São Francisco que complementa a grande obra que foi construir 1 milhão e duzentas mil cisternas de água para beber, numa área que equivale a 4 vezes a ilha do Reino Unido", afirma Tereza Campello, ex-ministra do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome.

Segundo ela, a cisterna é uma invenção do sertanejo, que a Articulação do Semiárido, a ASA, transformou em projeto e os governos Lula e Dilma transformaram em política pública. "Com as cisternas, 4,5 milhões de pessoas passam a ter água para beber. Água democrática, que cai da chuva e é armazenada na cisterna", diz Teresa.

As cisternas amenizaram a seca e tiraram um peso da cabeça das mulheres. Por isso, são elas e as crianças as mais beneficiadas. "Em média, uma mulher andava 1,5 horas por dia para buscar água. Imagina, andar uma hora e meia no sol e voltar carregando água na cabeça? Nós não conseguimos imaginar. Todo dia", enfatiza Tereza.

"Uma vez, uma agricultora me contava que levantava às 3 da manhã e ia no escuro para chegar antes do bichos. É como se ela fosse o primeiro bicho a chegar e beber a água antes dela estar mexida, ficar barrenta e suja. Outra contou: agora eu sei como é o gosto do café, antes eu fervia água salobra. Essas histórias vão se somar às novas, do sertão da Paraíba com aquele mundão d'água do velho Chico chegando. Estamos mudando a paisagem do semiárido", comemora.

Para saber mais sobre as conquistas sociais que ajudaram a transformar o Nordeste, acesse o site do Brasil da Mudança.
(Lula.com.br)

Barbárie. Homens armados invadem hospital e executam trabalhador rural no Pará


O trabalhador rural Waldomiro Costa Pereira foi assassinado nesta segunda-feira (20) por um grupo de homens armados que invadiu o Hospital Geral de Parauapebas, no sudeste do Pará, onde ele estava internado. Em nota, a Coordenação Estadual do MST paraense lamentou o ocorrido.
Waldomiro, que não participava no período recente de instâncias de direção do MST no estado, era militante do Partido dos Trabalhadores e havia assumido um cargo de assessoria na Prefeitura da cidade.
Vigilantes do hospital relataram que, por volta de 2h30, foram rendidos por cinco homens encapuzados que portavam armas e chegaram em duas motocicletas. Três deles entraram no prédio em direção à UTI. A ação durou cerca de três minutos e foi registrada pelas câmeras de segurança do hospital. A Polícia Civil de Parauapebas já abriu um inquérito para investigar o caso.
A nota divulgada pelo MST destaca que Waldomiro contribuiu, desde 1996, para a luta pela Reforma Agrária. A vítima era assentada no Assentamento 17 de abril, onde atuava desde sua ocupação.
"É com extrema tristeza que lamentamos sua morte e prestamos solidariedade a sua esposa, filhos, e toda a sua família neste momento de dor e indignação. O MST desconhece os motivos do assassinato. Como movimento de luta pela vida, repudiamos toda e qualquer forma de violência contra homens e mulheres. Esse é mais um assassinato de trabalhadores no Estado do Pará em que o governo é culpado por sua incompetência em cuidar da segurança da população". A  nota também ressalta que o crime foi "praticado em função da negligência do Estado em apurar e punir os crimes dessa natureza".
O MST também exigiu uma resposta das autoridades para julgar "tamanha brutalidade cometida por um estado de violência que representa a banalização da vida em nossa sociedade".
Em nota, a Prefeitura de Parauapebas, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, informou que disponibilizará todas as imagens do circuito interno de gravação do hospital para as autoridades policiais.
(Vanessa Martins Silva/ Brasil de Fato)

Breve resumo da farsa: a carne era uruguaia, os convidados não eram trouxas e o anfitrião um vigarista


Neste domingo (19), Michel Temer convocou a imprensa, chamou ministros e embaixadores de países que importam os produtos brasileiros para rebater a operação Carne Fraca da Policia Federal. No final da entrevista, Temer convidou os embaixadores para jantar em uma churrascaria para provar que podem continuar comprando a carne do Brasil que não há problema no consumo de produtos de origem animal fiscalizados pelo Ministério da Agricultura. Mas a encenação do Temer não resistiu um dia. Hoje, o jornal O Estado de São Paulo, estampou manchete: "“A gente não trabalha com carne brasileira”, diz gerente de churrascaria de Temer" Ou seja. Temer faz propaganda de carne importada de outros países aos compradores de nossas carnes.

Rodrigo Carvalho, um dos gerentes da churrascaria Steak Bull, afirmou que o restaurante não serve carne bovina brasileira, “só trabalha com corte europeu, australiano e uruguaio”. Disse ele: “A gente trabalha com transparência, quando a senhora vir aqui, pode me procurar que eu mostro a nossa câmara fria, mostro nosso açougue”.

O presidente Michel Temer levou neste domingo uma comitiva para a Steak Bull com o objetivo de referendar a qualidade da carne nacional, após a Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, revelar irregularidades envolvendo frigoríficos.

Leia a íntegra:

Boa noite, gostaria de saber da procedência da carne servida na churrascaria…
As nossas carnes são red angus, picanha australiana, picanha uruguaia… A gente não trabalha com carne brasileira, só européia, australiana e uruguaia.
Há uma preocupação…
É eu sei, eu vou facilitar para a senhora. Eu trabalhei dez anos no Porcão, dois anos no Fogo de Chão. A gente não trabalha com marcas nacionais, mesmo porque a qualidade delas caiu há três anos, é só marketing mesmo.
Entendi…
A gente trabalha com transparência. Pode me procurar que eu mostro a nossa câmara fria, mostro nosso açougue.
Nem a costela é brasileira?
A costela nossa é uruguaia. A gente estava trabalhando com uma costela (marca nacional), mas de boi europeu. Fique à vontade para conhecer nossos açougues, nossas carnes. Você chega aqui e a gente mostra com transparência
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(Os Amigos do Presidente Lula)

A tarja encobre o nome de um larápio


Na semana passada, o presidente do PSDB e senador, Aécio Neves, pediu ao Tribunal Superior eleitoral (TSE) que seu nome fosse excluído do depoimento de Benedicto Barbosa, ex-presidente da Odebrecht, que acusava o senador de receber propina da construtora. Aécio, não teve o nome excluído, mas ganhou do ministro Herman Benjamin do TSE, uma tarja preta toda vez que tivesse o nome citado. Mas o senador não teve muito tempo para usufruir do mino. Mal a semana terminou, a imprensa vazou a "Lista do Janot". Com os depoimentos de Marcelo Odebrecht e Henrique Valladares, ex-executivos da Odebrecht, na Procuradoria-Geral da República, divulgada neste domingo, Aécio se tornou o campeão de pedidos de investigações para o Supremo Tribunal Federal (STF) na lista do procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

A Odebrecht acusa o senador Aécio Neves de acertar um "repasse" – palavra escolhida pela mídia tradicional para usar no lugar de "propina", quando se trata de denúncias contra o PT – de R$ 50 milhões após a construtora, juntamente com a Andrade Gutierrez, vencer o leilão para a construção da hidrelétrica Santo Antônio, em Rondônia, em dezembro de 2007. Outras delações complementaram as informações: a Odebrecht se comprometeu a depositar R$ 30 milhões para o senador tucano, enquanto a Andrade Gutierrez faria o "repasse" dos R$ 20 milhões restantes.

Na época, Aécio exercia seu segundo mandato como governador de Minas e tinha sob seu comando uma das empresas que integravam o consórcio que ganhou a disputa, a Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais). Aécio tinha, ainda, influência sobre o principal investidor da usina, a empresa Furnas (Furnas é a principal acionista da Santo Antônio Energia, com 39% do capital).

O segundo depoimento devastador para o senador tucano, vazado nesse domingo é de Henrique Valladares, ex-executivo da Odebrecht, que revelou que Aécio recebeu milhões de dólares em propina numa conta secreta em Cingapura em nome de um amigo. Ele afirma que Aécio mantinha esquema com Dimas Toledo, ex-dirigente de Furnas. O pagamento em Cingapura foi vinculado a benefícios obtidos pela empreiteira em Furnas, diretamente a investimentos no Rio Madeira.

De acordo com depoimentos de executivos, Aécio também é acusado de receber propina pelas obras da Cidade Administrativa, sede do governo de Minas Gerais.

Se por um lado o senador tucano está enroladíssimo com as acusações de ex-executivos de construtoras, a família do tucano só não virou o centro de escândalos nas páginas dos jornais por que a imprensa abafou o caso

Durante a Operação Eficiência no início desse mês, a Polícia Federal encontrou uma planilha na residência do ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB), com nomes, e quantias que cada um teria recebido no esquema de corrupção em que é apontado como chefe durante seu governo. Cabral foi preso no ano passado pela Operação Calicute, que investigava desvio de recursos públicos federais em obras realizadas pelo governo do estado do Rio de Janeiro. As operações Eficiência e Calicute resultaram em dois pedidos de prisão contra o ex-governador Sérgio Cabral.

Dois nomes citados no documento foram blindados e ocultados na imprensa, que usam e abusam nas manchetes de expressões como "amigo de Lula", "filho do Lula", "parente de Lula", "aliado de Lula’, numa tentativa de associar o ex-presidente a denúncias de corrupção.

Pois mais uma vez a mídia tradicional não fez a mínima questão de informar que entre os destinatários de pagamentos listados estão a ex-sogra e a ex-cunhada de Sérgio Cabral. A primeira é Angela Neves Cunha, irmã do presidente do PSDB. A segunda é sobrinha de Aécio, Nina Neves.

De acordo com a Polícia Federal, as duas foram beneficiadas com R$ 37,5 mil mensais cada uma. Os pagamentos teriam ocorrido entre agosto de 2014 e fevereiro de 2015", indica a planilha em poder da Polícia Federal

Em janeiro passado, início da Operação Eficiência, a ex-mulher de Cabral, Susana Neves Cabral, neta de Tancredo Neves, prima do vice-governador do Rio, Francisco Dornelles (PP), e do senador Aécio Neves, foi conduzida coercitivamente para prestar depoimento na Polícia Federal e Ministério Público Federal do Rio.

Susana, que está sendo acusada de lavagem de dinheiro e corrupção passiva, contou que recebia de R$ 5 mil a R$ 20 mil por mês do ex-marido como uma "pensão informal". Mas nas planilhas obtidas pelo MPF sobre os gastos de Cabral, há registros que entre 2014 e 2016, Suzana teria recebido R$ 883 mil em propina.

Para justificar o valor, Susana disse que trabalha como assessora do deputado Jorge Picciani, presidente da Alerj e presidente do PMDB no Rio. Segundo a Polícia Federal, o valor pago pode ser muito maior, como vem mostrando as investigações, já que só uma parte da planilha foi analisada.

Na decisão que autorizou a condução coercitiva, o juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Criminal do Rio, afirmou que Susana é pessoa "direta e constantemente beneficiada com vultosas transferências de valores, ao que parece obtidos pela atuação ilícita da Organização Criminosa descrita", descreve o magistrado.

Como chamar a rede familiar montada pelos Neves para o recebimento de "repasses"? Seria nepotismo de corrupção?
(Rede Brasil Atual)

MT anuncia providências a respeito da carne, mas poupa o assecla do "grande chefe"


Em reunião com cerca de 40 representantes de países importadores de carne brasileira, MT conseguiu prometer maior rigor na fiscalização dos frigoríficos, anunciou celeridade nas auditorias que serão feitas nos estabelecimentos envolvidos no esquema criminoso e minimizou os problemas surgidos com a operação 'Carne Fraca', ponderando serem os mesmos pontuais.

Mas não disse palavra a respeito de seu ministro da justiça, que chamava de "grande chefe" para o capo da quadrilha acusada de adulterar o produto, assumindo-se como membro da gangue.

MT lembrou que de 11 mil servidores que prestam serviços ao Ministério da Agricultura, apenas 33 estão envolvidos na máfia da adulteração da carne, recebendo suborno(propina) para agir dolosamente contra os interesses comerciais do país, bem como contra a saúde da população brasileira.

Mas é exatamente entre esses trinta e três patifes que está o "grande chefe" de Osmar Serraglio, o indecoroso ministro que usou tráfico de influência há pouco mais de uma ano a fim de impedir que o nefasto fiscal do MA fosse exonerado e investigado por corrupção.

Ao negligenciar esse fato, MT joga por terra qualquer credibilidade que compradores de outros países, e mesmo os brasileiros ressabiados,  possam ter em relação a eventuais boas intenções nas palavras do usurpador.

Verborragia pseudo austera sem a devida companhia de gestos efetivos na perspectiva de tomar providências para extirpar essa prática delinquente cai no vazio e deve necessariamente ser ignorada, mantendo-se o risco de aprofundarem as proibições de comercialização do produto brasileiro, justamente pela falta de credibilidade governamental.

Mesmo que esteja patente o vedetismo policial, a irresponsabilidade persecutória que continua causando prejuízos ao país em troca de convicções destrambelhadas, nesse caso, precisamos de maiores esclarecimentos a respeito daquilo que não brecado a tempo porque um parlamentar irresponsável quebrou lanças pra preservar a impunidade de seu "grande chefe", contribuindo para estragar ainda mais um setor importante da nossa economia.

Por isso, enquanto não apurarem as responsabilidades diretas que investigadores e investigados têm nesse enorme prejuízo dado ao país, inclusive do atual ministro golpista da justiça, em tese superior hierárquico da PF, continuaremos vendo apodrecer nossas relações comerciais e institucionais. Resta saber se esse aventureirismo que aí está é apto pra estancar a sangria desatada oriunda desse episódio.  

A (má) intenção, o gesto(magnânimo) e o ressentimento











Além do acontecimento histórico de derramar água no sertão castigado pela seca, a transposição do rio São Francisco carrega uma característica administrativa que marca definitivamente a diferença entre vontade política e o tradicional cacoete de iniciar uma obra pela expectativa midiática, exaurindo parte dos recursos de eventual obra no marketing e praticamente o principal.

Compare-se, por exemplo, com o programa de despoluição do rio Tietê, no estado de São Paulo, daí tirando algumas conclusões importantes a respeito da dependência midiática de Geraldo Alckmin para manter-se no poder; enquanto Lula é idolatrado pelo povo nordestino sem precisar de mimos midiáticos, antes, ao contrário.

Enquanto a obra que atravessa cinco estados, beneficia 320 municípios e mais de 12 milhões de seres humanos foi concluída em pouco mais de dez anos, isto sofrendo resistências diversas para consolidar-se, a obra restrita a apenas um estado já dura 24 anos, sem que se tenha garantia de quando será concluída, se é que será.

Enquanto a transposição das águas de um rio construiu 700km de canais para viabilizar-se a um custo estimado de R$8,2 bilhões, o governo de São Paulo já gastou R$8,1 bilhões, em 24 anos, e não consegue despoluir 137km daquele rio.

Enquanto o governador do estado de São Paulo é tratado como administrador sério pela mídia sua cúmplice, Lula é visto por aquela corporação como a personificação de todos os males que afligem a administração pública.

Mas Lula deu início e grande impulso na monumental obra. Mais: elegeu sua sucessora que deu continuidade só não concluindo porque foi apeada do poder legítimo que exercia por um golpe político/jurídico/midiático.

Já a obra de um dos queridinhos da mídia não tem previsão de conclusão, isto reconhecido pelos próprios aliados, o que demonstra a distância que há entre a nefasta encenação da gestão séria dos recursos públicos.

Enquanto isso, um juiz com índole de carrasco vai às redes sociais auto glorificar-se, ressentido que ficou com a consagração popular daquele que passou de investigado a objeto de caça. Talvez esse verdugo togado tenha tido, pela primeira vez, contato com a magnanimidade de um autêntico líder das massas e percebido o quão é arriscado brincar com a força do povo.

domingo, 19 de março de 2017

A IMAGEM QUE DESMONTA TODA A PUBLICIDADE FARSANTE DOS GOLPISTAS


O avesso, do avesso, do avesso, do avesso...Ou, estão alando o boi?


Tem pinta de que o rabo abanou o cachorro, nessa nomeação, pelo governador Simão Jatene, do procurador Gilberto Valente pra comandar o Ministério Público estadual, menos pelo fato de não ter sido o mais votado da lista enviada ao governador, que nunca deu muita importância a esse fato; mais porque a nomeação de Valente preteriu aquele que era tido como  a continuidade administrativa do parquet, totalmente afinada com o governo tucano.

Fica ainda mais inusitada a situação quando o Repórter Diário, coluna do jornal Diário do Pará, oposicionista ao governador, elogia a nomeação e projeta um futuro de independência na atuação do MPE em relação ao governo do estado.

Claro que não foi o natal que mudou, mas os protagonistas desse enredo: Simão nomeando alguém visto com bons olhos pelos opositores, estes elogiando a escolha do governador, quando o esperado era que chovessem críticas pelo desprezo à decisão da corporação.

Convém lembrar que Valente já trabalhou no Conselho Nacional do Ministério Público, sob as bençãos do tucano togado Gilmar Mendes, o mais notório político da atualidade, pelo menos no campo do golpismo, onde opera a convivência entre pemedebistas e tucanos no âmbito nacional, colocando sob sua toga todos aqueles das duas legendas flagrados assaltando os cofres públicos.

Isto, talvez, sugira uma explicação a esse pacto furtivo entre os adversários políticos cá do Pará. Todavia, não diminui o estranhamento a respeito do governador abrir mão do comando do orgão que o fiscaliza, no momento em que poderia ser alvo de várias denúncias contra si, aproximando-se da reta da sua sucessão.

O mais provável, entretanto, é que o Diário do Pará "esqueça" daqui pra frente do caso Cerpasa, em troca do corpo mole de Jatene na sucessão estadual, aumentando ainda mais o favoritismo de Helder nessa corrida.

Resta saber se essa tratativa é do conhecimento dos "russos" Pioneiro e Zenaldo Jr, bem como se o pacote envolve blindagem a ambos, desde que não encham o saco com ambições sucessórias que atrapalhem as articulações do governador.

Claro que tudo isso é só uma matutada a respeito do inusitado fato. Que pode consolidar-se em forma de fábula política, isto é,  ir da situação em que o rabo abana o cachorro, passando ao sempre recorrente o voo do bovino, regularmente visto nos céus do Pará, sempre em ano eleitoral. Humhum.

Os verdadeiros ladrões


O escândalo provocado pela 'Operação Carne Fraca' só foi possível porque o atual ministro, o ladravaz Osmar Serraglio, conseguiu mobilizar a bancada parlamentar do PMDB pra pedir que a então ministra da agricultura Kátia Abreu não exonerasse das funções o celerado fiscal agropecuário Daniel Gonçalves Filho, comandante de toda a canalhice de atestar sanidade à carne podre que os frigoríficos vendiam dentro do país, a exportada deve ter outro tratamento.

Na mesma linha de depravação, a patética delação de Marcelo Odebrecht revelando ter depositado uma propina US$50 milhões em Cingapura, na conta do presidente do PSDB Aécio Neves, constitui-se algo tão grave que deveria merecer do Poder Judiciário atitude diversa da atualmente adotada, só dar ênfase ao que interessa a mídia, criando uma outra Operação Lava Jato que passasse a limpo a atual, esta baseada meramente em convicções e extremamente leniente com bandidos desse calibre.

A essa altura, manter presos João Vaccari e José Dirceu, enquanto Aécio e Serraglio não só estão soltos como desempenhando papeis relevantes na estrutura podre do golpismo, só se justifica pela obsessão politiqueira de evitar que Lula, favorito em pesquisas, tenha a oportunidade de voltar a governar o país.

José Dirceu, aliás, foi vítima na semana passada de uma segunda condenação, sob a acusação de receber propina da Petrobras, enquanto seus corruptores foram absolvidos; enquanto Vaccari é o único tesoureiro de partido político que se encontra preso, mesmo diante de tanto assalto cometido por várias legendas, principalmente as que comandaram o golpe contra a democracia.

No meio de toda essa canalhice aventureira, somente o STF tem meios de no curto prazo impedir institucionalmente que o país desça ainda mais uma parte dessa ladeira que leva ao pântano, anulando o processo viciado que levou um ladravaz à presidência do país de forma espúria, escudada em processo idem, comandado por um comparsa ora preso.

Caso contrário, o povo fatalmente terá que estancar essa queda total na lama, isto implicando criar-se uma situação convulsiva com consequências imprevisíveis. Todavia, do jeito que está é impossível continuar, sob pena de regredirmos aos tempos do desabastecimento de gêneros de 1ª necessidade, diante desses ladrões que mostram disposição de roubar até o último tostão do dinheiro público.

sábado, 18 de março de 2017

Acusados, citados na CPI das Milícias em Belém, vão a júri popular


Em novembro de 2014, onze jovens foram assassinados em Belém do Pará, após a morte do Cabo Antônio Marcos da Silva Figueiredo (Cabo Pety), membro da Rota Ostensiva Tática Metropolitana da Polícia Militar.

Apenas duas das vítimas tiveram os inquéritos concluídos, como parte da chamada CPI - Comissão Parlamentar de Inquérito de Grupos de Extermínio e Milícias no Estado do Pará. Os acusados, o cabo reformado Otacílio José Queiroz Gonçalves, conhecido como Cilinho, e José Augusto da Silva Costa, o Zé da Moto, irão a júri popular entre os dias 21 e 23 de março. Os demais inquéritos foram arquivados com autoria indefinida.

Felipe Galucio Chaves, de 16 anos, foi uma das vítimas do que ficou conhecida como a "Chacina de Belém", e terá seu caso julgado na próxima semana. Assassinado no dia 4 de novembro de 2014, Felipe dizia que quando crescesse queria ser policial. Sua avó, Maria Auxiliadora Galucio Neves, falou à reportagem sobre suas lembranças dos momentos que tinha com o neto, que considerava um filho.

"Eu trabalhava aqui na frente, você viu que está um pouco abandonado porque eu vendia churrasco com meu filho. Ele vinha do colégio Celso Malcher. Ele saia daqui 7 horas (19h), ele colocava a mesa, cortava os limões, arrumava tudinho. Deixava e ia para a aula, quando vinha ele tirava comigo. Eu não tenho mais vontade de fazer isso".

Paulo Fonteles Filho, membro do Instituto Paulo Fonteles de Direitos Humanos, acredita que a atuação de grupos de milícia no Brasil caracteriza uma ausência de Estado.

"Que tipo de segurança pública nós temos no Brasil hoje? Qual é a visão, qual é a mentalidade, concretamente? Então é um problema que precisamos enfrentar. E o resultado desse julgamento será decisivo, vai ser uma tragédia para a juventude de Belém e todo nós se esses caras não forem condenados, porque isso é um permisso para mais violência.

Enquanto isso, as chacinas realizadas por milícias continuam sendo um problema grave em Belém. Em janeiro deste ano outra ronda de homicídios rondou a capital paraense. Após a morte do Policial Militar Rafael da Silva durante uma operação no dia 20, 35 pessoas foram assassinadas.
(Daniela Stefano/ Brasil de Fato)

Carne podre da corrupção chega à nossa mesa


Outro dia, diante da multiplicação das denúncias de casos de corrupção em todas as áreas da vida nacional, eu me perguntava aqui: o que falta ainda?

Nesta sexta-feira, ficamos sabendo que a corrupção da carne podre chegou à mesa do brasileiro.

Nada poderia sintetizar melhor o conluio criminoso entre agentes públicos, partidos políticos e grandes conglomerados econômicos.

Indicações de fiscais federais de inspeção eram feitas muitas vezes pelas próprias empresas interessadas, com a prestimosa ajuda de parlamentares por elas financiados nas campanhas eleitorais.

Em troca de propinas, 33 fiscais do Ministério da Agricultura liberavam estoques de produtos imprestáveis para o consumo e forneciam certificados sanitários adulterados.

É disso que trata, em resumo, a Operação Carne Fraca desencadeada por 1.100 agentes da Polícia Federal, que investigaram 32 empresas, entre elas as duas maiores do país, a JBS e a BRF (Sadia e Perdigão).

As duas empresas juntas distribuíram R$ 384,9 milhões em doações oficiais, sem falar em Caixa 2, durante a eleição de 2014.

A maior doadora individual foi a JBS, dona das marcas Friboi, Seara e Big Frango, entre outras, que entrou com R$ 366,8 milhões rateados entre 25 partidos.

Segundo o delegado Maurício Moscardi Grillo, entre os partidos envolvidos no esquema investigado pela Operação Carne Fraca estão o PMDB e o PP.

O deputado federal Osmar Serraglio (PMDB-PR), recentemente nomeado para o Ministério da Justiça, aparece numa gravação em que chama o fiscal Daniel Gonçalves Filho, suposto líder do esquema, de "grande chefe", ao intervir a favor de um frigorífico.

Por não encontrar "indícios de ilegalidade", porém, a PF resolveu não incluir o ministro nas investigações.

Para se ter uma ideia do estrago provocado por esta organização criminosa na mesa do consumidor brasileiro e na economia nacional, basta lembrar que o Brasil é o maior produtor mundial de carne bovina e de frango, área responsável por 7,2% das nossas exportações (US$ 11,6 bilhões em 2016).

Produtos vencidos eram tratados com ácido sórbico (produto que pode causar câncer) e chegavam até a merenda escolar.

"Inúmeras crianças de escolas públicas estaduais do Paraná estão se alimentando de merendas compostas por produtos estragados", alertou o delegado Moscardi Grillo em sua denúncia.

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, do PP, um dos partidos que apareceu envolvido no esquema, correu para estancar os prejuízos: "Esse é um assunto que não é só de polícia. É muito grave para o país, com riscos de imagem e de perda de mercado".

Ainda neste final de semana o ministro pretende falar com o adido comercial da União Européia e embaixadas dos países importadores.

As empresas denunciadas apressaram-se em divulgar notas oficiais e anúncios para negar irregularidades e garantir que cumprem todas as normas, exatamente como fazem os partidos e os políticos denunciados na Lava-Jato.

Vida que segue, mas muito cuidado: a corrupção agora pode matar pela boca.
(Balaio do Kotscho)

sexta-feira, 17 de março de 2017

JÁ FEDE ANTES DE CHEGAR AOS INTESTINOS


(Foto de Tâmara Andrade)

Delírios de um anormal


Prenderam o dono da Friboi. Não era o Lulinha. Este continua vivendo modestamente em São Bernardo(SP), comparando-se a vida que leva com a daquele que hoje foi em cana.

Assim como o pai de Lulinha, que continua morando também em São Bernardo e no mesmo apartamento, há 23 anos.

No entanto, aquele fanático religioso travestido de procurador continua obcecado por Lula e hoje recorreu ao seu imaginário fascista pra dizer que Lula é como um "um general em crime de guerra" , isto é, "pratica crimes a partir de seu gabinete".

Em seu delírio persecutório, o tarado em tela parece imaginar que Lula continua mandando no país, como se ainda fosse presidente.

Curioso é que outros três ex-presidentes, levando vidas mais faustosas que Lula, não sofrem esse tipo de assédio social. Sarney, tido como dono de metade do estado do Maranhão, vive tranquilamente, mesmo depois de delatado; FHC documentadamente beneficiário do mais imoral esquema de roubo da história recente do país, mas parece estar acima da lei e das convicções torpes de procuradores idem; Collor até chegou a ter carros da sua frota de luxo apreendidos, mas foi por breve período e continua vivendo seu bembom.

Mas, para o irado togado, Lula comanda o crime organizado do país diretamente da caverna que povoa os pesadelos desse bestunto.

Essa figura doentia lembra o filme de François Truffaut, 'A História de Adèle H', que conta a obsessão da filha do escritor Vitor Hugo na busca do marido que a abandonou desde que foi lutar nas guerras napoleônicas.

A jovem alimenta o sonho da volta daquele que já levava outra vida, coisa que ela desconhecia. A cena síntese do filme é quando ela, perambulando pelas ruas, passa por ele e nem se dá conta, pois o transtorno mental não permite que ela consiga discernir o que busca. Só sabe que busca algo. Qualquer semelhança não é mera coincidência.

O Queremismo está de volta


Conversei esta semana com o ex-presidente Lula. Fui parabenizá-lo pelo verdadeiro, competente e destemido depoimento ao juiz Ricardo Soares Leite, da 10ª Vara Federal, em Brasília. Nenhum outro presidente do Brasil, em 127 anos de República, foi submetido a tamanha devassa em sua vida privada quanto o ex-presidente Lula. Nem mesmo Getúlio Vargas e Juscelino Kubistchek tiveram suas vidas tão investigadas. Concordo com o ex-presidente Lula: "um verdadeiro massacre diário".

Sou a favor da Operação Lava Jato. Entendo, em que pese alguns pontos fora da curva, que ela presta um grande serviço ao país. Tenho certeza que, ao final de todo esse doloroso processo, não vão conseguir incriminar o ex-presidente Lula. Evidentemente, para desgosto daqueles que querem tirar o ex-presidente da cena política brasileira.

Em 2018, Lula será candidato mais uma vez a presidente da República. No próximo domingo (19/03), estarei acompanhando o ex-presidente na cidade de Monteiro, na Paraíba, onde iremos celebrar a obra mais importante que, em quase 517 anos, já se realizou no Nordeste brasileiro.

Muito mais que levar água para o povo sertanejo, a transposição do Rio São Francisco significa o compromisso de um presidente com os menos favorecidos, com o Estado de bem-estar social, com a política de inclusão social.

Queiram ou não queiram os nossos adversários, foi o ex-presidente Lula quem permitiu filho de pobre estudar Medicina; quem multiplicou universidades pelo País afora; quem possibilitou pobre andar de avião; quem aumentou e valorizou o salário mínimo do Brasil; quem pagou a dívida com o Fundo Monetário Internacional (FMI) que vivia aqui dentro dando ordens. Isso só para citar algumas das conquistas do povo brasileiro nos governos do ex-presidente Lula.

Quem conhece a história do Brasil sabe do Movimento Queremista que envolveu o País em 1945. Naquela época, os queremistas defendiam a permanência de Getúlio Vargas na Presidência. Getúlio não ficou, mas os queremistas o trouxeram de volta em 1950. Agora, surge um novo Queremismo no Brasil. Desta vez, eles pedem a volta do ex-presidente Lula. São milhões de Lula neste País.
(Silvio Costa/247)

A arrogância, a esperteza e a necessidade


Nessa entrevista da Dilma, em que ela afirma ser o Brasil atualmente governado por ladrões, o que mais chama a atenção é o reconhecimento, por parte dela, do erro em entregar a coordenação política do governo a esses que sabia serem assaltantes.

O dito erro salta ainda mais aos olhos quando lembramos que, junto com essa entrega, foi havendo uma paulatina 'deslulização' do gabinete dilmista, isto cinco anos após a primeira eleição dela em 2010. Figuras centrais do projeto de governo, como Gilberto Carvalho e Franklin Martins, entre outros, jamais poderiam ser afastados em prol dos notórios gatunos que ela cita.

Depois, tudo ficou na conta da eleição de Eduardo Cunha à presidência da Câmara, como se esse fato por si só explicasse o desmoronamento da base aliada do governo Dilma, obviedade desmentida pelos fatos, conforme colocaram de forma cifrada no STF Dias Toffoli e principalmente Gilmar Mendes, julgando uma ação do governo contra as manobras de Cunha para encaminhar o pedido de impeachment,  ao declararam mais ou menos isso: um governo que não conta com 171 deputados mais um para defende-lo não tem como existir.

Obra de Cunha? Apenas a operação parlamentar. A logística do golpe havia sido garantida quando Temer fez beicinho, chorou baixinho e ganhou a coordenação política do governo, saudada por Mercadante como a recomposição da base aliada no Congresso

Tolice. Temer chamou Padilha e este rastreou o organograma governamental para distribuir cargos e desestabilizar Dilma pelo parlamento. A recusa de deputados petistas votar contra Cunha no processo da Comissão de Ética foi mais álibi do que fato concreto. Não fosse aquele, seria outra ocorrência que levaria Cunha a formalizar pedido de abertura de processo contra a presidenta.


De fato, àquela altura o golpe estava praticamente consumado via parlamento, este, diga-se, blindado pelo STF, fiel ao mantra dos seus ministros a respeito da necessidade de ter 1/3 mais um dos integrantes da Câmara para impedir processos daquela natureza, mesmo esses surgidos na esteira de argumentações espúrias, como foi o caso.

Dilma sabia com quem lidava, diz ela. Todavia, parece que seus mais ilustres auxiliares, José Eduardo Cardozo e Aluisio Mercadante, não tinham a mesma noção, daí acreditarem que o tal afastamento dos lulistas do staff palaciano significaria livrar-se da sombra de Lula e dar ao governo cara própria.

A tentativa de nomeação às pressas de Lula para a Casa Civil, de fato, seria fator de estancamento do golpe, tanto que provocou algumas das mais sórdidas manobras da história do Poder Judiciário: o grampo morista à presidenta do país e a decisão de Gilmar Mendes impedindo a nomeação de Lula, baseada na canalhice anterior.

Resumo da trapalhada republicana: tiraram a operação política das mãos de lulistas a pretexto de dar fisionomia própria ao governo Dilma; transferiram para as mãos dos ladrões que Dilma sabia como agiam; no sufoco, chamaram Lula para tentar salvar a lavoura; porém, não havia mais tempo pra salvação e hoje as "pragas" deitam e rolam, enquanto o povo sofre as consequências.

É o que dá técnicos arrogantes chamarem pra si a idiotice, auto tratada como virtude, de mexer em que time que há 12 anos só ganhava de goleada, permitindo a virada do adversário. Mais uma vez, só Lula pode revirar o jogo. Credo!