Jorge Paz Amorim

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Belém, Pará, Brazil
Sou Jorge Amorim, Combatente contra a viralatice direitista que assola o país há quinhentos anos.

sábado, 3 de dezembro de 2016

Mais uma "virgem de meretrício" é desmascarada


O empresário Giovani Guizardi afirmou em acordo de delação premiada que o esquema de corrupção na Secretaria Estadual de Educação (Seduc) do Mato Grosso, investigado na operação Rêmora, teve origem na necessidade do pagamento de dívidas de campanha do tucano Pedro Taques (PSDB) ao governo, em 2014. O empresário relatou ter repassado R$ 300 mil para o candidato e ouvido de outro empresário integrante do esquema, Alan Malouf, que outros R$ 10 milhões teriam sido "investidos" na campanha de Taques.

A operação investiga irregularidades em licitações para construção e reforma de escolas realizadas pela pasta de Educação em outubro de 2015. O esquema, segundo o Ministério Público (MP), envolve servidores públicos e empresários. De acordo com o MP, os funcionários públicos recebiam informações privilegiadas sobre as licitações e organizavam reuniões com empreiteiros para fraudar a livre concorrência do processo licitatório.

Sobre os R$ 10 milhões para Taques, Guizardi afirmou: "No final do ano de 2014, Alan Malouf mencionou que investiu a quantia de R$ 10 milhões na campanha do atual governador Pedro Taques, valor este não declarado, tendo dito também que teria de recuperar esse valor investido junto ao Estado". Malouf é casado com Jamille Guizardi, prima do delator.

Guizardi narra que foi Malouf quem o inseriu no esquema que já existia na pasta. Segundo o delator, em março de 2015, ele procurou Malouf para solicitar que sua empresa, a Dínamo, pudesse "trabalhar" na Seduc.
(Os Amigos do Presidente Lula)

As novas fraudes da Lava Jato


Segundo pesquisa Ipsus, divulgada na Folha de hoje, 96% da população apoia a Lava Jato "custe o que custar". É uma coisa de louco: apoio à Lava Jato mesmo que traga instabilidade política, instabilidade econômica, desemprego.

O Ipsos vem fazendo pesquisas sobre Lava Jato e PT desde o início de 2016. Foram pesquisas importantes para subsidiar o golpe, que ainda não terminou: é preciso estabelecer um regime autoritário. O momento para divulgar essa pesquisa não poderia ser mais oportuno: na véspera da marcha pró-lava jato marcada para domingo. A consultoria política e publicitária da força-tarefa segue firme e operante.

A demanda dos fascistas que saíram às ruas no início do ano e que pretendem voltar a ela neste domingo se concretizou: fora Dilma, fora STF, queremos só Ministério Público e Polícia Federal.

A pesquisa Ipsos é bem típica dessas ditaduras de terceiro mundo, onde o presidente costuma ser "eleito" por 96% da população.

É claramente uma fraude, em todos os sentidos.

É interessante, contudo, avaliar os resultados dessa pesquisa fraudulenta, porque ela evidencia, mesmo com seus exageros, quais os objetivos da Lava Jato. A maioria absoluta dos entrevistados apontou o PT como o partido mais corrupto de todos, apesar de que todas as estatísticas existentes ainda mostram o PT como um dos menos corruptos: em primeiro lugar ainda figuram DEM, PMDB e PSDB.

Mas o que importam estatísticas ou eleições se existem pesquisas de opinião?

Além disso, se o powerpoint da Lava Jato apontou Lula como "comandante máximo", se a manchete no Estadão foi de que "Dilma sabia de tudo", e se Gilmar Mendes não pára de repetir que o PT é uma "organização criminosa", então não surpreende que os entrevistados vejam na Lava Jato uma operação para combater a corrupção principalmente do PT.

A Lava Jato é um projeto de poder, sem participação do eleitor. Desde o início, o golpismo percebeu que seria muito mais fácil substituir o voto pelas "pesquisas".

Um processo eleitoral tem regras de equilíbrio, sobretudo na fase dos debates que antecedem o pleito, que dificultam o desejo do sistema midiático golpista de sufocar completamente os argumentos de um lado só. Enfatize-se o "dificultam". Não impedem, contudo.

A contrarreforma política de Eduardo Cunha reduziu o tempo de campanha, porque o objetivo era diminuir o máximo possível o constrangimento de oferecer a todos os partidos a oportunidade de exporem suas ideias.

A multa de 6,8 bilhões de reais imposta pela Lava Jato à Odebrecht, é importante não esquecer, será paga em boa parte aos Estados Unidos. Acho curioso que a força-tarefa não tenha divulgado o percentual exato da multa a ser pago para o Tio Sam. O que se sabe é que o acordo da Odebrecht com a Lava Jato teve participação ativa do Departamento de Justiça do governo americano.

É curioso ainda que os brasileiros festejem um acordo pelo qual uma empresa brasileira, em plena crise econômica, pagará bilhões de reais ao país mais rico do mundo. E isso depois de um processo de desestabilização que fez a Odebrecht demitir centenas de milhares de pessoas e acumular uma dívida de mais de R$ 100 bilhões.



Para quem deve mais de R$ 110 bilhões, um acordo de R$ 6,8 bilhões para pagar em 23 anos não parece muito, mas é sim, porque dificulta mais ainda a tomada de financiamentos. Paralelo a isso, o BNDES, numa posição agressiva e estúpida, cancelou financiamentos a projetos de engenharia no exterior, que estavam em andamento, colocando as empresas brasileiras, e todos os seus empregos envolvidos, em má situação - e isso num dos momentos mais dramáticos da economia nacional.

Uma semana antes do anúncio do acordo, o blog do Fausto Macedo, Estadão, que desde o início da Lava Jato se tornou uma espécie de canal oficial da força-tarefa, anunciou que havia um último "impasse" atrasando a sua finalização: os EUA queriam mais dinheiro da Odebrecht.



A justiça brasileira, covarde, cedeu aos EUA. Segundo o blog do Fausto, o próprio procurador-geral Rodrigo Janot entrou na história. Não se sabe ainda se a multa foi aumentada ou se o Brasil cedeu parte de seu espólio da Odebrecht.

A participação do governo americano na Lava Jato no acordo com a Odebrecht não podia ser mais clara. A empreiteira nacional ganhou licitações nos EUA para fazer um novo terminal para o aeroporto de Miami e modernizar o porto de Miami. Esse avanço de uma empresa brasileira no bilionário setor de construção civil norte-americano certamente não agradou alguns lobistas poderosos da família do Tio Sam.

Hoje a Folha diz que, segundo a delação da Odebrecht, a "propina" paga ao PT foi para El Salvador, para pagar uma campanha eleitoral em... El Salvador.



Para a Lava Jato e suas delações cuidadosamente forjadas, o PT queria dominar o mundo, começando por El Salvador... Tudo autorizado por Lula, claro, esse corrupto tão generoso que permite que suas propinas sejam usadas para bancar campanhas em outros países enquanto se satisfaz com um kitnet triplo em Guarujá.

É mais uma mentira para gerar manchetes, consolidar o golpe, e desviar atenção pública dos descalabros do governo Temer.

A Odebrecht bancou a campanha de um candidato em El Salvador pela mesma razão que empresas patrocinam campanhas no mundo inteiro: porque esperava fazer negócios com o governo. Provavelmente, outra empresa bancava a campanha do adversário. O que o PT tem a ver com isso?

Afinal, por que a população vai se indignar com o governo Temer se a Odebrecht pagou propina para o PT em El Salvador?

É como escrevia Rimbaud, "enquanto recursos públicos se evaporam em festas de fraternidade, um sino de fogo rosa soa nas nuvens".
(Miguel do Rosário/ O Cafezinho)

O Brasil dos golpistas versus a Escandinávia: compare e tire suas conclusões.

Uma lista traz o índice de desenvolvimento humano no planeta, o IDH. A Noruega ficou em primeiro. Suécia, Dinamarca, Finlândia e Islândia estavam entre os primeiros 20 colocados.

Se você der um Google em busca dos diversos levantamentos que aferem o grau de satisfação das pessoas de um país, a Escandinávia sempre aparece no topo. É o oposto do Brasil da plutocracia. Estamos condenados a ser sempre assim?

Vejo a Globo, vejo Temer, vejo Moro e a Lava Jato, vejo a Justiça e o Congresso — e temo que sim.

Minha primeira temporada escandinava se deu na Dinamarca, onde fui em 2009 para escrever uma reportagem sobre as razões de ela costumeiramente ser a campeã na satisfação.

Foi lá que conheci a Janteloven, as leis de Jante, uma cidade imaginária criada por um romancista escandinavo que simboliza o espírito local. Basicamente, ninguém tem o direito de se sentir melhor que ninguém. Lembro um lixeiro de Copenhague que, nas horas vagas, era técnico do time de handebol da escola pública – e boa – de suas filhas adolescentes. Numa escala de 0 a 10, ele definiu como 8 o seu grau de satisfação.

Pense na sua e veja quanta coisa temos a aprender com a Escandinávia.

Outro dia o DCM publicou um artigo sobre o que significa ser mãe na Noruega. Por exemplo, licença maternidade de 11 meses com salário completo e volta garantida ao trabalho, ou 13 meses com 80% do salário. Fora isso, um subsídio do governo é oferecido à mãe que queira ficar mais tempo em casa com as crianças.

Um sinal do foco nas crianças é o desfile no Dia Nacional da Noruega, 17 de maio. Em quase todos os países, você vê paradas militares. Na Noruega, quem sai às ruas são as crianças.

Desfile de 17 de maio

Lá, é socialmente inaceitável não pagar os impostos justos. A sociedade estabeleceu um consenso segundo o qual os impostos são o preço a pagar para você viver num ambiente quase utópico. Escola gratuita, saúde gratuita, nada de contrastes chocantes entre riqueza extrema (de poucos) e pobreza miserável (muitos).

Você não consegue imaginar, no ambiente norueguês, uma empresa bilionária como a Globo fugindo tão abertamente, tão descaradamente dos impostos, com a conhecida prática da PJ. Você também não consegue imaginar um âncora de tevê como Boris Casoy dizendo que lixeiro não pode ser feliz. Você também não consegue imaginar uma jornalista da estatura de Mônica Waldwogel zombando, histericamente, de ciclistas diante das câmaras.

Se eu for fazer a lista das coisas brasileiras que você não consegue imaginar na Escandinávia, ficaremos aqui alguns anos.

O DCM se orgulha de ter, desde seu nascimento, fixado na formidável Escandinávia um modelo a ser perseguido. E, de pé, manda aplausos entusiasmados para a campeã de IDH Noruega e seus maravilhosos vizinhos.
(Paulo Nogueira/ DCM)

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

O juiz Sérgio Moro está fugindo


A Operação Lava Jato, dentro de um contexto social e político honesto, teria sido um presente para o Brasil. Acho que ninguém discorda de que, um dia, seria necessário acabar com a cultura da corrupção que sempre ligou empreiteiros e políticos brasileiros.

O fato é que, em pouco tempo, foi fácil perceber que as decisões e ações demandadas pelo juiz Sérgio Fernando Moro estavam eivadas de seletividade. Tinham como objetivo tirar o PT do poder, desmoralizar o discurso da esquerda e privilegiar aqueles que, no rastro da devastação moral levada a cabo pelo magistrado, promoveram a deposição da presidenta Dilma Rousseff.

Hoje, graças à Lava Jato, a economia nacional está devastada, o Estado de Direito, ameaçado, e o poder tomado por uma quadrilha que fez do Palácio do Planalto uma pocilga digna de uma republiqueta de bananas de anedota.

Agora, quando os grupos golpistas ligados ao PSDB e PMDB começam a ser atingidos pela mesma lama que a Lava Jato pensou em represar apenas para o PT, o juiz Moro pensa em tirar um ano sabático, nos Estados Unidos.

Isso, obviamente, não pode ser uma coisa séria.

Um juiz de primeira instância destrói a economia e o sistema político de um país, deixa em ruínas 13 anos de avanços sociais, estimula o fascismo, divide a nação e, simplesmente, avisa que vai tirar férias de um ano?

Não se enganem: o que está havendo é uma fuga planejada.
(Leandro Fortes/ CTB/ via blog do Miro)

Vem aí...será?


O asfaltamento da BR-308, trecho que liga o extremo nordeste do Pará ao restante do estado bem como a São Luís(MA), consta do PAC desde 2013, tendo inclusive recursos orçados para seu pontapé inicial.

Não deu. Ontem, foi reanunciada com pompa, circunstância e a presença do pai, filho, madrasta, prepostos e prazo de conclusão pra daqui a  2 anos.

Faz todo o sentido.Caso o provável cronograma da obra seja razoavelmente cumprido, sua inauguração dar-se-á exatamente na época da escolha do sucessor de Simão Jatene.

Pode ser a joia ausente da coroa a quando da primeira candidatura de Barbalhinho ao governo do estado, barbaramente surrado em Ananindeua, município que governou por 8 anos ininterruptos, exatamente por não obra alguma de relevância que pudesse chamar de sua.

A ressaltar o custo da dita cuja pavimentação fora dos padrões usuais dos mentores: pouco mais de R$1 milhão por quilômetro pavimentado. De qualquer modo, em tempos de macaco delatar banana é natural que tudo seja feito nos padrões da mais estrita honestidade malandra.

Melhor que isso só se virar realidade. Afinal, trata-se de região estratégica para o desenvolvimento do Pará, principalmente se pensarmos sob a perspectiva de uma provável divisão territorial do estado. Fica, então, o registro pra ser conferido daqui a dois anos.

O chef errou a receita


Simão queria o dublê de restaurateur e conselheiro pra presidente do TCM. A receita parece ter saído com algum ingrediente errado. Resultado: ganhou uma chapa adversária.

Os vitoriosos devem tido toda a torcida(apoio?) do PMDB de Helder e Jader. Curiosamente o jornal da família Barbalho dá a nota informativa dos fatos, publica foto dos vencedores, mas omite que a nova vice na chapa vencedora tem o sobrenome Barbalho.

A ressaltar, ainda, a opção preferencial do conselheiro Zeca Araújo, tucano desde os tempos em que suas vistosas plumas não passavam de penugens, pela chapa de Daniel Lavareda, isto é, posicionando-se pela chapa de oposição contra a articulação política de seu partido.

Isto deve ser debitado na conta das razões que as próprias razões desse tipo de articulação desconhecem. No caso leonino, provavelmente faltaram ingredientes que contemplassem todos os paladares, daí um dos frustrados com a receita optar por servir-se de outro prato.

De qualquer modo, por tratar-se de orgão mais decorativo do que auxiliar na avaliação do desempenho financeiro/administrativo de ordenadores de despesas municipais, é certo que tudo continuará como dantes, o que implica dizer que a implicância tucana, na Câmara Municipal de Ananindeua, com as contas do ex-prefeito Helder Barbalho perde força e adentra ao rol das contas 'porcinas'. E que venha outro prato!

Seria Gilmar a alternativa pemedebista no golpe dentro do golpe?


Essa guinada de 180º, dada por GilmarMendes em sua retórica, certamente não é obra do acaso. Resulta de algum fato novo da conjuntura conturbada ora vivida no país e que oportunamente virá à tona.

Gilmar desancou Moro e a turma da malsinada Lava Jato, ontem, a quando do debate no Senado Federal sobre o que foi aprovado na Câmara pertinente as normas de combate à corrupção. Portou-se, na verdade, como um hermeneuta renaniano atacando energicamente os arroubos de quem se acha acima da lei.

Mais tarde, na sessão do STF que decidia uma questão envolvendo o atual presidente do Senado, foi ainda mais contundente, votando pela desqualificação da denúncia feita pelo MPF, este acusado de pouco zelo investigativo pra preparar uma peça tão delicada(Lewandowski e Tofolli foram na mesma direção), como sempre usando aquele seu recorrente palavreado que lembra um desentendimento dentro de um bloco de carnaval.

Gilmar não só citou trapalhadas pretéritas oriundas do Parquet, como ironizou o tempo usado pra preparar a tal denúncia, cerca de uma década. Ao seu estilo, ainda disparou contra juízes que antes da dita sessão tiveram audiência com a presidenta do STF, ministra Carmen Lúcia, com esta saindo em defesa dos magistrados ao afirmar que não foram lá, como Mendes insinuara, tratar de reajuste de vencimentos. Como Gilmar não se dá por vencido, arrematou o entrevero relâmpago dizendo que mesmo assim ganhar acima do teto constitucional é indefensável.

Fato é que Gilmar transformou-se bruscamente em um crítico feroz da Lava Jato, do monstrengo legislativo apresentado pelo MP a pretexto de combate à corrupção, não poupando nem a 'coxinhada' que subscreveu a proposta para que a mesma tramitasse mais celeremente ao afirmar, "Duvido que esses 2 milhões de pessoas tivessem consciência disso, ou de provas ilícitas, lá no Viaduto do Chá..."

Assim, de guru da Lava Jato e mentor da limpeza étnico/política ora operada, passou a ser o guardião da "excelência" da classe política brasileira. Até pontos convergentes com que vêm falando dirigentes do Partido dos Trabalhadores há nesse new look político do ministro.

Diante disso, é legítimo supor que o PMDB apoia essa parceria entre Renan/ Gilmar a fim de manter o protagonismo da legenda quando Temer cair, ao ser consumado o golpe dentro do golpe. Com essa FHC não contava. Será?

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

TEMER, YAMADA E O GOLPE

NOTA ANÔNIMA...

Olá seu Na Ilharga. Permita-me dar uma informação a todos através de seu poderoso Blog. Notícia que certamente não veremos nos jornais, visto não ser de utilidade pública.
É que, ontem, cerca de 600 funcionários do grupo Yamada foram DEMITIDOS. Imagine a situação destes pobres homens e mulheres, no limiar do novo ano, serem desempregados. É o efeito Temer que está se espalhando por todo Brasil. Lamentável.

Senado Federal e Alepa debatem se trabalho escravo é direito social dos escravagistas


Nesses tempos de auto absolvição, auto unção a alturas onde uma lei feita por simples mortais não atinge, inaugurados por contumazes estancadores de sangrias, sorrateiramente prepara-se mais um abjeto golpe contra a sociedade e em favor da impunidade.

Trata-sede uma iniciativa do Senado Federal, acumpliciado com a Assembléia Legislativas do Pará, que fará realizar amanhã uma audiência pública, para a qual até hoje não foi feita qualquer convocação por jornal de grande circulação, portanto, o grande público ignora a ignóbil manobra, visando debater projeto de lei, ora tramitando no Senado, que visa reduzir as hipóteses do que pode ser tipificado como trabalho escravo.

Certamente, não é por acaso que a tal audiência ocorra justamente no estado eternamente campeão nessa deplorável modalidade, bem como abrigar os mais notórios criminosos com utilização do recurso à pistolagem, todos impunes, ressalte-se, daí parecer o palco apropriado.

Não por acaso, ainda, o Pará é o maior campeão no desmatamento de suas florestas, algo correlato em prática apenas aparentemente empresarial,  degenerando-se e auto desqualificando-se pelo recorrente desprezo à lei e ao direito de terceiros, daí a necessidade do recurso ao que ensina com inigualável ânimo delinquente Romero Jucá, sintetizado no célebre, roube-se e depois estanque-se a sangria, isto é, assalte-se o poder emanado da soberania popular, e, de posse dele, fabrique-se os álibis necessários ao triunfo da impunidade.

Pobre Pará, palco dos crimes e agora palco da farsa que os absolve.

Perguntas a Janot e colegas acima da lei


A reação dos procuradores da Lava Jato às mudanças no Projeto de Lei anticorrupção revela o temperamento totalitário e nefasto dos setores que dominam o Ministério Público.

A Câmara dos Deputados, bem se sabe, tem uma imagem deplorável. No estrangeiro, a Casa chegou a ser chamada de “assembléia geral de bandidos comandada pelo bandido Eduardo Cunha”. No caso específico do PL 4850/16, porém, os deputados agiram com raro acerto na defesa do Estado de Direito.

A Câmara eliminou do PL as medidas policialescas e fascistas que fariam o sistema jurídico brasileiro regredir à idade da pedra, como o fim do habeas corpus; a criação do “reportante do bem” [espécie de alcagüete oficial remunerado]; a aplicação de “teste de integridade” para funcionários públicos; e a aceitação de provas ilegais, obtidas ilicitamente.

A nota oficial do procurador-geral Rodrigo Janot é um prato cheio para a psicologia e sociologia, porém é inacreditável ter sido escrita pelo chefe de uma instituição da República.

Janot evoca o apoio de organismos internacionais ao projeto. Merecem ser esclarecidos, de início, quais foram os “organismos internacionais” que apoiaram a confecção de um projeto de lei de interesse nacional, e de que maneira prestaram tal apoio. Houve ofensa à soberania nacional? O MP exorbitou das suas atribuições e firmou relações exteriores em nome do Estado brasileiro, cuja atribuição é exclusiva do Poder Executivo? Será essa uma linha de explicação para a colaboração da Lava Jato com o Departamento de Estado e a Justiça norte-americana sem a interveniência do Ministério da Justiça?

Ressaltando o traço messiânico da força-tarefa, Janot assegura que as propostas visam “a um Brasil melhor para as futuras gerações”. Ele profetiza que a decisão dos deputados “colocou o país em marcha a ré no combate à corrupção”, desperdiçando “uma chance histórica de promover um salto qualitativo no processo civilizatório da sociedade brasileira” [ufa!].

Janot exibe a arrogância de uma corporação que se considera acima de tudo e de todos; a classe dos “divinos e intocáveis”. Ele rechaça a proteção da sociedade contra abusos judiciais alegando que a punição de juízes, promotores e procuradores por crime de responsabilidade “coloca em risco o funcionamento do MP e do Poder Judiciário”; “objetiva intimidar e enfraquecer” estas instituições.

Como “Grande Líder” e guia do sindicato dos justiceiros, Janot exorta os membros do MP a se manterem “concentrados no trabalho de combate à corrupção e ao crime. Que isso não nos desanime; antes, que nos sirva de incentivo ao trabalho correto, profissional e desprovido de ideologias, ...” [sic].

Numa afirmação intrigante, Janot diz que “o Ministério Público Brasileiro não apóia o texto que restou”. O que exatamente ele quis dizer com isso? O MP só aceita sua própria lei, a lei do justiçamento, e não da justiça? Será a senha para a chantagem dos coordenadores da força-tarefa, que ameaçam abandonar o trabalho da Lava Jato caso a lei entre em vigor?

Os procuradores, que deveriam ser os maiores defensores da lei, estariam assumindo a disposição de cometer o crime de prevaricação ante a corrupção? Não querem continuar a operação para não incriminarem políticos do PSDB?

Eles deixariam de cumprir seus deveres funcionais, esperando como punição, em contrapartida, o privilégio do afastamento do cargo com o recebimento dos seus salários nababescos e superiores ao teto constitucional? Aliás, como os procuradores reagiriam ao “teste de integridade” diante da atitude corrupta e anti-ética de recebimento de salário acima do teto estabelecido na Constituição?

A postura de procuradores, juízes e policiais que se julgam acima da lei é uma afronta ao Estado de Direito. Tem razão o Procurador da República Eugênio Aragão quando diz que “Por detrás de tudo está um projeto de poder corporativo, que torna os órgãos do complexo policial-judicial intangíveis pelos abusos que vêm cometendo em suas ruidosas investigações por forças-tarefa.”.

Para Aragão, a “atual administração do ministério público federal não tem o direito de pronunciar a palavra ‘democracia’, porque se associou, com ações e omissões, às forças do atraso, carregando em suas costas o peso de parte decisiva do golpe contra um governo legítimo para permitir se instaurar um regime autoritário de rapina das conquistas sociais, de desprezo aos direitos fundamentais e de cupidez com a pratica de desvio de poder para o atendimento de interesses privados escusos”.

Faria bem à democracia se Janot e seus colegas conseguissem desmentir esta realidade.
(Jeferson Miola)

Senador Lindbergh Farias reduz Moro a nitrato de pó de peido

Fascistas infiltrados provocaram a polícia


O fascista em questão é Felipe Porto, líder de um grupo de extrema-direita em Brasília (Viomundo).

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Mais milho e menos galinhagem. Ou, jogada ensaiada



A essa altura do campeonato de malfeitos ora disputado, soa a galinhagem o procurador da Lava Jato, Deltan Dallagnol, fazer insinuações a respeito da frase síntese do golpe, 'estancar a sangria', dita por Romero Jucá a Sérgio Machado, quando esses dois assaltantes falavam da necessidade de apear Dilma do poder pra continuarem impunes, soa infantilismo esse arroubo.

Tal e qual soa ingenuidade a chantagem do outro procurador, Carlos Fernando, falando em renúncia caso Temer sancione aquilo que foi aprovado no parlamento.

Quem liberou o bandidão Alberto Youssef, quem liberou Paulo Roberto Costa pra ser além de assaltante quinta coluna das multinacionais do petróleo tem pouco cacife pra ficar fazendo beicinho de donzela convidada a dar uma voltinha no motel.

Mais certo é essa jogada ensaiada terminar em acordo, no caso, em negociata. Após essas encenações, a proposta volta ao Legislativo a fim de que seja retirada a previsão de punição ao abuso de autoridade. Em troca, adentra triunfal e nada discreto a anistia ao caixa 2 e todos ficarão felizes para sempre. Ou não?

Lá vem o Brasil descendo a ladeira. Queda do PIB confirma recessão e PEC 55 aprofundará crise


Na noite da terça-feira (29), o Senado Federal aprovou a PEC 55 em primeiro turno. A votação foi marcada pela repressão violenta da Polícia aos movimentos sociais que protestavam contra a medida do lado de fora do Congresso Nacional.

No dia seguinte, o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre confirmou a queda da economia: – 0,8 em relação ao último trimestre e -2,3% em relação ao mesmo período do ano passado.

Os números mostram o que economistas contrários ao corte desmedido de gastos já falam há algum tempo: aeconomia brasileira está com todos os seus motores desligados. E a aprovação da PEC 55 vai piorar esse cenário. As famílias estão endividadas, e o desemprego aumenta.

Isso explica a queda no consumo das famílias (-0,6%) divulgada nesta quarta-feira (30). As empresas estão com máquinas paradas – ou seja, não há previsão de ampliação da produção, resultando em uma queda de 3,1% no investimento e de 1,3% na indústria.

Outro possível motor seria o setor externo, com aumento das importações, mas a crise mundial se aprofunda, e cresce o protecionismo – com o adicional de instabilidade das eleições americanas.

“Se não é o resto do mundo e nem setor privado, é o Estado que deve recuperar a capacidade de investimento. Que tem um efeito multiplicador sobre emprego e renda”, afirmou a economista Laura Carvalho, em debate no Centro de Estudos Barão de Itararé.

“O gasto de um é a receita do outro. Se todo mundo corta gasto, a economia encolhe”, disse Luiz Gonzaga Belluzzo, que participou do debate.

A PEC 55 vai justamente implementar um teto de gastos de acordo com a inflação do ano anterior. Investimentos públicos serão os mais impactados com a medida.

“Estamos assistindo a radicalização do projeto neoliberal do Brasil. Um projeto desse tipo não passa por crivo popular”, comentou o professor Eduardo Fagnani, também presente no evento. “É uma ideia de levar ao extremo a reforma liberal do Estado, não só na econômica como na social”, disse.

Para Belluzzo, a situação é agravada pela manutenção dos juros em patamares altíssimos, que enforcam ainda mais as empresas endividadas e impedem uma recuperação via crédito. “Muitas das empresas estão inviabilizadas. Há um crescimento brutal das recuperações judiciais”.

Belluzzo concorda com Carvalho sobre a necessidade de recuperação via investimento público, mas considera que o debate econômico está travado. “As pessoas não querem debater, as pessoas querem só reafirmar suas posições”, afirmou. Para ele, há certos mantras econômicos repetidos a esmo, mas sem a realização de um debate mais profundo.

Além de piorar a recessão, a PEC também vai aumentar a desigualdade social no Brasil. “A PEC vai destruir as bases financeiras do estado social implementado na Constituição de 1988 e construir o estado neoliberal. Amarra o estado, mesmo com outro governo”, analisou Fagnani.

Direitos constitucionais como acesso à saúde e educação serão inviabilizados pela PEC. Carvalho diz acredita que, sem a vinculação constitucional que está em vigor hoje (que obriga gastos mínimos do orçamento com itens essenciais, como saúde e educação), setores que historicamente tem mais poder ficarão com a parte maior do orçamento, em detrimento dos direitos da população.

“A PEC desvincula gastos obrigatórios, mas não impõe limites tão fortes para auxílio-moradia (para o funcionalismo), por exemplo. Já tem um cláusula que diz que se os gastos no judiciário crescerem acima da inflação, a União que vai cobrir”, explicou.

O Brasil não está quebrado

Para Fagnani, há uma pós-verdade sobre as contas públicas. Isso porque criou-se a ideia de que o país está quebrado, mas os números mostram que a afirmação não é verdadeira.

“A verdade não precisa ser a verdade, eu invento uma verdade, e o debate econômico no brasil é a maior expressão da pós-verdade”. Em 2014, ano em que o Brasil teria supostamente quebrado, o Brasil fez o primeiro déficit primário em anos, de -0,6%. No mesmo período, Portugal fez déficits de -7%. Os Estados Unidos, de -2%.

“O problema fiscal brasileiro é financeiro, e não primário”, disse. Ou seja: o maior gasto é com juros, não em investimentos. Só que a PEC ataca apenas o problema dos gastos primários, não o dos gastos financeiros. “O gasto social no Brasil não é ponto fora da curva, está em linha com América Latina, muito abaixo da zona do Euro”, explicou ele.

“A recessão é funcional para criminalizar as políticas distributivas. Criminaliza todos os partidos de esquerda. E coloca que não existe outra alternativa ao fim do estado do bem estar social”, disse. Carvalho concorda. “O Estado não está quebrado. A divida publica alta é consequência e não causa do crescimento baixo”.
(Agência PT de Notícias)

Colocar-se acima da lei significa colocar-se fora dela


Em 'Os Trabalhadores do Mar', Victor Hugo faz referência as habilidades do rei Jacques I da França, que durante a Inquisição mandava ferver mulheres, provava o caldo e pelo sabor sentenciava: era bruxa...não era bruxa.

O dom gustativo desse rei assemelha-se muito à convicção de integrantes do Ministério Público brasileiro e de alguns juízes, capaz de faze-los desprezar a lei para adotar essa espécie de força estranha que os impele a preparar outra justiça.

Unidos por essa força, o PGR Rodrigo Janot e a ministra Carmen Lúcia, presidenta do STF, protestam veementemente contra a lei aprovada ontem porque inseriu em seu corpo dispositivos que colocam membros do Judiciário e MP no mesmo nível dos demais mortais ou membros de outro poder da república brasileira. Os dois togados viram naquilo tentativa de cercear os trabalhos investigativos.

Menos, excelências. Colocar-se acima da lei é colocar-se fora dela. Nossa história é rica na produção de episódios em que o ritmo da justiça é flagrantemente ditado pela empatia política. Uns condenados em tempo recorde, enquanto outros veem suas situações não resolvidas até à prescrição total de seus crimes.

Quantos juízes pagam por esse procedimento estranho aos olhos da sociedade, mas justificado por decisões hermeticamente explicadas?

Pior. Quando pagam, a pena chega ser um escárnio com a opinião pública. Com efeito, fora dois ou três fortuitos casos de homenagens do vício à virtude, a massacrante maioria das 'punições' é a aposentadoria do punido gozando de todas as vantagens que detinha a quando do exercício do cargo.

Os irmãos Naves, os dirigentes da Escola Base, o ex-deputado paraense Paulo Fontelles de Lima, irmã Dorothy Stang, as vítimas do monstro Abdelmassih e centenas de outras vítimas ou familiares dessas, atingidas pela leniência do trabalho do Poder Judiciário brasileiro certamente acharão normal que togados também possam ser submetidos a sanções mais rigorosas por negligenciar ou exorbitar nos seus respectivos exercícios de suas funções. Afinal, ninguém mais interessado na justa aplicação da lei do que eles. Ou não?

KKKK, Bessinha não é Pietro Ubaldi mas também faz grandes sínteses


Jornalixo, farisaísmo e hipocrisia


Em matéria de imbecilidade, anti jornalismo e capacidade de ser torpe em um momento de comoção nacional, a manchete do panfleto tucano/liberal é imbatível, ao ressaltar o fim do sonho da conquista da Copa Sul Americana, como se isso fosse mais relevante que a trágica perda de tantas vidas humanas.

Ignoraram até o admirável gesto da direção do Atlético Nacional, da Colômbia, que abriu mão da disputa e sugeriu à Conmebol que desse o título ao clube catarinense.

Na verdade, a manchete não passa de ato falho dessa empresa regida fundamentalmente pela famigerada Lei de Gerson. Com efeito, antes de qualquer resquício humanístico que porventura envolva um acontecimento, a abordagem desse nefasto jornalixo sempre vislumbra prioritariamente aquilo que lhe proporcione alguma vantagem pecuniária.

É por isso que em momento de comoção internacional, ocorrido pela tragédia que vitimou 71 pessoas, entre atletas, tripulantes, jornalistas e equipe técnica da Chapecoense que estavam a bordo da aeronave o dito panfleto foi direto na lamentação por aquilo que julga perda da disputa. Credo!

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Só povo nas ruas pra enfrentar os golpismos I e II


Temer chegou ao fundo do poço. Segundo pesquisa divulgada hoje no Conversa Afiada, apenas dez por cento dos brasileiros aprovam a maneira como o golpista conduz o país nesse período, algo inédito levando-se em conta a expectativa gerada em qualquer início de gestão, mesmo quando essa é oriunda de um golpe contra a vontade popular.

Alvo fácil do golpismo que puxará seu tapete, com esse índice de rejeição, que pode até ser maior levando-se em conta que há a possibilidade de muitos desses que estão entre os dez por cento disseram 'sim' apenas por serem anti petistas convictos e ainda são gratos pela derrubada de Dilma, todavia, se aparecer outra alternativa golpista, migrarão rapidinho pra desaprovação,embora nem seja necessário, Temer já era.

Percebe-se um movimento surgindo pra que se convoque eleições diretas imediatamente. É óbvio que tenta contornar o já anunciado golpe que derrubará o Mordomo e ungirá indiretamente FHC.

Trata-se de tarefa árdua com pouco mais de trinta dias pra concluir-se, caso contrário triunfará mais um golpe fazendo-nos ser governados por alguém escolhido pelo Congresso Nacional, algo que não ocorria desde 1985.

Nesse momento, só a população pode nos livrar de retrocesso tão indesejável após uma árdua luta pra reconquistarmos a democracia. Será que as multidões que foram às ruas naquele período serão sensibilizadas a voltar a lutar pelo triunfo da democracia em tão curo espaço de tempo?

Difícil, porém, pode ser o embrião para que surja do clamor popular a derrota do segundo golpismo e a consequente volta à normalidade democrática que tanta falta está fazendo desde que o golpismom larápio tomou o poder de assalto.

Moro à moda barbosiana


Moro seguirá os mesmos passos de Joaquim Barbosa, este, ao concluir o julgamento da AP 450, submergiu pois sabia que tinha usado indecentemente a mídia para fazer um julgamento acanalhado onde até peças do processo foram retiradas a fim de evitar-se a apresentação de provas que beneficiassem os réus.

Depois, atirou longe a toga enlameada e foi tentar gozar a fama de justiceiro que a mídia vil havia lhe impingido. Durou pouco, até descobrirem que tratava-se de um oportunista, carreirista e altamente sensível a benesses, conforme ficou patenteado no caso da compra de um apartamento em Miami, dando em garantia um bem público.

Moro formou sua convicção, hoje acima das leis, na Pensilvânia vindo de lá pra ser o demiurgo da versão macunaímica da Operação Mãos Limpas.

Foi decisivo na colaboração com a estratégia da oposição golpista e irresponsável, quando paralisou a economia do país ao confundir investigação de malfeitos individuais, princípio fundamental do direito brasileiro, estendendo de forma bizarra suas convicções até contra pessoas jurídicas.

Prendeu quem julgou ser quem não era, decifrou estupidamente iniciais para depois desdizer-se, radicalizou em suas convicções na proporção inversa do respeito à lei transformando-se em um cruel Simão Bacamarte a quem todos deviam temer.

Agora, com a ONU em seus calcanhares e sem perspectiva de erguer o troféu a que se propôs erguer desde o início dessa macabra ópera-bufa, anuncia que fará o mesmo que Joaquim Barbosa: sairá de cena para bem longe a fim de não presenciar a desconstrução racional de sua monstruosidade

Como o original, concluirá seus julgados mais escudado nas infames convicções que em leis. A seguir, irá prestar contas aos mentores. Pior: corremos o risco de ver exacerbar-se o colaboracionismo abjeto até aqui manifestado discretamente contra nossa maior empresa pública.

Assim, Moro sairá da vida pública e entrará na história pela porta dos fundos. Antes, será visto como personagem de filmes de terror de quinta categoria. Daqueles que perdem a noção do ridículo e cansam pelas suas sequências repetitivas, bizarras e violentas. Mas o estrago já terá sido feito.

Toda honestidade será repudiada


O nível de delinquência do golpismo é tão alto que quando surge uma ação positiva seu agente é imediatamente execrado.

É o caso do imbroglio surgido em torno do deputado Onyx Lorenzoni, relator do projeto que cria medidas anti corrupção propostas pelo Ministério Público, por este ter vetado a inclusão de uma emenda contrabandeada que pretendia anistiar acusados da prática do caixa 2.

Execrado por cem por cento dos picaretas que fazem daquela Casa legislativa um balcão de negócios, Onyx agora vê seu nome ser repudiado pelo presidente golpista da Câmara, Rodrigo Maia, bem como pelo líder do DEM, Pauderney Avelino, aquele mesmo encrencado no STF por ser acusado de contumaz fraudador de licitações na área da educação em Manaus, Um responsabiliza o outro pela indicação de Lorenzoni, cujo pecado foi agir corretamente algo que no DEM é intolerável.

E olha que o projeto do MP nem é tão eficiente assim, é muito inferior ao que tramitava na Casa de autoria da então presidenta Dilma Rousseff que, entre outras coisas, punia o enriquecimento incompatível com os ganhos auferidos pelos respectivos agentes públicos, atestado indisfarçável daquilo que o meliante Romero Jucá revelou pra estancar a 'sangria'.



Cai em Bogotá avião que levava o time da Chapecoense


O avião que levava o time da Chapecoense à Colômbia para a disputa da final da Copa Sul-Americana contra o Atlético Nacional caiu na região central da Colômbia, e as equipes de socorro estavam retirando sobreviventes do local, informou a associação de aviação civil colombiana nesta terça-feira; a delegação da Chapecoense estava entre as 81 pessoas a bordo do avião, sendo 72 passageiros e 9 tripulantes. Ainda não se sabe quantas pessoas sobreviveram ao acidente, que aconteceu por volta de 22h15 (horário local)
Reuters/247-O avião que levava o time da Chapecoense à Colômbia para a disputa da final da Copa Sul-Americana contra o Atlético Nacional caiu na região central da Colômbia, e as equipes de socorro estavam retirando sobreviventes do local, informou a associação de aviação civil colombiana nesta terça-feira.

A delegação da Chapecoense estava entre as 81 pessoas a bordo do avião, sendo 72 passageiros e 9 tripulantes. Ainda não se sabe quantas pessoas sobreviveram ao acidente, que aconteceu por volta de 22h15 (horário local).

"Esta noite foi registrado que um avião oriundo do aeroporto Viru Viru, em Santa Cruz, na Bolívia, que deveria ter pousado no aeroporto José Maria Cordova (Medellín), perdeu contato", disse Mauricio Parodi a repórteres.

As equipes de resgate, incluindo bombeiros e funcionários da agência de resposta a desastres, correram para buscar sobreviventes, acrescentou Parodi, diretor da agência de resposta a desastres da província de Antioquia.

A má condição do tempo dificultava o acesso ao local do acidente, segundo autoridades do aeroporto de Medellín, onde a aeronave faria o pouso.

A Chapecoense, time da cidade de Chapecó no interior de Santa Catarina, disputaria na quarta-feira a final da Copa Sul-Americana. Essa foi a primeira vez que o time chegou à final de uma competição internacional.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

O Brasil não pode ser governado por uma quadrilha

Gatunos, gatunos, gatunos, gatunos, gatunos, gatunos...

Até a grama da Praça dos Três Poderes sabe que o golpe foi dado para interromper investigações contra a corrupção


Se durante o breve período do segundo mandato de Dilma não havia governo, com a assunção de Temer ao governo através de um golpe, o Brasil passou a ser governado por uma quadrilha.

O golpe foi uma trama inescrupulosa que envolveu muitos lírios perfumados, mas, como escreveu Shakespeare, “os lírios que apodrecem fedem mais do que as ervas daninhas”.

A remoção de Dilma não obedeceu nenhuma intenção de alta moral, de salvação do destino do país, de construção da grandeza da pátria, da conquista da glória pelos novos governantes através atos de exemplar magnitude em prol do povo. Não.

O que moveu o golpe foi a busca da reiterada continuidade do crime, de assalto ao bem público e para salvar pescoços da guilhotina da Lava Jato. Até a grama da Praça dos Três Poderes sabe que a parte principal da camarilha que tramou o golpe o fez em nome da paralisação da Lava Jato.

As quadrilhas se orientam por dois princípios: a traição, sempre que for do seu interesse, e a ousadia na persistência do crime.

Consumada a traição para alcançar o poder, a quadrilha não titubeia em mobilizar a mais alta esfera do governo – o próprio gabinete presidencial – para viabilizar negócios privados ao arrepio da lei e com ameaças explícitas a órgãos governamentais de controle, o caso o Iphan.

A sociedade brasileira viu, perplexa, que diante de um crime de improbidade administrativa, o presidente da República, ao invés de adotar o partido do interesse público e da moralidade, demitindo o agente da delinquência, busca mediações de terceiros para acomodar a prática criminosa com a desmoralização da probidade.

Temer, no mínimo, cometeu dois crimes: foi conivente com uma investida delituosa e prevaricou ao não adotar nenhuma atitude em face dela.

Mas não seria de se esperar outra coisa de quem não tem legitimidade, de quem subiu pela via da traição e de quem assumiu o poder com o perverso objetivo de abrigar o interesse de um grupo sedicioso. Se alguém estava procurando um exemplo veemente de Capitalismo de Quadrilha pode parar de procurar, pois esse governo o representa de forma inequívoca. E, pasmem, diante desses fatos da mais alta gravidade, o inimputável Aécio Neves, propôs investigar o denunciante.

A ousadia da quadrilha é de tamanha envergadura que no silêncio sinuoso das noites brasilienses conspirava-se à larga para anistiar centenas de corruptos, não só pelo caixa 2, mas por todos os crimes conexos envolvendo as propinas relativas a desvios de empresas estatais. A conspiração atravessava os corredores do Planalto, da Câmara dos Deputados e do Senado e tinha em Temer um dos principais interessados por ser beneficiário direto.

Inviabilizado o indulto pela forte reação da opinião pública, a quadrilha não teve pudor em anunciar, neste domingo, um “pacto” para impedir a anistia natalina daqueles que corromperam as eleições regando suas campanhas com dinheiro sujo. Fraudaram a democracia e a república e enganaram o povo.

Este governo precisa acabar

O governo Temer é o mais degradado e degradante da história da República. Fruto de uma conspiração e de manifestações manipuladas para combater a corrupção, . Sim, porque se há um partido que é o campeão da corrupção da Petrobrás, este é o PMDB.

A imprensa e os analistas estrangeiros, com espanto, não conseguem compreender como, em nome do combate à corrupção, se entregou o poder a um condomínio de partidos articulados em torno de interesses corrompidos. Dizer que não havia alternativas é falso, pois se existissem propósitos honestos em todos aqueles que orquestraram o golpe, teriam proposto uma saída negociada ou que implicasse eleições diretas, garantindo a soberania do povo na escolha de um governo de transição.

Esse governo corrupto e ilegítimo se bate para sacrificar direitos e degradar políticas sociais em nome de um falso ajuste fiscal. Sua caminhada foi feita sobre um turbilhão de mentiras: prometeu a retomada imediata do crescimento econômico, a criação de empregos e a volta dos investimentos. A economia, o emprego e os investimentos se deprimem todos os dias penalizando os mais pobres.

Ao assumir a presidência, Temer, cercado de corruptos, prometeu combater a corrupção e de não interferir na Lava Jato. Como presidente, abrigou os corruptos em seu ministério, deixou que a corrupção entrasse em seu gabinete através de Geddel Vieira Lima e deu vazão às conspirações para enfraquecer a Lava Jato e outros órgãos de controle. A Lava Jato, que em boa medida coadunou o golpe, agora tem no condomínio governamental, incluindo o PSDB, o seu maior inimigo.

Seguindo-se à posse, esse governo salvacionista, mostrou-se interessado em salvar interesses de grupos, em vilipendiar as empresas e as riquezas nacionais, em praticar a propina, o compadrio, o clientelismo e os abusos através de seus braços legislativos.

No Senado, autorizou-se parentes de políticos a repatriarem dinheiro malcheiroso, com uma vergonhosa omissão da oposição. O presidente da Câmara é um serviçal do Planalto. Enfim, esse governo não serve ao Estado e ao interesse público, mas se serve do Estado e do bem público.

Esse governo precisa acabar. Que moral tem ele para pedir sacrifícios aos brasileiros? Como pode um governo ilegítimo conspirar contra o sentido manifesto da Constituição de 1988 feita por uma Constituinte, que é o de assegurar direitos? Como pode o Supremo Tribunal Federal ser, vergonhosamente, cúmplice desses atos e conivente com o governo que desmoraliza o Brasil?

Como pode a lerdeza do STF deixar que criminosos ocupem altos cargos da República, usando-os para agredir direitos conquistados por décadas de luta?

A mesma leniência do STF que foi vista diante de toda sorte de abusos de Eduardo Cunha agora é observada em relação a Temer, a ministros denunciados na Lava Jato, ao presidente do Senado e a vários senadores e deputados. O STF, de tabernáculo da Constituição que deveria ser, transformou-se no matadouro da decência e da moralidade pública.

Já que os poderes da República não funcionam, acumpliciados que estão, a opinião pública e as mobilizações de rua precisam estabelecer um fim a este governo. Se os partidos, sem legitimidade, não são capazes de garantir uma transição até 2018, que seja honesta e que não agrida direitos e a Constituição, que essa transição seja construída pela Sociedade Civil.

O Brasil não pode ser deixado a mercê de um governo ruinoso.

Está mais do que provado que a capacidade de degradar o país e seu povo não tem limites. O único projeto que as elites políticas e econômicas desse país têm é o projeto do seu próprio bolso, dos seus próprios interesses. Para essas elites não importam as dores, as tragédias, os massacres de todos os tipos de violência perpetrados contra os mais fracos.

O mais trágico de tudo isso é que boa parte da sociedade valide essas perversidades contra seus próprios interesses.
(Aldo Fornazieri/ GGN/ Viomundo)

Nações Unidas dá até o dia 27 de janeiro para governo brasileiro explicar denúncia de abusos contra Lula


Advogados do ex-presidente atualizaram denúncia contra os arbítrios do juiz Sérgio Moro, da primeira instância da Justiça Federal em Curitiba

Os advogados responsáveis pela Defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva informam que o Comitê de Direitos Humanos da ONU (Organização das Nações Unidas) registrou a carta de atualização com as denúncias protocoladas contra os abusos que estão sendo cometidos no Brasil contra o ex-presidente. Leia abaixo a íntegra do comunicado.

Nota

O Comitê de Direitos Humanos da ONU informou ter registrado a carta de atualização do Comunicado feito ao órgão pelo ex-Presidente Luiz Inacio Lula da Silva em 28/7/2016. Na condição de advogados de Lula, juntamente com o especialista em direitos humanos Geoffrey Robertson, fomos também informados do novo prazo dado ao governo brasileiro - 27/01/2017 - para os esclarecimentos pedidos.

O recebimento desse novo comunicado da ONU coincide com as primeiras audiências realizadas na 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba, que bem ilustraram a ausência de imparcialidade na condução do julgamento de Lula, como assegura o Pacto de Direitos Civis e Políticos da ONU, confirmado pelo Brasil em 1992. O juiz Sergio Moro revelou profundo desprezo pela atuação dos defensores do ex-Presidente nesses atos, evidenciando suas posições preconcebidas sobre o caso.

Embora as 11 testemunhas de acusação ouvidas tenham afastado qualquer participação de Lula no recebimento de vantagens indevidas e em relação a qualquer relação entre o ex-Presidente e o triplex do Guaruja, Moro afirmou que a defesa era "retórica" e desprovida de argumentos.


Cristiano Zanin Martins e Valeska Teixeira Zanin Martins/ via Lula.com.br

Quando janeiro chegar





Se quisessem, os mentores do segundo golpe já teriam detonado o moribundo Temer. Só não o fazem porque é preciso deixar chegar o ano que vem pra fazer o serviço completo.

A dúvida é saber se a dureza seguirá o ritmo atual da desconstrução do vampiresco marido da bela, recatada e do lar. Em caso afirmativo, então, daqui a uns quinze dias o dito cujo estará mais sujo que Eduardo Cunha depois de nocauteado.

Minha curiosidade é pra saber qual será o script da segunda parte do golpe a ser apresentado pelas gangues midiáticas comparsas dessa torpeza a fim de introduzir o dream name a ser ungido. Sabe-se que essas artimanhas começam por notinhas em colunas, seguidas de declarações enfáticas de um banqueiro, industrial, latifundiário e gente desse naipe.

O risco é o erro no time do anúncio: feito prematuramente torna o 'eleito' passível de queimação; guardado muito tempo no forno da conspiração fatalmente corre risco de virar assado em fogo amigo.

De fato, nesses tempos onde a esperteza vira no dia seguinte ingenuidade, tamanha é a quantidade de conspiradores no pedaço, o confidente de hoje é o delator de amanhã.

Temer já atingiu o status de balão junino: sabe-se que cairá, mas é incerto que não provoque incêndio. Claro que os rapapés e salamaleques da trupe privata que prestou solidariedade a ele, sexta feira última, não o impressionou, resta saber se terá bala na agulha pra cair atirando de forma certeira.

De qualquer modo, é bom o povo intensificar e aumentar o número de manisfestantes nas ruas porque estamos bem próximos de ver os donos do programa temerário chegar e assumir a titularidade nessa aventura golpista. Independente da data da queda de Temer, das eleições indiretas que fatalmente virão em 2017, a privataria tucana está chegando com uma sede de ontem, ávidos pra tungar direitos trabalhistas, ganhos salariais dos do andar de baixo, benfeitorias a aposentados e pensionistas e por aí em diante.

E tudo sob forte blindagem midiática, que é para persuadir uma parcela da população pobre, além de ser roubada, ainda convencer-se que não podia ser diferente. Por culpa do PT, dirão as quadrilhas midiáticas, não sobrou outra alternativa que não essa essas medidas amargas pra voltarmos a crescer. E muitos acreditarão.

domingo, 27 de novembro de 2016

É O GOLPE DENTRO DO GOLPE


Multidão grita 'Fora, Temer' na av. Paulista


Milhares de pessoas protestam na Avenida Paulista contra o governo de Michel Temer. A principal pauta dos manifestantes é a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 55 – na Câmara, PEC 241 – , que prevê o congelamento dos investimentos públicos.

A proposta tem sido extremamente criticada pela oposição. Em entrevista coletiva, na manhã deste domingo (27), o senador Renan Calheiros, presidente da Casa, afirmou que a medida é prioridade para o governo.

Para Roberto Requião (PMDB-PR), a PEC 55 será tão dura quanto foi o Ato Institucional – Nº 5 da ditadura militar. “Assim como o AI-5 há quase cinco décadas, a PEC 241/55 também representa um projeto de poder e traz em seu coração, igualmente, truculência, ferocidade, impiedade e ódio de classe. E manda às favas qualquer escrúpulo na rendição ao mercado e à globalização”, afirmou em discurso no Senado nesta semana.

"A PEC 55 é a decretação da volta da miséria e da fome. É um verdadeiro crime contra o povo pobre", disse o ex-ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República do governo Dilma, Gilberto Carvalho.
(Revista Forum)

Quem vai pagar pela destruição da vida de Mateus, preso na Lava Jato e absolvido por falta de provas?

Mateus Coutinho de Sá Oliveira, absolvido por falta de provas na Lava Jato

A absolvição de duas pessoas condenadas por Moro na Lava Jato pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, TRF4, é a primeira derrota significativa do juiz paranaense.

São executivos da OAS. No julgamento de primeira instância, Mateus Coutinho de Sá Oliveira havia sido condenado a 11 anos de prisão e Fernando Augusto Stremel Andrade a quatro anos em regime aberto.

A decisão pela absolvição foi tomada por unanimidade.

Tudo indica que não serão os únicos. Juristas acreditam que esse tipo de coisa deve se repetir na Lava Jato, dados os erros processuais, a escassez de provas etc.

A Constituição estabelece, no art. 5º, LXXV, que “o Estado indenizará o condenado por erro judiciário, assim como o que ficar preso além do tempo fixado na sentença, garantindo a tal dever caráter de direito fundamental”.

Ou seja, pode vir por aí uma enxurrada de compensações financeiras pagas pelo erário.

O caso de Mateus é mais dramático.

Ainda que consiga um bom dinheiro, sua vida está em suspenso. Ele tinha 36 anos quando foi levado de casa pela Polícia Federal em novembro de 2014 na Operação Juízo Final, que cumpria 49 mandados de busca, 6 de prisão preventiva, 21 de temporária e 9 de condução coercitiva.

Cerveró e Fernando Pessoa, o Fernando Baiano, ficaram com os holofotes. Investigava-se um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo a Petrobras e empreiteiras.

Segundo a Folha, Mateus dizia aos colegas no cárcere que seus advogados provariam rapidamente sua inocência. Pediu à mulher que não levasse a filha pequena à cadeia. Afinal, não ficaria ali muito tempo.

Reproduzo um trecho da reportagem:

“Como os pedidos de liberdade caíam um a um nos tribunais superiores, Coutinho passou a estudar a possibilidade de receber a filha numa visita, mas queria preservá-la dos dissabores de uma cadeia. Fez um acordo com a direção da carceragem e a menina foi vê-lo num dia sem visitas de outros presos.

A sala destinada às visitas fica longe das celas. Mesmo assim os presos ouviram a menina gritar “pai” quando o viu. Segundo um executivo preso na PF, não houve quem não se emocionasse na hora.”


Perdeu o emprego na OAS, entregou o passaporte, viu seu casamento naufragar e sua reputação ser destruída.

Quanto vale essa brutalidade? Esse equívoco? Quantos Mateus há com uma história parecida?

A atuação dos homens de Moro, insuflada pela mídia, serviu para aplacar uma sede de sangue de parte da população.

Isso é qualquer coisa, menos justiça. “É populismo penal”, diz o ex-ministro Eugênio Aragão. “As garantias fundamentais existem como contrapeso ao monopólio de violência que o Estado detém”.

Mateus Coutinho tem agora uma vida perdida a refazer.
(Kiko Nogueira/ DCM)

Apropino é um eterno lactente das 'tetas' públicas


A Justiça Federal determinou no dia 14 o corte de R$ 30.471 nos ganhos do senador José Agripino Maia (DEM-RN). O juiz Janilson Bezerra de Siqueira, da 4ª Vara Federal, no Rio Grande do Norte, entendeu que o congressista recebe a quantia irregularmente, acima do teto salarial para o serviço público, previsto na Constituição, atualmente de R$ 33.763. O valor corresponde à pensão recebida por Maia como ex-governador do Estado e se soma ao que é pago a ele pelo Senado, que já é equivalente ao limite constitucional.

Segundo a decisão, Maia terá de escolher sobre qual das fontes de renda será feito o desconto. Caso não faça a opção, o Senado terá de subtrair da remuneração que paga ao senador o valor extra. O magistrado não deferiu, no entanto, pedido do Ministério Público Federal, autor da ação, para que o senador devolvesse os recursos que já ganhou indevidamente.

A pensão de ex-governador é recebida por Maia desde 1986. Com ela, a remuneração do senador passou a ser mais de 90% superior ao teto.

Regulamentação

O limite salarial, previsto na Constituição de 1988, foi regulamentado em 4 de junho de 1998 pelo Congresso, por meio da Emenda Constitucional 19. Desde aquela data, as remunerações dos servidores públicos não podem ultrapassar o subsídio mensal dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), de R$ 33.763.

‘Exótica’. O procurador da República Kleber Martins, um dos autores da ação contra Maia, diz que, “mais do que exótica, a mencionada pensão (de ex-governador) desmoraliza a própria noção de republicanismo, porque condenou o pobre povo potiguar a conceder a Maia, por todo o resto de sua vida, um valor mensal equivalente às mais altas remunerações dos servidores públicos estaduais”.

Ele alega que “ainda mais grave” é o fato de a pensão ser paga sem ter havido nenhuma contrapartida, seja “a prestação de um serviço ao Estado, seja o aporte de contribuições previdenciárias”.

Supersalários
Uma comissão instaurada este mês na Casa visa a aprovar um projeto de lei para acabar com os salários exorbitantes no serviço público nos três poderes. Na mira estão subsídios de diversas fontes acumulados e todos os penduricalhos que servem para inflar contracheques. Os congressistas também pretendem reavaliar os reajustes sobre o teto, que criam um efeito cascata nas remunerações de todo o funcionalismo nas esferas municipal, estadual e federal. A previsão é que a proposta seja votada em dezembro pelo plenário, que inclui Maia.

O Tribunal de Contas da União (TCU) também analisa o caso do senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), ex-ministro da Previdência, que turbina o subsídio de congressista com o recebimento de uma aposentadoria de deputado estadual do Rio Grande do Norte (R$ 20.257). Somados, os valores alcançam R$ 54 020 brutos.

Uma auditoria do TCU sobre a situação do senador diz ser “forçoso concluir” que a totalidade paga a ele ultrapassa o limite constitucional. Num relatório ao qual o Estado teve acesso, os técnicos sustentam que, com base no entendimento da Corte, a forma de devolução cabível nesse caso seria o corte da aposentadoria. O processo deve ser julgado semana que vem.

Defesa
Maia informou, por meio de sua assessoria, que vai recorrer da decisão judicial. Ele explicou que a legislação brasileira não é explícita sobre a obtenção de remunerações de duas fontes distintas, uma federal e outra estadual, como no caso dele. Garibaldi sustenta que a Advocacia-Geral da União (AGU), ao dar um parecer sobre caso semelhante ao seu, entendeu que não há irregularidade. Segundo ele, a acumulação seria possível se os valores provêm de “regimes diferentes”, o estadual e o federal. Ele não deu detalhes sobre o documento.
(Metropoles/ via A Justiceira de Esquerda)

Flexibilizar e informalizar o trabalho? Não, apenas precarizar e explorar


A operação ideológica do neoliberalismo se vale de palavras tentadoras para passar, de contrabando, suas mercadorias envenenadas


Para tratar de baratear ainda mais o custo da força de trabalho, o neoliberalismo promove o tema da informalização ou da flexibilização das relações de trabalho. O tema foi introduzido na América Latina pelo economista chileno José Piñera, então ministro do trabalho de Pinochet, irmão do posteriormente presidente Sebastián Piñera, ambos proprietários do grupo econômico que, entre outras empresas, é proprietária da empresa aérea Latam.

Se valeu, desde o começo, da manipulação verbal e da atração de palavras. O que as pessoas preferem: a formalidade e a inflexibilidade, ou a informalidade e a flexibilidade?

As segundas alternativas parecem mais simpáticas, mas na prática elas representam trabalhar sem carteira de trabalho, sem direito a sindicalizar-se, sem poder apelar à Justiça do Trabalho, sem garantia da continuidade no emprego, sem licença maternidade, e sem outros direitos.

A palavra real que designa o que o neoliberalismo pretende é "precarização" das relações de trabalho, trabalhar sem os direitos formais que só a carteira de trabalho propicia. É ao que foi reduzida a maioria dos trabalhadores brasileiros na década de 1990, como resultado da política de barateamento da força de trabalho mediante a terceirização.

O pressuposto, equivocado, do raciocínio neoliberal é o de que a economia deixa de crescer em razão do custo da força de trabalho. Na campanha eleitoral à presidência brasileira de 2014, um dos gurus econômicos dos candidatos adversários de Dilma chegou a afirmar que "a economia não cresce porque o salário mínimo é muito alto". Afirmação repetida por FHC, para quem a baixa produtividade dos trabalhadores não justificaria o salário mínimo pago aos trabalhadores.

Como se o custo da força de trabalho fosse um componente importante do preço final das mercadorias, o que é absolutamente falso. O que se pretende é baratear ainda mais a mão de obra, aprofundar a super exploração dos trabalhadores, mediante a retirada dos direitos adquiridos ao longo de suas lutas.

É um tema que reaparece cada vez que se dá uma virada conservadora. Até pouco tempo atrás, com praticamente pleno emprego, a questão que se colocava como central era a diminuição da jornada de trabalho. Mas os trabalhadores e suas organizações não tiveram a força política nem sequer para colocar a pauta na agenda prioritária do Congresso.

Quando se deu a virada conservadora com o golpe que levou Michel Temer ao poder, mudou a agenda. Pressionados pelo aumento do desemprego, pela difícil defesa dos salários diante da inflação, os trabalhadores passaram também a ser vítimas de uma contraofensiva do grande empresariado, que retoma o tema da precarização das relações de trabalho.

É uma luta que testa a capacidade de mobilização dos sindicatos, mas que se dá também ao nível das ideias, das interpretações da realidade das relações de trabalho. A direita faz do tema da precarização uma continuidade do seu diagnóstico geral, segundo o qual a economia não cresce pelos gastos excessivos do Estado e pelo custo supostamente alto da contratação da força de trabalho.

É preciso contrapor sistematicamente esses falsos argumentos com a visão efetiva da realidade, segundo a qual os recursos existem, mas estão na especulação financeira, na sonegação, nos paraísos fiscais. Trata-se é de combater a especulação baixando a taxa de juros, taxando a livre circulação de capitais, de combater duramente a sonegação, de atacar os paraísos fiscais.

E de desenvolver sistematicamente os argumentos com todos os trabalhadores, provendo-os com as ideias que permitem sua clareza política sobre o problema e para que possam, por sua vez, expandir esses argumentos para todos os seus colegas.

Porque é a hora de fortalecer os sindicatos, demonstrar para os que ainda não estão sindicalizados, que estes são a grande trincheira de luta para defender os interesses dos trabalhadores, tanto seus empregos, como seus salários e os direitos conquistados.
(Emir Sader/ via Rede Brasil Atual)

Cuba é a exata medida do gigantesco fracasso do capitalismo brasileiro

Crianças na volta às aulas em Cuba

Coxa: “Vai pra Cuba!”

Com a morte de Fidel o leitmotiv predileto da direita vai voltar à carga. Esse é a acusação de que a esquerda quer transformar o Brasil numa Cuba, como se essa ilha fosse um imenso fracasso. É uma estratégia tão, mas tão desonesta, que é até difícil explicar o tamanho da desonestidade. Mas vou tentar.

Para começar, Cuba pode realmente ser ruim para mim, que sou de classe média alta, mas é para 100% de seus habitantes melhor do que o Brasil é para 90% dos seus.

Esse não é um chute estatístico, mas uma estimativa conservadora. 75,9% dos brasileiros vivem com menos de U$10.000 ao ano enquanto 10% dos brasileiros abocanham 75,4% da renda nacional (1% abocanha 48%) [1]. A renda per capita em Cuba ajustada por poder de compra é de 20.611 [2] dólares internacionais, enquanto a do Brasil antes da depressão econômica era de 15.893 dólares [3]. O povo daquela ilha rochosa bloqueada é mais rico que o povo do continente Brasil. Essa é uma realidade chocante e geralmente desconhecida.

Ainda assim não quero ir pra Cuba, a não ser a turismo. Porque para mim a quantidade de liberdade é mais importante do que o pão. É claro, eu tenho pão. Bem mais do que isso, eu faço parte dos 10% de privilegiados brasileiros. Logo, sou mais livre aqui do que lá. Mas minha diarista certamente não. Que pena que ela não tem ideia do que realmente significa “Vai pra Cuba!”.

E é também por isso que não posso querer para mim uma sociedade moralmente monstruosa como os EUA, aquela plutocracia onde o último traço de democracia é uma relativa liberdade de expressão.

Mas o Brasil, meu Deus, o Brasil é uma monstruosidade social tão maior, que querer que ele se transforme em algo parecido com os EUA é querer reformas de esquerda. Sim, na maioria dos aspectos, os EUA estão à esquerda do Brasil. No dia em que o Brasil tiver um salário mínimo como o dos EUA (U$7,25 por hora contra U$1,12) [4], uma distribuição de renda como a dos EUA (gini 40,8 contra 54,7) [5] , uma lei de mídia como a dos EUA, a proteção às indústrias e agricultura local como a dos EUA, um estado do tamanho do dos EUA [6] (14,6% da população empregada contra 11,1%), a direita vai poder alertar para o risco de ele virar uma Alemanha. Até lá, em vez de gritar: “A esquerda quer transformar o Brasil numa Cuba!”, deveria gritar: “A esquerda quer transformar o Brasil num EUA!”.

E quando o Brasil ficasse parecido com os EUA, querer um governo de esquerda ia ser querer que o Brasil começasse a ter políticas de salvaguarda social mais parecidas com as da Alemanha [7] , sua saúde pública, sua educação pública, suas políticas ambientais estreitas, sua carga tributária (40,6% contra 34,4% do Brasil) [8], seu imposto progressivo (quanto mais rico, mais imposto). E a direita deveria então gritar, se quisesse ser honesta: “Cuidado, a esquerda quer transformar o Brasil numa Alemanha!”

E então, quando o Brasil ficasse parecido com a Alemanha, a direita poderia alertar para o risco de virarmos uma Dinamarca. Aí, querer reformas de esquerda seria querer que mais da metade da renda fosse para os impostos (50,8%) [9], que os filhos da elite fossem obrigados a estudar em escolas públicas, entre as melhores do mundo, que estado tivesse mais de um terço da população empregada (34,9%) [10], bancasse dois anos de licença para criar um recém-nascido, limitasse fortemente a atuação das grandes corporações, fosse radicalmente democrático.

Finalmente, quando o Brasil ficasse parecido com a Dinamarca, o direitista poderia gritar sem hipocrisia seu terror com a Cuba que se avizinha, a do estado total e economia planificada, e disfarçar melhor sua inveja do funcionário público sob a máscara do ódio ao estado. Provavelmente nesse dia, até eu estivesse protestando a seu lado.

Na estratégia do espantalho cubano o reacionário brasileiro finge ser a favor da liberdade e do mérito, enquanto na verdade é contra. Contra a liberdade do povo, seus direitos trabalhistas, o investimento na educação e universidade públicas, o fortalecimento do SUS e a redução dos juros. Contra o aumento da carga tributária, do salário mínimo, do estado, da remuneração do professor básico, da distribuição de renda e das oportunidades para os excluídos.

Um conservador na Inglaterra é só um conservador. Um conservador no Brasil é um monstro. Um monstro que quer conservar as estruturas de um dos países mais desiguais e injustos do mundo.

Não, Cuba não é o paraíso. É só uma ilha rochosa no meio do Caribe sem recursos naturais de qualquer tipo e bloqueada economicamente há cinquenta anos.

E, no entanto, garante saúde e educação universal para seu povo e tem IDH maior que o nosso, nós, que somos um continente, nós, que temos todos os recursos naturais. Essa é a medida de nosso fracasso. O incrível e gigantesco fracasso do capitalismo brasileiro.

[1]Credit Suisse – Research Institute. Markus Stierli. Outubro de 2015. Tabela 6-5, pág. 149, 17-10-2016.

[2]http://data.worldbank.org/indicator/NY.GDP.PCAP.PP.CD?locations=CU&order=wbapi_data_value_2014+wbapi_data_value+wbapi_data_value-last&sort=desc

[3]http://data.worldbank.org/indicator/NY.GDP.PCAP.PP.CD?order=wbapi_data_value_2014+wbapi_data_value+wbapi_data_value-last&sort=desc

[4]http://www.infomoney.com.br/carreira/salarios/noticia/4073079/veja-quanto-salario-minimo-pago-paises-australia-campea

[5]World Bank GINI index

[6] OCDE http://www.oecd-ilibrary.org/sites/gov_glance-2011-en/05/01/gv-21-02.html?itemId=/content/chapter/gov_glance-2011-27-en&_csp_=6514ff186e872f0ad7b772c5f31fbf2f

[7]http://www.dw.com/pt-br/como-o-estado-alem%C3%A3o-ap%C3%B3ia-as-fam%C3%ADlias/a-2370133

[8]Heritage Foundation (2015).”2015 Macro-economic Data”.and Index of Economic Freedom, Heritage Foundation.

[9] http://ec.europa.eu/eurostat/statistics-explained/index.php/File:Total_tax_revenue_by_country,_1995-2014_%28%25_of_GDP%29.png

[10]OCDE http://www.oecd-ilibrary.org/sites/gov_glance-2011-en/05/01/gv-21-02.html?itemId=/content/chapter/gov_glance-2011-27-en&_csp_=6514ff186e872f0ad7b772c5f31fbf2f

(Gustavo Castañon/ Viomundo)